eu acho que sequei
eu sei que não morri
mas mais nada parece ser capaz de nascer de mim
e tenho no peito
a mesma terra fecunda
então a razão só pode ser terem deixado de cair
as sementes que me lançavam
dessa espécie de altar onde te coloquei
mas agora, eu acho que sequei
10 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
eu sei que não morri
mas mais nada parece ser capaz de nascer de mim
e tenho no peito
a mesma terra fecunda
então a razão só pode ser terem deixado de cair
as sementes que me lançavam
dessa espécie de altar onde te coloquei
mas agora, eu acho que sequei
de cada vez que penso
que te amo por reflexo
- contracção involuntária dos músculos do desejo
e/ou
- contracção involuntária do músculo do peito
em virtude de um efeito pavloviano
que se radica no passado
e se alimenta da memória
coisa turva com a distância
disparando aleatoriamente
impulsos que não se explicam
que não me explicam
que não me definem
que me fazem soltar sílabas
incoerentes e inconsequentes
espécie de esperanto invertido
que deixa tudo de pantanas
até as letras secarem
porque não tenho palavras novas
quando penso que me libertei
é que me descubro cada vez mais preso a ti
5 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que te amo por reflexo
- contracção involuntária dos músculos do desejo
e/ou
- contracção involuntária do músculo do peito
em virtude de um efeito pavloviano
que se radica no passado
e se alimenta da memória
coisa turva com a distância
disparando aleatoriamente
impulsos que não se explicam
que não me explicam
que não me definem
que me fazem soltar sílabas
incoerentes e inconsequentes
espécie de esperanto invertido
que deixa tudo de pantanas
até as letras secarem
porque não tenho palavras novas
quando penso que me libertei
é que me descubro cada vez mais preso a ti
disseram-me que o amor só vem quando é para nos meter
dentro de um caixão feito de promessas falsas
e fazer um elogio fúnebre que a todos deixa
de lágrimas nos olhos
disseram-me que o amor só se mostra ao saber ao certo
onde se esconder segundos depois de um beijo
que nos fez esquecer que um mundo existe
onde ele já não vive
disseram-me que o amor só revela o seu verdadeiro nome
quando se esquece do bi falso e mesmo assim
só depois de confrontado pela autoridade
e desarmado de si
por isso só pode ter sido coincidência
eu ter conhecido esse tal de amor
quando te vi e me disseste o teu nome
e assim só poder ser coincidência afinal
que não acredite em absolutamente nada
do que me disseram... ou então é amor
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
dentro de um caixão feito de promessas falsas
e fazer um elogio fúnebre que a todos deixa
de lágrimas nos olhos
disseram-me que o amor só se mostra ao saber ao certo
onde se esconder segundos depois de um beijo
que nos fez esquecer que um mundo existe
onde ele já não vive
disseram-me que o amor só revela o seu verdadeiro nome
quando se esquece do bi falso e mesmo assim
só depois de confrontado pela autoridade
e desarmado de si
por isso só pode ter sido coincidência
eu ter conhecido esse tal de amor
quando te vi e me disseste o teu nome
e assim só poder ser coincidência afinal
que não acredite em absolutamente nada
do que me disseram... ou então é amor
se eu for um gigante
três metros e tal
de erros e arrependimentos
se eu me mostrar
como existo afinal
ainda haverá em ti
alguém que queira saber quem sou
se eu for um gigante
três metros e tal
de medos e inseguranças
se eu me apresentar
sem me esconder
ainda estarás aí
no alto da montanha onde te vejo
mas se tu fizeres
de mim um gigante
como fazes quando dizes
que ainda me amas
terei três metros e tal
feitos de virtudes
e defeitos que todos vão querer
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
três metros e tal
de erros e arrependimentos
se eu me mostrar
como existo afinal
ainda haverá em ti
alguém que queira saber quem sou
se eu for um gigante
três metros e tal
de medos e inseguranças
se eu me apresentar
sem me esconder
ainda estarás aí
no alto da montanha onde te vejo
mas se tu fizeres
de mim um gigante
como fazes quando dizes
que ainda me amas
terei três metros e tal
feitos de virtudes
e defeitos que todos vão querer
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que me amas que me sentes acordar contigo quando eu acordo contigo diaramente tão real como olhar para o lado e ser a tua face que eu toco tão real quanto sentir a tua boca e conhecê-la de cor.
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que te amo ainda como naquele primeiro dia em que te amei e que não lembro já que creio nunca ter sabido qual foi mas tenho a certeza de ter sido o dia certo não como este de hoje em que me minto.
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que te esqueci de que não preciso das tuas mãos em mim como dois olhos que me matam e me fazem viver só por se cruzarem com os meus ou como algo mais carnal que é verdadeiramente o que preciso.
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que não me importa o que sentes de que não fará grande diferença que aches já patético que ainda não tenha conseguido fazer disto algo menos do que um assunto de vida ou morte a minha vida e a minha morte.
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que te amo ainda como naquele primeiro dia em que te amei e que não lembro já que creio nunca ter sabido qual foi mas tenho a certeza de ter sido o dia certo não como este de hoje em que me minto.
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que te esqueci de que não preciso das tuas mãos em mim como dois olhos que me matam e me fazem viver só por se cruzarem com os meus ou como algo mais carnal que é verdadeiramente o que preciso.
só me deixarei enganar uma vez mais. só me deixarei convencer mais uma vez de que não me importa o que sentes de que não fará grande diferença que aches já patético que ainda não tenha conseguido fazer disto algo menos do que um assunto de vida ou morte a minha vida e a minha morte.
não quero dizer-te que ainda te amo
não quero que saibas a idade destas palavras
tenho vergonha de as pensar e de as escrever
tenho vergonha de ainda te sentir tão dentro de mim
não quero escrever frases simples
quero metáforas do tamanho de ondas gigantes
capazes de me arrastar para dentro de um mar
em que parece que é só a imaginação o que me move
porque eu estou cansado de te amar
quero fingir
que só te amo ainda porque é mais fácil
do que explicar-me que deixei de o fazer
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não quero que saibas a idade destas palavras
tenho vergonha de as pensar e de as escrever
tenho vergonha de ainda te sentir tão dentro de mim
não quero escrever frases simples
quero metáforas do tamanho de ondas gigantes
capazes de me arrastar para dentro de um mar
em que parece que é só a imaginação o que me move
porque eu estou cansado de te amar
quero fingir
que só te amo ainda porque é mais fácil
do que explicar-me que deixei de o fazer
quantas vezes me disseste que me amas
nos últimos sessenta segundos
quantas vezes
mesmo que num sussurro
mesmo que num olhar
mesmo que num pensamento irritado
por não to ter dito eu
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
nos últimos sessenta segundos
quantas vezes
mesmo que num sussurro
mesmo que num olhar
mesmo que num pensamento irritado
por não to ter dito eu
há peças que se juntam sem fazer grande sentido
que parecem não encaixar mas eu estou contigo
mesmo sendo a peça errada
sabes que eu já não procuro quem me completaria
porque sempre te beijei como quem reinventa o dia
mesmo que seja domingo
talvez te esteja a dizer para escolheres a peça errada
meu amor aposta na carta mais baixa nesta jogada
que a sorte é ilógica
e deixa-me abraçar-te sem nada ter de explicar
mas se mexer o meu braço há hipóteses de fugires
viajo mil anos para trás ainda antes de tu existires
e quero voltar ao futuro
e as memórias gritam e não consigo racionalizar
e uma sombra que devia ser só minha nesta hora
são dois vultos num abraço que os envolve agora
depois de uma tempestade
e tudo encaixa como se o jogo fosse para ganhar
beija-me como se não morrêssemos esta noite aqui
como se sobrevivêssemos só mais um dia e assim
ficássemos para sempre um
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que parecem não encaixar mas eu estou contigo
mesmo sendo a peça errada
sabes que eu já não procuro quem me completaria
porque sempre te beijei como quem reinventa o dia
mesmo que seja domingo
talvez te esteja a dizer para escolheres a peça errada
meu amor aposta na carta mais baixa nesta jogada
que a sorte é ilógica
e deixa-me abraçar-te sem nada ter de explicar
mas se mexer o meu braço há hipóteses de fugires
viajo mil anos para trás ainda antes de tu existires
e quero voltar ao futuro
e as memórias gritam e não consigo racionalizar
e uma sombra que devia ser só minha nesta hora
são dois vultos num abraço que os envolve agora
depois de uma tempestade
e tudo encaixa como se o jogo fosse para ganhar
beija-me como se não morrêssemos esta noite aqui
como se sobrevivêssemos só mais um dia e assim
ficássemos para sempre um
quantas vezes ficámos tão próximos que perdemos a visão periférica
e quantas vezes nessas vezes
havia finalmente um sentido
e um mapa coerente e com instruções tão claras
e trazer de volta cada um desses momentos
de cada vez que a terra dá uma volta
quantas vezes nos perdemos em nós mesmos espreitando sempre em volta
e quantas vezes a multidão
é que parecia que nos ignorava
e estava tudo bem assim dois estranhos no mundo
e trazer de volta cada um desses momentos
de cada vez que a vida dá uma volta
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e quantas vezes nessas vezes
havia finalmente um sentido
e um mapa coerente e com instruções tão claras
e trazer de volta cada um desses momentos
de cada vez que a terra dá uma volta
quantas vezes nos perdemos em nós mesmos espreitando sempre em volta
e quantas vezes a multidão
é que parecia que nos ignorava
e estava tudo bem assim dois estranhos no mundo
e trazer de volta cada um desses momentos
de cada vez que a vida dá uma volta
preciso de conforto
não de censura
preciso de liberdade
não de disciplina
e a minha história
nada tem de especial
preciso de sentido
não de questões
preciso de compreensão
não de simpatia
e a minha história
é só uma história banal
que se tente a seriedade
e se recuse o dramatismo
eu só preciso de uns braços esta noite
dos teus braços esta noite
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não de censura
preciso de liberdade
não de disciplina
e a minha história
nada tem de especial
preciso de sentido
não de questões
preciso de compreensão
não de simpatia
e a minha história
é só uma história banal
que se tente a seriedade
e se recuse o dramatismo
eu só preciso de uns braços esta noite
dos teus braços esta noite
vamos furar a rotunda
sair do caminho certo
quem sabe o que nos espera do lado de lá
vamos encontrar razões
que possamos partilhar
não tem de ser urgente mas pode ser já
vamos dizer qualquer coisa
que nos venha à cabeça
para fazer a paz pouco é preciso pensar
vamos ver o novo dia
de uma varanda qualquer
ao largar o chão é que se aprende a voar
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
sair do caminho certo
quem sabe o que nos espera do lado de lá
vamos encontrar razões
que possamos partilhar
não tem de ser urgente mas pode ser já
vamos dizer qualquer coisa
que nos venha à cabeça
para fazer a paz pouco é preciso pensar
vamos ver o novo dia
de uma varanda qualquer
ao largar o chão é que se aprende a voar
olho-me para dentro
e ainda te vejo
tão clara
e marcadamente bela
como na primeira vez
usando esse sorriso como uma arma
apontada à minha solidão
olho-me lá para fora
e não te vejo
nem sei
onde possas estar
ou se ainda és assim
um sorriso apontado à minha solidão
ou uma ausência sem data
5 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e ainda te vejo
tão clara
e marcadamente bela
como na primeira vez
usando esse sorriso como uma arma
apontada à minha solidão
olho-me lá para fora
e não te vejo
nem sei
onde possas estar
ou se ainda és assim
um sorriso apontado à minha solidão
ou uma ausência sem data
eu não acredito
que a força se perca
ou que enfraqueça
que a maré se esconda
ou que ainda desça
que o fogo se apague
ou que esmoreça
depois da paixão
eu não acredito
que o furacão acalme
ou que desvaneça
que a vertigem pare
ou que desapareça
que a fome se mate
ou que ela se esqueça
depois da paixão
eu não acredito
que o verão acabe
ou que arrefeça
que a ponte caia
ou que estremeça
que o sol regele
ou que empalideça
depois da paixão
eu não acredito
que o coração pare
ou que desfaleça
que o amor se finde
ou que assim pareça
que a felicidade mude
ou que a não reconheça
depois da paixão
3 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que a força se perca
ou que enfraqueça
que a maré se esconda
ou que ainda desça
que o fogo se apague
ou que esmoreça
depois da paixão
eu não acredito
que o furacão acalme
ou que desvaneça
que a vertigem pare
ou que desapareça
que a fome se mate
ou que ela se esqueça
depois da paixão
eu não acredito
que o verão acabe
ou que arrefeça
que a ponte caia
ou que estremeça
que o sol regele
ou que empalideça
depois da paixão
eu não acredito
que o coração pare
ou que desfaleça
que o amor se finde
ou que assim pareça
que a felicidade mude
ou que a não reconheça
depois da paixão
hoje não tive saudades de ti
só da minha desmedida auto-estima
e da minha confiança ilimitada
só da minha capacidade de voar sem capa
super-homem fora da banda desenhada
hoje não tive saudades de ti
só do meu permanente sorriso
e do meu optimismo desenfreado
só da minha vontade de acreditar sempre
num futuro mesmo quase nada acabado
hoje não tive saudades de ti
só do que fazes em mim
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
só da minha desmedida auto-estima
e da minha confiança ilimitada
só da minha capacidade de voar sem capa
super-homem fora da banda desenhada
hoje não tive saudades de ti
só do meu permanente sorriso
e do meu optimismo desenfreado
só da minha vontade de acreditar sempre
num futuro mesmo quase nada acabado
hoje não tive saudades de ti
só do que fazes em mim
se sou apenas um bom ouvinte
se sou apenas o passo seguinte
se sou apenas um ombro amigo
se sou apenas um amor esquecido
morro morro
feliz
se sou apenas o teu bengaleiro
se sou apenas um conselheiro
se sou apenas outra distracção
se sou apenas o amor mais à mão
morro morro
feliz
mas se sou a canção
que tu queres ouvir
depois de a monção
te fazer sorrir
mas se sou a cama
onde queres ficar
quando outro drama
se quer instalar
vivo vivo
feliz
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
se sou apenas o passo seguinte
se sou apenas um ombro amigo
se sou apenas um amor esquecido
morro morro
feliz
se sou apenas o teu bengaleiro
se sou apenas um conselheiro
se sou apenas outra distracção
se sou apenas o amor mais à mão
morro morro
feliz
mas se sou a canção
que tu queres ouvir
depois de a monção
te fazer sorrir
mas se sou a cama
onde queres ficar
quando outro drama
se quer instalar
vivo vivo
feliz
e é só uma pergunta
a pedir uma resposta
- ainda me queres?
sem dramas nem novelas
sem lágrimas nem amuos
como se antes te perguntasse
- está tudo bem?
ou
- o que fazes?
ou outra qualquer questão
daquelas que se fazem
sem pensar bem nas razões
mas mesmo assim
querendo mesmo saber
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
a pedir uma resposta
- ainda me queres?
sem dramas nem novelas
sem lágrimas nem amuos
como se antes te perguntasse
- está tudo bem?
ou
- o que fazes?
ou outra qualquer questão
daquelas que se fazem
sem pensar bem nas razões
mas mesmo assim
querendo mesmo saber
quase que não dói
e se dói
é só para a dor passar
andar na montanha-russa
experimentar o paraíso
ir até ao fim do medo
são só coisas que podíamos tentar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e se dói
é só para a dor passar
andar na montanha-russa
experimentar o paraíso
ir até ao fim do medo
são só coisas que podíamos tentar
tenho os comprimidos de proteínas
e o capacete para extra-protecção
mas se estou perdido no espaço
eu procuro a tua mão
e na contagem decrescente
ao verificar a ignição
não me importam as manchetes
mas onde está o teu coração
se nesta cápsula espacial
ou em frente à televisão
pensando que este amor
é só mais uma canção
e quando flutuo no espaço
e as estrelas já nada são
senão pontos finais
e não pontos de exclamação
eu penso como está distante a terra
e se esta espécie de avião
me poderá levar de volta
ou se acabará a ligação
sem que eu possa olhar-te
e gritar ou talvez não
sussurrar-te que te amo
aproveitando a ocasião
para antecipar os jornais
que amanhã se venderão
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e o capacete para extra-protecção
mas se estou perdido no espaço
eu procuro a tua mão
e na contagem decrescente
ao verificar a ignição
não me importam as manchetes
mas onde está o teu coração
se nesta cápsula espacial
ou em frente à televisão
pensando que este amor
é só mais uma canção
e quando flutuo no espaço
e as estrelas já nada são
senão pontos finais
e não pontos de exclamação
eu penso como está distante a terra
e se esta espécie de avião
me poderá levar de volta
ou se acabará a ligação
sem que eu possa olhar-te
e gritar ou talvez não
sussurrar-te que te amo
aproveitando a ocasião
para antecipar os jornais
que amanhã se venderão
só preciso de uma razão
para te odiar
um pequeno motivo
um fugaz pretexto
uma vulgar desculpa
e já não és
o meu amanhecer
o meu truque para acreditar
o meu antídoto
a minha música preferida
a minha dose de fé
só preciso de uma razão
para te odiar
da forma como te amo
só preciso de uma razão
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
para te odiar
um pequeno motivo
um fugaz pretexto
uma vulgar desculpa
e já não és
o meu amanhecer
o meu truque para acreditar
o meu antídoto
a minha música preferida
a minha dose de fé
só preciso de uma razão
para te odiar
da forma como te amo
só preciso de uma razão
imaginas-me como sou
ou outra voz qualquer
feita de memórias
que não morreram
conheces-me assim
ou num corpo diferente
construído por sonhos
em que terei entrado
reconhecer-me-ias hoje
ou mãos não reais
são as que queres
a cobrir a tua pele
eu ainda sou o mesmo
no mesmo lugar
à tua espera
e sei que te quero a ti
como sejas
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
ou outra voz qualquer
feita de memórias
que não morreram
conheces-me assim
ou num corpo diferente
construído por sonhos
em que terei entrado
reconhecer-me-ias hoje
ou mãos não reais
são as que queres
a cobrir a tua pele
eu ainda sou o mesmo
no mesmo lugar
à tua espera
e sei que te quero a ti
como sejas
se eu escrevesse um diário
teria de riscar o teu nome 327 vezes em cada dia
só para evitar repetições
mas então ficaria apenas com páginas quase brancas
melhor rasgá-las
melhor esse aspecto de sofrimento por amor
mesmo que quando o teu nome surja
surjam com ele dias de sol
e sorrisos abertos
e canções de amor
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
teria de riscar o teu nome 327 vezes em cada dia
só para evitar repetições
mas então ficaria apenas com páginas quase brancas
melhor rasgá-las
melhor esse aspecto de sofrimento por amor
mesmo que quando o teu nome surja
surjam com ele dias de sol
e sorrisos abertos
e canções de amor
quanto vale o que fica por falar
quantas terras se removeriam com a força dos sentimentos não verbalizados
quanto pesa o que ficou por conjugar
quantos mundos se moveriam se houvesse uma alavanca do tamanho do não dito
e quantas horas mais
quantos dias
quantas vidas
eu ficarei à espera do que não sei se existe
como um silêncio no fundo de um silêncio mais profundo
vazio construído em cima de outro vazio
e eu que me apoio nesse abismo
caminhando sem rede e sem amor à vida
quanto vale o que fica por viver
quanto vale esta impotência de não querer querer
quanto vale esta inquietação de não ouvir
ou nada mais há para dizer?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quantas terras se removeriam com a força dos sentimentos não verbalizados
quanto pesa o que ficou por conjugar
quantos mundos se moveriam se houvesse uma alavanca do tamanho do não dito
e quantas horas mais
quantos dias
quantas vidas
eu ficarei à espera do que não sei se existe
como um silêncio no fundo de um silêncio mais profundo
vazio construído em cima de outro vazio
e eu que me apoio nesse abismo
caminhando sem rede e sem amor à vida
quanto vale o que fica por viver
quanto vale esta impotência de não querer querer
quanto vale esta inquietação de não ouvir
ou nada mais há para dizer?
porque a verdade é clara
mas se esconde nas esquinas
e se perde em avenidas
tão largas que sufocam
em atalhos que nos atrasam
em calçadas destruídas
porque a verdade é clara
mas cega na presença
dos olhares que se desviam
ou das palavras que se trocam
dentro delas mesmas
em sucessões aleatórias de letras
porque a verdade é clara
mas morre à beira da praia
porque zizezagueou no areal
procurando terrenos mais firmes
desidratando ao sol
que queima mais quem ama
porque a verdade é clara
mas tão ruidosa e perigosa
que não ta consigo dizer hoje
embora não saiba porquê
nem se me queres ouvir
sem protecções (auriculares)
porque a verdade é clara
e a verdade é esta
ainda estás tão dentro de mim
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
mas se esconde nas esquinas
e se perde em avenidas
tão largas que sufocam
em atalhos que nos atrasam
em calçadas destruídas
porque a verdade é clara
mas cega na presença
dos olhares que se desviam
ou das palavras que se trocam
dentro delas mesmas
em sucessões aleatórias de letras
porque a verdade é clara
mas morre à beira da praia
porque zizezagueou no areal
procurando terrenos mais firmes
desidratando ao sol
que queima mais quem ama
porque a verdade é clara
mas tão ruidosa e perigosa
que não ta consigo dizer hoje
embora não saiba porquê
nem se me queres ouvir
sem protecções (auriculares)
porque a verdade é clara
e a verdade é esta
ainda estás tão dentro de mim
agora os dias morrem em todos os segundos em que se arrastam penosamente
e pesadamente há memórias de beijos como fotos guardadas debaixo da almofada
e pela calada as memórias são balas que falam são farpas espetadas no dorso
assim me contorço na incomodidade deste silêncio que não sei por que existe
mas abriste de novo as feridas saradas ao devolver o vazio ao vazio desta voz
que em nós já foi água e já foi sol e foi todas as coisas bonitas de um dia
em que havia coragem para perguntar onde estás se não estás aqui comigo?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e pesadamente há memórias de beijos como fotos guardadas debaixo da almofada
e pela calada as memórias são balas que falam são farpas espetadas no dorso
assim me contorço na incomodidade deste silêncio que não sei por que existe
mas abriste de novo as feridas saradas ao devolver o vazio ao vazio desta voz
que em nós já foi água e já foi sol e foi todas as coisas bonitas de um dia
em que havia coragem para perguntar onde estás se não estás aqui comigo?
escrevi o teu nome numa pedra à beira-mar mas não tive coragem para ficar a ver se a maré o apagaria. e quando chegou a manhã a coragem faltou de novo e eu apenas me convenci de que ainda lá estava o teu nome a vermelho-sangue numa pedra que um dia será areia que um dia será vidro que um dia será luz como a luz que pareceu brilhar dentro de mim quando o escrevi.
escrevi o teu nome numa pedra à beira-mar e não sei se por lá passarás brevemente mas procura-o como eu o procuro recorrentemente dentro de mim ao teu nome e muito mais. ao teu jeito de me dizer 'está tudo bem' mesmo quando está tudo mal e as marés apagam os nomes que quem ama escreveu em todas as pedras de todas as praias onde ficaram no areal passos descoordenados de quem não tem rumo.
escrevi o teu nome numa pedra à beira-mar porque tive de o escrever. porque tive de deixar que o mar provasse também do teu sabor nem que só do sabor das letras do teu nome escritas a lápis de cera tão fácil de apagar quando é tão difícil apagar-te de mim. não que eu o tente fazer. prefiro escrever o teu nome em qualquer parte.
3 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
escrevi o teu nome numa pedra à beira-mar e não sei se por lá passarás brevemente mas procura-o como eu o procuro recorrentemente dentro de mim ao teu nome e muito mais. ao teu jeito de me dizer 'está tudo bem' mesmo quando está tudo mal e as marés apagam os nomes que quem ama escreveu em todas as pedras de todas as praias onde ficaram no areal passos descoordenados de quem não tem rumo.
escrevi o teu nome numa pedra à beira-mar porque tive de o escrever. porque tive de deixar que o mar provasse também do teu sabor nem que só do sabor das letras do teu nome escritas a lápis de cera tão fácil de apagar quando é tão difícil apagar-te de mim. não que eu o tente fazer. prefiro escrever o teu nome em qualquer parte.
[enunciado]
amo o mar assim ao longe
onde as ondas não me podem trocar as voltas
deixar às voltas
na direcção do infinito
onde a água não me causa o pânico de quem não quer partir
mesmo não tendo onde chegar
[hipótese a]
amo-te como amo o mar
a uma distância em que me sinta seguro
em que te sinto
tão perto que quase me levas
tão longe que posso convencer-me que é meu livre-arbítrio
partir ou ficar pelo areal
[hipótese b]
amo-te como amo o mar
mas de uma forma completamente contrária
em que me abraças
em que me afogas e me salvas
em que um beijo teu me devolve à vida cinco mil vezes mais
antes de me tentares levar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
amo o mar assim ao longe
onde as ondas não me podem trocar as voltas
deixar às voltas
na direcção do infinito
onde a água não me causa o pânico de quem não quer partir
mesmo não tendo onde chegar
[hipótese a]
amo-te como amo o mar
a uma distância em que me sinta seguro
em que te sinto
tão perto que quase me levas
tão longe que posso convencer-me que é meu livre-arbítrio
partir ou ficar pelo areal
[hipótese b]
amo-te como amo o mar
mas de uma forma completamente contrária
em que me abraças
em que me afogas e me salvas
em que um beijo teu me devolve à vida cinco mil vezes mais
antes de me tentares levar
para além das palavras que se podem ler ou não
para além da graça fácil sempre à mão
para além dos santos que atirava do seu altar
para além da areia e do som do mar
para além dos segredos que tenho medo de dizer
para além do muito que tive de beber
para além das manifestações pela justiça social
para além da coerência ou de um ideal
eu sei que devo existir noutro sítio qualquer
em que até as árvores sabem que és a minha mulher
em que até os poemas acordam só para te ver passar
em que até os rios nascem quando chegam ao mar
em que até o meu silêncio é uma prova de amor
em que até a nudez se esquece do pudor
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
para além da graça fácil sempre à mão
para além dos santos que atirava do seu altar
para além da areia e do som do mar
para além dos segredos que tenho medo de dizer
para além do muito que tive de beber
para além das manifestações pela justiça social
para além da coerência ou de um ideal
eu sei que devo existir noutro sítio qualquer
em que até as árvores sabem que és a minha mulher
em que até os poemas acordam só para te ver passar
em que até os rios nascem quando chegam ao mar
em que até o meu silêncio é uma prova de amor
em que até a nudez se esquece do pudor
se aquele meu sorriso mais verdadeiro
o que não tem medo de sorrir
só se revela perante ti
é porque te pertence
como se atado estivesse
pregado numa cruz de madeira
e assim me livrando dos males do mundo
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o que não tem medo de sorrir
só se revela perante ti
é porque te pertence
como se atado estivesse
pregado numa cruz de madeira
e assim me livrando dos males do mundo
talvez o tremor de terra cá dentro
tenha sido um mero abalo imperceptível
uma minúscula deslocação de placas tectónicas
não-platónicas
não-carnais
não-nada
talvez as ondas gigantes no meu mar
tenham sido meras ondulações invisíveis
a olho destreinado e a coração já cicatrizado
vazias vagas
vazia maré
vazio nada
talvez o abismo onde corro onde fujo
tenha sido um mero show do poço da morte
número de circo quando falhou o riso do palhaço
sem glamour
sem magia
sem nada
e do mesmo modo
talvez a terra seja um quadrado
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
tenha sido um mero abalo imperceptível
uma minúscula deslocação de placas tectónicas
não-platónicas
não-carnais
não-nada
talvez as ondas gigantes no meu mar
tenham sido meras ondulações invisíveis
a olho destreinado e a coração já cicatrizado
vazias vagas
vazia maré
vazio nada
talvez o abismo onde corro onde fujo
tenha sido um mero show do poço da morte
número de circo quando falhou o riso do palhaço
sem glamour
sem magia
sem nada
e do mesmo modo
talvez a terra seja um quadrado
este hexágono tem dois lados
o de fora e o de dentro
e o que significou cada momento
em que os lados se trocaram?
este hexágono tem dois lados
o do bem e o do mal
e por que foi afinal
que os corpos hesitaram?
este hexágono tem dois lados
tem o meu e tem o teu
e o que ficou do que se deu
o que cedeu porque se amaram?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o de fora e o de dentro
e o que significou cada momento
em que os lados se trocaram?
este hexágono tem dois lados
o do bem e o do mal
e por que foi afinal
que os corpos hesitaram?
este hexágono tem dois lados
tem o meu e tem o teu
e o que ficou do que se deu
o que cedeu porque se amaram?
quem tu viste não está lá
nunca esteve
nunca foi
e agora cansa-se de nunca ter sido outra coisa qualquer
arrepende-se
benze-se
três vezes
nas três vezes que antecedem as seis memórias
de seis beijos
e o teu cheiro
a não querer sair da pele
que ele vestiu quando era quem era
embora para ser fiel à verdade
ele deva dizer
que gostava de ter sido
que gostava de ser
quem tu viste
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
nunca esteve
nunca foi
e agora cansa-se de nunca ter sido outra coisa qualquer
arrepende-se
benze-se
três vezes
nas três vezes que antecedem as seis memórias
de seis beijos
e o teu cheiro
a não querer sair da pele
que ele vestiu quando era quem era
embora para ser fiel à verdade
ele deva dizer
que gostava de ter sido
que gostava de ser
quem tu viste
apesar das implicações
se vires bem
há sempre razões
para achar que não
e essa também é uma razão
para discutir o amor
se o desejo não tapar
o sol maior
é porque amar
é isto mesmo agora
não qualquer coisa lá fora
a discutir o amor
mas eu prometo que o podemos fazer
discutir até tudo te aborrecer
pelo menos ouço a tua voz
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
se vires bem
há sempre razões
para achar que não
e essa também é uma razão
para discutir o amor
se o desejo não tapar
o sol maior
é porque amar
é isto mesmo agora
não qualquer coisa lá fora
a discutir o amor
mas eu prometo que o podemos fazer
discutir até tudo te aborrecer
pelo menos ouço a tua voz
creio que se conseguisse perceber-te
não te poderia amar mais desta forma
quase desesperada
desesperançada
quase absoluta
e resoluta
mas hoje queria mesmo
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não te poderia amar mais desta forma
quase desesperada
desesperançada
quase absoluta
e resoluta
mas hoje queria mesmo
e havia tantas folhas espalhadas pelo chão como se um furacão de genialidade ou de frustração tivesse passado e não tivesse deixado nada como antes. mas não. eram apenas folhas caídas no chão de um quarto com uma secretária já demasiado abarrotada de folhas umas com letras pequenas outras com letras do tamanho de um aperto no coração mas todas letras minúsculas. - eu escrevi aqui o teu nome, mas onde estás agora meu amor? nesta folha algumas letras desenham o teu b.i. mas os meus olhos só lêem nelas o teu corpo. - eu sei que te escrevi, sei que foram mil trezentas e vinte e duas vezes, mas quem está a contar, eu sei que em nenhuma delas eu te tinha.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e tanto corremos atrás do outro
que se diria que esta respiração descompassada
de cada vez que nos tocamos
serve só para iludir
o fôlego de dois maratonistas
e nesta olímpica prova de fundo
restam dez mil metros ou quarenta quilómetros
até uma meta imaginária
até ao obstáculo final
que saltaremos lado a lado
e depois a volta de consagração
com o estádio de pé a aplaudir
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que se diria que esta respiração descompassada
de cada vez que nos tocamos
serve só para iludir
o fôlego de dois maratonistas
e nesta olímpica prova de fundo
restam dez mil metros ou quarenta quilómetros
até uma meta imaginária
até ao obstáculo final
que saltaremos lado a lado
e depois a volta de consagração
com o estádio de pé a aplaudir
ele caminhava para uma luz
um eventual sol nascente
num horizonte tão distante
quanto o trapézio que foge
e é tarde demais
para pararmos o nosso voo
e quando tudo se acalmava
e a tempestade se ficava
pelas promessas de desejo
de novo as chuvas
e as roupas coladas aos corpos
e novas promessas
monção/tempestade/monção/tempestade
boletins meteorológicos não são cartas de amor
e na fogueira ateada
para fazer frente a um frio inexistente
janeiro queimava como agosto
e no pescoço dela
mil fogueiras mais se acendiam
e os seus olhos brilhavam
e nada disto se passava na realidade
e nada disto acontecia
quando ele só se perguntava
- nos dias em que não me conheces
o que tenho eu de ti?
nem promessas que possas deixar por cumprir
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
um eventual sol nascente
num horizonte tão distante
quanto o trapézio que foge
e é tarde demais
para pararmos o nosso voo
e quando tudo se acalmava
e a tempestade se ficava
pelas promessas de desejo
de novo as chuvas
e as roupas coladas aos corpos
e novas promessas
monção/tempestade/monção/tempestade
boletins meteorológicos não são cartas de amor
e na fogueira ateada
para fazer frente a um frio inexistente
janeiro queimava como agosto
e no pescoço dela
mil fogueiras mais se acendiam
e os seus olhos brilhavam
e nada disto se passava na realidade
e nada disto acontecia
quando ele só se perguntava
- nos dias em que não me conheces
o que tenho eu de ti?
nem promessas que possas deixar por cumprir
invejo o vento que te despenteia
e mesmo assim te deixa perfeita
invejo a almofada em que te entregas
quando a noite oferece uma trégua
aos amantes
invejo quem te ama
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e mesmo assim te deixa perfeita
invejo a almofada em que te entregas
quando a noite oferece uma trégua
aos amantes
invejo quem te ama
cortei o cabelo
porque se não forem as tuas mãos a penteá-lo
em noites longas e quentes
ou em que o frio te enregela os dedos
não o quero tocado por mais ninguém
cortei o cabelo
porque se não o podes agarrar como quem o arranca
como quem se agarra à vida
como quem se agarra ao prazer
não o quero puxado por mais ninguém
cortei o cabelo
como fazem as meninhas que não conhecem nada
e cujo cabelo curto as engraça
na esperança de que o mundo
lhes reserve um amor quase perfeito
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
porque se não forem as tuas mãos a penteá-lo
em noites longas e quentes
ou em que o frio te enregela os dedos
não o quero tocado por mais ninguém
cortei o cabelo
porque se não o podes agarrar como quem o arranca
como quem se agarra à vida
como quem se agarra ao prazer
não o quero puxado por mais ninguém
cortei o cabelo
como fazem as meninhas que não conhecem nada
e cujo cabelo curto as engraça
na esperança de que o mundo
lhes reserve um amor quase perfeito
- beijar-te no meio de escadas monumentais
e o mundo rebentar em aplausos
- dar-te a mão numa rua qualquer
e puxar-te mais um pouco
sem gente à nossa volta na hora de ponta
- dizer-te 'meu amor' sem no segundo seguinte
fazer de conta que é uma expressão
que não te pertence só a ti
- descer até ao camões
e dizer-te "fui tão feliz aqui
mas sou-o muito mais agora"
- ver um filme que nunca quis ver
só para poder partilhar as pipocas
de que também não gosto
- mostrar-te uma cassete velha
dos python mesmo que o humor
seja para ti algo completamente diferente
- acordar-te quando a tua série começa
e amares-me só por saber qual ela é
- não ter de lutar contra as palavras
não ter de esconder os olhares
- olhar-te a toda a hora
sobretudo quando fechas os olhos
- sentir o teu cheiro na minha pele
e não apenas porque ficámos
abraçados a noite inteira
- abraçar-te toda a noite e
acordar-te de manhã
são estas as coisas de que sinto saudades
no que não chegámos a viver
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e o mundo rebentar em aplausos
- dar-te a mão numa rua qualquer
e puxar-te mais um pouco
sem gente à nossa volta na hora de ponta
- dizer-te 'meu amor' sem no segundo seguinte
fazer de conta que é uma expressão
que não te pertence só a ti
- descer até ao camões
e dizer-te "fui tão feliz aqui
mas sou-o muito mais agora"
- ver um filme que nunca quis ver
só para poder partilhar as pipocas
de que também não gosto
- mostrar-te uma cassete velha
dos python mesmo que o humor
seja para ti algo completamente diferente
- acordar-te quando a tua série começa
e amares-me só por saber qual ela é
- não ter de lutar contra as palavras
não ter de esconder os olhares
- olhar-te a toda a hora
sobretudo quando fechas os olhos
- sentir o teu cheiro na minha pele
e não apenas porque ficámos
abraçados a noite inteira
- abraçar-te toda a noite e
acordar-te de manhã
são estas as coisas de que sinto saudades
no que não chegámos a viver
a tua boca é um veneno
quando entra nos meus sonhos sem me avisar
quando usa um engodo de que eu faço de conta não desconfiar
a tua boca é a luz do dia e o luar
quando diz tudo sem nada dizer
quando faz tudo o que eu lhe digo para fazer
a tua boca é um veneno
e um antídoto na mesma e exacta proporção
talvez desejo ou amor ou talvez a boca de incêndio do coração
a tua boca é lógica sem razão
quando me acorda quando me deita
e me adormece numa rotina mais-que-perfeita
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quando entra nos meus sonhos sem me avisar
quando usa um engodo de que eu faço de conta não desconfiar
a tua boca é a luz do dia e o luar
quando diz tudo sem nada dizer
quando faz tudo o que eu lhe digo para fazer
a tua boca é um veneno
e um antídoto na mesma e exacta proporção
talvez desejo ou amor ou talvez a boca de incêndio do coração
a tua boca é lógica sem razão
quando me acorda quando me deita
e me adormece numa rotina mais-que-perfeita
ando tão à flor da pele
que qualquer cheiro a primavera me faz chorar
qualquer amor impossível de novela me faz mudar
de canal e escolher um botão qualquer do telecomando
que é de mim no meu próprio desmando?
que é de ti?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que qualquer cheiro a primavera me faz chorar
qualquer amor impossível de novela me faz mudar
de canal e escolher um botão qualquer do telecomando
que é de mim no meu próprio desmando?
que é de ti?
brigava por um beijo teu
por todos os beijos teus
por todos os beijos meus
que desses sem brigar
mesmo que dissesse
não brigo não critico
mas não fico calado
se não fugires de mim
só cinco centímetros
só mais cinco segundos
não brinco quando digo
que brigo e que beijo
não digo quando brinco
não brigo quando chamo
por ti quando te beijo
e por isso amo-te sim
amo-te não amo-te mais
amo-te ao dizer não
e ao dizer sempre
ao escutar a música
este amor quando dança
não sabe dançar só brinca
só sabe brincar porque
só sabe fingir que quer brigar
quando quer beijar
só mais cinco segundos
de tempo infinito
só cinco mil séculos
a sério sem brincar
sem fugir sem brigar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
por todos os beijos teus
por todos os beijos meus
que desses sem brigar
mesmo que dissesse
não brigo não critico
mas não fico calado
se não fugires de mim
só cinco centímetros
só mais cinco segundos
não brinco quando digo
que brigo e que beijo
não digo quando brinco
não brigo quando chamo
por ti quando te beijo
e por isso amo-te sim
amo-te não amo-te mais
amo-te ao dizer não
e ao dizer sempre
ao escutar a música
este amor quando dança
não sabe dançar só brinca
só sabe brincar porque
só sabe fingir que quer brigar
quando quer beijar
só mais cinco segundos
de tempo infinito
só cinco mil séculos
a sério sem brincar
sem fugir sem brigar
para ser verdadeiro
não eram coisas doces que lhe passavam pela cabeça
nem sussurros os sons que ele afogava mordendo os lábios que ela não beijava
eram gritos de mágoa e desejo e paixão e raiva
eram facas verbais afiadas
eram armas brancas escondidas
contrabandeadas no aeroporto do amor
eram balas de alto calibre
em armas prontas a disparar à menor provocação
como lágrimas prestes a cair de riso ou de dor
eram farpas enfeitadas com letras
que ele espetaria em si mesmo
para ver sangrar frases que não diria de outra forma
aaaaaahhhhhhh!
- vou atar-me a ti
só nós dois e esta corda
antes usada desta forma do que de outra solitária
vou atar-me a ti
não é fácil livrares-te de mim
porque quando eu respiro
inspiro-te a ti
e eu vou atar-me a ti
dominar-te
para depois te suplicar
não me deixes!
dói demais
e para não ser fácil livrares-te de mim
eu vou atar-me a ti
e vou atar as tuas mãos
e tapar a tua boca
até que digas que me lamberás as feridas
até que digas
- encosta a tua cabeça no meu colo
para eu te morder o pescoço até sangrares de desejo
para eu te arrancar os cabelos com os dentes
não é fácil livrares-te de mim
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não eram coisas doces que lhe passavam pela cabeça
nem sussurros os sons que ele afogava mordendo os lábios que ela não beijava
eram gritos de mágoa e desejo e paixão e raiva
eram facas verbais afiadas
eram armas brancas escondidas
contrabandeadas no aeroporto do amor
eram balas de alto calibre
em armas prontas a disparar à menor provocação
como lágrimas prestes a cair de riso ou de dor
eram farpas enfeitadas com letras
que ele espetaria em si mesmo
para ver sangrar frases que não diria de outra forma
aaaaaahhhhhhh!
- vou atar-me a ti
só nós dois e esta corda
antes usada desta forma do que de outra solitária
vou atar-me a ti
não é fácil livrares-te de mim
porque quando eu respiro
inspiro-te a ti
e eu vou atar-me a ti
dominar-te
para depois te suplicar
não me deixes!
dói demais
e para não ser fácil livrares-te de mim
eu vou atar-me a ti
e vou atar as tuas mãos
e tapar a tua boca
até que digas que me lamberás as feridas
até que digas
- encosta a tua cabeça no meu colo
para eu te morder o pescoço até sangrares de desejo
para eu te arrancar os cabelos com os dentes
não é fácil livrares-te de mim
tento escolher as palavras
quais pesarás mais
a quais darás atenção
mesmo que eu queira que leias a palavra que está ao lado
e essa de que não te consegues desligar
seja só uma passagem
um ponto de apoio para um salto
do tamanho de um buraco no coração
mas todas as palavras pesam mil toneladas
mesmo as mais leves
mesmo aquelas que me disseste e me fizeram voar
todas as palavras são o mundo inteiro nos meus ombros
porque são só palavras
e de palavras nunca se fizeram os beijos que mudam o mundo
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quais pesarás mais
a quais darás atenção
mesmo que eu queira que leias a palavra que está ao lado
e essa de que não te consegues desligar
seja só uma passagem
um ponto de apoio para um salto
do tamanho de um buraco no coração
mas todas as palavras pesam mil toneladas
mesmo as mais leves
mesmo aquelas que me disseste e me fizeram voar
todas as palavras são o mundo inteiro nos meus ombros
porque são só palavras
e de palavras nunca se fizeram os beijos que mudam o mundo
eu hei-de amar uma pedra
ou outra coisa qualquer sem vida
que não me deixe extenuado
por tanto ter de correr
um objecto inanimado
e por isso imóvel
é fácil amarmos objectos
o capitalismo dá-nos cobertura
e o consumismo a oportunidade
por isso talvez venha antes a amar um sofá
um sofá não - assim acabaria por certo
a pensar que podias estar ali comigo
as tuas mãos no meu cabelo
e eu tão cansado e ao mesmo tempo
tão desejoso de correr atrás de ti
não vou amar uma pedra nem um sofá
talvez um espelho
onde possa olhar-me e quem sabe
amar-me a mim
se conseguir ultrapassar o facto
de te ver nos meus olhos
não deve ser difícil
primeiro só tenho de te tirar da minha pele
não não uma pedra nem um sofá nem um espelho
onde não estás para que eu possa amar
sem amar-te?
eu hei-de amar uma pedra
se amar conseguir sem que me devolvas o coração
eu hei-de amar um livro
onde possa escrever que te amo
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
ou outra coisa qualquer sem vida
que não me deixe extenuado
por tanto ter de correr
um objecto inanimado
e por isso imóvel
é fácil amarmos objectos
o capitalismo dá-nos cobertura
e o consumismo a oportunidade
por isso talvez venha antes a amar um sofá
um sofá não - assim acabaria por certo
a pensar que podias estar ali comigo
as tuas mãos no meu cabelo
e eu tão cansado e ao mesmo tempo
tão desejoso de correr atrás de ti
não vou amar uma pedra nem um sofá
talvez um espelho
onde possa olhar-me e quem sabe
amar-me a mim
se conseguir ultrapassar o facto
de te ver nos meus olhos
não deve ser difícil
primeiro só tenho de te tirar da minha pele
não não uma pedra nem um sofá nem um espelho
onde não estás para que eu possa amar
sem amar-te?
eu hei-de amar uma pedra
se amar conseguir sem que me devolvas o coração
eu hei-de amar um livro
onde possa escrever que te amo
não reconheço a forma como tocam
o que dizem
os sinos que não abandonam a minha cabeça
que saem e voltam a entrar pelos meus ouvidos
que me impedem de escutar as palavras à minha volta
o que dizem
porque tocam?
porque não me largam?
mas
não há sinos no meu sonho onde entras
só aí
os sinos não dobram por ninguém
a não ser por dois corações
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o que dizem
os sinos que não abandonam a minha cabeça
que saem e voltam a entrar pelos meus ouvidos
que me impedem de escutar as palavras à minha volta
o que dizem
porque tocam?
porque não me largam?
mas
não há sinos no meu sonho onde entras
só aí
os sinos não dobram por ninguém
a não ser por dois corações
se uma frase fica suspensa no ar sem que a sustentes entre um antes e um depois qualquer cuja forma não importa como não hei-de perguntar-me se é minha a frase seguinte que queres ouvir. mas leis caem de inconstitucionalidade e ditaduras formam-se e morrem os famintos em áfrica e há tanto mal no mundo e eu aqui preocupado com a frase que não sustentaste entre um antes e um depois que eu nem sei como devem ser. entretanto já mais uma loja tradicional fechou já mais uma família se questionou já mais uma arma foi comprada por um adolescente enamorado de si mesmo e eu aqui sem saber se me amas como eu te amo se me queres como eu te quero como um assassino quer escapar da polícia que o persegue e tu que mataste a minha liberdade de amar que me fizeste só teu e eu sem saber se tu...
e se eu te dissesse
chega já
e se eu levantasse a minha voz e do fundo de uma coragem inédita gritasse
chega não quero mais
e se eu mentisse como tantas vezes me disse que precisava de mentir como tantas vezes me convenci de que seria melhor esconder a verdade para não ter mais de sentir o coração a descompassar-se de si mesmo como um comboio que foge da linha um carro em contra-mão na auto-estrada um animal perdido na cidade ou um prédio que cai em cima dos destroços de mais um coração partido que alguém encontrará nos escombros sem saber a quem pertence. e se eu mentisse amor só para saber se essa mentira te faria recolher setecentas e cinquenta mil assinaturas num abaixo-assinado para que eu não promulgasse decreto-lei algum em que me afastasse de ti. só para saber se farias por mim manifestações e greves e eu quero uma greve de fome pelo meu amor é pedir-te demais que pelo menos coles um cartaz no meu peito que é de pedra para todos menos para ti. um cartaz em que o meu nome e o teu saibam rimar.
mas eu não sei o que faria se agora não estivesse aqui sentado a pensar no que fazes a esta hora se não estivesse aqui morrendo lentamente por saber o que fazes. e eu não sei o que faria se não pensasse em ti quando acordo e não pensasse em ti quando me deito e não pensasse em ti neste minuto e no minuto seguinte e no próximo segundo e nos centésimos e milésimos todos eu não sei o que faria porque a minha imaginação foi substituída pela esperança de não precisar de te imaginar para te ter comigo. e sim há golpes de estado e incêndios neste início do verão e tráfico nas prisões e tráfico nas escolas mas ninguém me pergunta se quero uma dose pura de ti.
porque foste embora sem me dizer se estava absolvido do crime que todos os dias cometo de não te dizer a falta que me fazes. porque me deixas ciclicamente sem saber se fui condenado a trabalhos forçados para merecer o teu amor ou se apenas me abandonaste no meio do deserto como pena máxima de um crime que eu nem sei qual é. porque me fazes protestar com as notícias de raptos de crianças e contra um estado big brother e contra o imperialismo norte-americano e contra os hospitais que fecham e as maternidades e as escolas e as ilusões de que me amas. caramba porque não me deixas esconder que vou precisar de ti até ao fim? só te sei amar no meio da confusão do mundo irritado com a loucura do mundo frustrado com a inutilidade do mundo apaixonado por um mundo que me trouxe até ti. mesmo não sabendo onde estás.
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e se eu te dissesse
chega já
e se eu levantasse a minha voz e do fundo de uma coragem inédita gritasse
chega não quero mais
e se eu mentisse como tantas vezes me disse que precisava de mentir como tantas vezes me convenci de que seria melhor esconder a verdade para não ter mais de sentir o coração a descompassar-se de si mesmo como um comboio que foge da linha um carro em contra-mão na auto-estrada um animal perdido na cidade ou um prédio que cai em cima dos destroços de mais um coração partido que alguém encontrará nos escombros sem saber a quem pertence. e se eu mentisse amor só para saber se essa mentira te faria recolher setecentas e cinquenta mil assinaturas num abaixo-assinado para que eu não promulgasse decreto-lei algum em que me afastasse de ti. só para saber se farias por mim manifestações e greves e eu quero uma greve de fome pelo meu amor é pedir-te demais que pelo menos coles um cartaz no meu peito que é de pedra para todos menos para ti. um cartaz em que o meu nome e o teu saibam rimar.
mas eu não sei o que faria se agora não estivesse aqui sentado a pensar no que fazes a esta hora se não estivesse aqui morrendo lentamente por saber o que fazes. e eu não sei o que faria se não pensasse em ti quando acordo e não pensasse em ti quando me deito e não pensasse em ti neste minuto e no minuto seguinte e no próximo segundo e nos centésimos e milésimos todos eu não sei o que faria porque a minha imaginação foi substituída pela esperança de não precisar de te imaginar para te ter comigo. e sim há golpes de estado e incêndios neste início do verão e tráfico nas prisões e tráfico nas escolas mas ninguém me pergunta se quero uma dose pura de ti.
porque foste embora sem me dizer se estava absolvido do crime que todos os dias cometo de não te dizer a falta que me fazes. porque me deixas ciclicamente sem saber se fui condenado a trabalhos forçados para merecer o teu amor ou se apenas me abandonaste no meio do deserto como pena máxima de um crime que eu nem sei qual é. porque me fazes protestar com as notícias de raptos de crianças e contra um estado big brother e contra o imperialismo norte-americano e contra os hospitais que fecham e as maternidades e as escolas e as ilusões de que me amas. caramba porque não me deixas esconder que vou precisar de ti até ao fim? só te sei amar no meio da confusão do mundo irritado com a loucura do mundo frustrado com a inutilidade do mundo apaixonado por um mundo que me trouxe até ti. mesmo não sabendo onde estás.
foi nas minhas noites sem sono que eu descobri
que os meus sonhos acordados sempre me levam
para uma noite em que te ouvi chamar-me
sem que nenhum de nós soubesse porque isso acontecia
e não te deixes enganar pela noite / não tenhas medo de cair
foi em dias de uma realidade não calendarizada
que o calendário voltou atrás cem ou mil anos
para um dia em que te senti na minha boca
sem que nenhum de nós soubesse como ali chegáramos
e não te deixes enganar pelo dia / não tenhas medo de cair
e se ainda não nos perdemos e se ainda não pagámos
o preço de não nos termos perdido
não nos vamos deixar enganar
pelo riso irónico da noite
pela omnisciência do dia
não vamos ter medo de cair
pois que venham horas de clarividência absoluta
com os erros apagados da memória
não nos vamos deixar enganar
não vamos ter medo de cair
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que os meus sonhos acordados sempre me levam
para uma noite em que te ouvi chamar-me
sem que nenhum de nós soubesse porque isso acontecia
e não te deixes enganar pela noite / não tenhas medo de cair
foi em dias de uma realidade não calendarizada
que o calendário voltou atrás cem ou mil anos
para um dia em que te senti na minha boca
sem que nenhum de nós soubesse como ali chegáramos
e não te deixes enganar pelo dia / não tenhas medo de cair
e se ainda não nos perdemos e se ainda não pagámos
o preço de não nos termos perdido
não nos vamos deixar enganar
pelo riso irónico da noite
pela omnisciência do dia
não vamos ter medo de cair
pois que venham horas de clarividência absoluta
com os erros apagados da memória
não nos vamos deixar enganar
não vamos ter medo de cair
como se não conhecesse a voz de mais ninguém como se mais nenhuma voz ultrapassasse as barreiras do som e da distância como se mais nenhuma voz existisse. como se os prédios implodissem e eu não ouvisse senão um sussurro que é teu límpido cristalino e com o meu nome escrito em todas as paredes antes de pé. como se o rádio tocasse alto e mais alto e cada vez mais alto e de tão ensurdecedor só me chegassem em decibéis que me acalmam frases tuas como almofadas onde me deito para descansar. como se os aviões partissem sem fazer da despedida uma dolorosa sinfonia de gritos graves e em vez disso fosses tu a abandonar o avião em pleno voo só para me falar ao ouvido.
e tu também me ouves em alta fidelidade?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e tu também me ouves em alta fidelidade?
foi quando ele disse:
deixa lá acontecer o que tem de acontecer
não haveremos de morrer antes de morrermos
de riso de prazer
deixa-te lá conduzir sem usar os travões
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
deixa lá acontecer o que tem de acontecer
não haveremos de morrer antes de morrermos
de riso de prazer
deixa-te lá conduzir sem usar os travões
amor,
se achas que vieste para ser meu coveiro
eu já não tenho medo de nada do que vejo
o amor veio antes de tu chegares
talvez por coincidência
mas foi o que bastou para me mudar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
se achas que vieste para ser meu coveiro
eu já não tenho medo de nada do que vejo
o amor veio antes de tu chegares
talvez por coincidência
mas foi o que bastou para me mudar
atira-me a palavra mais absurda
a mais ridícula
diz-me a palavra que nunca pensaste dizer
uma que te deixe nua
mesmo que não a sintas
escreve-me a palavra mais tonta
e tão patética
grita-me a palavra que tens dentro de ti
mas nunca libertaste
mesmo que seja mentira
indica-me a palavra mais paradoxal
e mais coerente
mostra-me a palavra que não disseste nunca
aquela que é só minha
mesmo que me enganes
usa a palavra que cava mais fundo do que todas as outras
usa-a comigo
mesmo que não a sintas tua
usa-a comigo
mas só se a sentires tua
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
a mais ridícula
diz-me a palavra que nunca pensaste dizer
uma que te deixe nua
mesmo que não a sintas
escreve-me a palavra mais tonta
e tão patética
grita-me a palavra que tens dentro de ti
mas nunca libertaste
mesmo que seja mentira
indica-me a palavra mais paradoxal
e mais coerente
mostra-me a palavra que não disseste nunca
aquela que é só minha
mesmo que me enganes
usa a palavra que cava mais fundo do que todas as outras
usa-a comigo
mesmo que não a sintas tua
usa-a comigo
mas só se a sentires tua
é o meu peito aberto demasiadas vezes que se abre de novo sempre que o cérebro se deixa fintar e do coração recebe directa a informação 'talvez ela o ame mesmo' trocando as voltas ao lado direito e ao lado esquerdo qual hemisfério cerebral comanda a minha vida em que hemisfério podemos ser um só?
é a quase morte de um coração que talvez por saber da trapaça que leva a cabo se acelera se contorce e quase dói e tanto dói e tanto corre e tanto sente que se acelerar mais um pouco talvez rebente antes de ter tempo de saber se aquela frase assassina que fez divulgar é só uma manchete sensacionalista.
ainda rebentas dentro de mim mais um pouco todos os dias todos os segundos.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
é a quase morte de um coração que talvez por saber da trapaça que leva a cabo se acelera se contorce e quase dói e tanto dói e tanto corre e tanto sente que se acelerar mais um pouco talvez rebente antes de ter tempo de saber se aquela frase assassina que fez divulgar é só uma manchete sensacionalista.
ainda rebentas dentro de mim mais um pouco todos os dias todos os segundos.
só depois de passarmos a portagem
é que vamos saber se vale a pena
suportar essa taxa
suportar essa angústia de não saber
onde nos leva aquela estrada
apesar das placas que nos gritam direcções
mas não nos esclarecem sobre o destino
só depois de passarmos a portagem
é que vamos fazer as contas
ao que trocámos
ao quanto nos destrocámos em quantos
ao que fomos e onde estivemos
e desdobrando a equação felicidade/preço
saber o preço que custou querer ser feliz
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
é que vamos saber se vale a pena
suportar essa taxa
suportar essa angústia de não saber
onde nos leva aquela estrada
apesar das placas que nos gritam direcções
mas não nos esclarecem sobre o destino
só depois de passarmos a portagem
é que vamos fazer as contas
ao que trocámos
ao quanto nos destrocámos em quantos
ao que fomos e onde estivemos
e desdobrando a equação felicidade/preço
saber o preço que custou querer ser feliz
há dias que passam arrastando-se penosamente como quem quase morre de sede na busca de água. há dias em que a vida parece que nos mata não dando uma razão uma esperança um sinal não nos dando uma mão estendida onde foram escritas palavras como 'amor'. há dias em que esperamos o dia inteiro por um abraço mesmo que virtual mesmo que imaginado que nos devolva a outros abraços bem reais a outras horas a outras vidas a outras peles em que nos sentimos bem mais confortáveis. há dias de sol em que a chuva insiste em cair em que o tom cinzento do dia que vivemos cá dentro não foi previsto em nenhum boletim meteorológico. há dias que são só uma vírgula escrita dolorosamente numa frase por completar que pode ficar assim para sempre ou pode terminar como as estórias de princesas. há dias em que não sabemos se ela vive outros dias completamente diferentes sem vontade de dias que não sejam assim. há dias que são sextas-feiras do primeiro ao último segundo.
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
digo que não me vendo
digo que não mudarei ou deixarei de mudar
digo que não acredito
digo que penso
digo que digo o que penso
(e digo que não me calo)
digo que penso o que escrevo
digo que sinto
digo que faço
digo que avanço
digo que não me canso
digo que não me rendo
digo que não me vendo
digo que não te esqueço
digo que nunca te esquecerei
e só isso é a verdade
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
digo que não mudarei ou deixarei de mudar
digo que não acredito
digo que penso
digo que digo o que penso
(e digo que não me calo)
digo que penso o que escrevo
digo que sinto
digo que faço
digo que avanço
digo que não me canso
digo que não me rendo
digo que não me vendo
digo que não te esqueço
digo que nunca te esquecerei
e só isso é a verdade
nem uma marca deixaste no meu corpo
nem um arranhão na pele
nem um vestígio da tua passagem física por mim
marcas a hora e o local?
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
nem um arranhão na pele
nem um vestígio da tua passagem física por mim
marcas a hora e o local?
faz-me falta a chuva
agosto e a noite cega
na cidade a acordar para outra coisa qualquer
que não a rotina de um dia quente
e a lua testemunha ou vítima
a chuva fria serão lágrimas
talvez fossem lágrimas
talvez fosse o suor
ou talvez fosse o sangue
a escorrer por um corpo solitário
que se entrega a outra coisa qualquer
que não a rotina
que abraça a chuva fria
- talvez fossem lágrimas -
que agradece a chuva fria
faz-me falta a chuva
sentir-te nas gotas de chuva
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
agosto e a noite cega
na cidade a acordar para outra coisa qualquer
que não a rotina de um dia quente
e a lua testemunha ou vítima
a chuva fria serão lágrimas
talvez fossem lágrimas
talvez fosse o suor
ou talvez fosse o sangue
a escorrer por um corpo solitário
que se entrega a outra coisa qualquer
que não a rotina
que abraça a chuva fria
- talvez fossem lágrimas -
que agradece a chuva fria
faz-me falta a chuva
sentir-te nas gotas de chuva
se do outro lado da linha
há as meninas das fotocópias
ou as meninas do café
ou as meninas da conversa de corredor
ou as meninas do bom dia
ou os meninos de outra coisa qualquer
ou os meninos
então eu estarei deste lado
gritando
- ei, não me ouves, não me vês aqui
ao teu lado?
- ei, não achas que mereço a tua atenção
sem interrupções?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
há as meninas das fotocópias
ou as meninas do café
ou as meninas da conversa de corredor
ou as meninas do bom dia
ou os meninos de outra coisa qualquer
ou os meninos
então eu estarei deste lado
gritando
- ei, não me ouves, não me vês aqui
ao teu lado?
- ei, não achas que mereço a tua atenção
sem interrupções?
quero a rotina
repetir as mesmas coisas
as mesmas acções
as mesmas frases
os mesmos lugares
as mesmas canções
os mesmos filmes
quero a rotina
se me repetir contigo
se as palavras te pertencerem
se estiver onde estás
se fôr a tua música
se me beijares quando a tela anunciar "the end"
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
repetir as mesmas coisas
as mesmas acções
as mesmas frases
os mesmos lugares
as mesmas canções
os mesmos filmes
quero a rotina
se me repetir contigo
se as palavras te pertencerem
se estiver onde estás
se fôr a tua música
se me beijares quando a tela anunciar "the end"
quantas tardes acabaram contigo a desejar que não tivesse ido embora
e quantas me quiseste fora da tua vida?
quantas tardes esperaste por mim e me odiaste por não ter aparecido
e quantas me detestaste por estar ali?
quantas tardes souberam a anos e os minutos a mil beijos por segundo
e quantas souberam a fel na tua boca?
quantas tardes ainda pensas que valeu tudo a pena e que ainda vale
e quantas são de novo outros lábios?
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e quantas me quiseste fora da tua vida?
quantas tardes esperaste por mim e me odiaste por não ter aparecido
e quantas me detestaste por estar ali?
quantas tardes souberam a anos e os minutos a mil beijos por segundo
e quantas souberam a fel na tua boca?
quantas tardes ainda pensas que valeu tudo a pena e que ainda vale
e quantas são de novo outros lábios?
lembrei-me agora que criavas as tuas próprias regras. não daquelas que inventas a cada minuto que passa só para o mundo se transformar naquilo que tu queres mas regras que me assentavam só a mim que só eu devia obedecer. e à medida que essas regras passam à frente dos meus olhos em retrospectiva desejo-as reais agora e aqui. não porque me agradem as imposições mas porque sempre acabávamos por as ignorar.
faz-me falta quebrar as regras contigo. faz-me falta ter-te a inventar regras com toda a concentração deste mundo quando ambos sabíamos que elas estavam condenadas ao fracasso. joga comigo outra vez a esse jogo infantil a esse faz-de-conta que era um faz-de-conta que não te amo que preferia que não tivesses vindo que quero que vás embora. faz de conta que este beijo não foi um beijo nem o beijo que se seguiu.
faz de conta que queremos essa regra de há cinco minutos atrás. o que é que não posso fazer? onde é que não posso tocar? o que é que não te posso dizer? deixa-me responder a esta: não te posso dizer que só contigo esqueço as regras não te posso dizer que não estou a jogar. não te posso dizer que na próxima década ainda vou sentir a falta das tuas regras que não eram para levar a sério.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
faz-me falta quebrar as regras contigo. faz-me falta ter-te a inventar regras com toda a concentração deste mundo quando ambos sabíamos que elas estavam condenadas ao fracasso. joga comigo outra vez a esse jogo infantil a esse faz-de-conta que era um faz-de-conta que não te amo que preferia que não tivesses vindo que quero que vás embora. faz de conta que este beijo não foi um beijo nem o beijo que se seguiu.
faz de conta que queremos essa regra de há cinco minutos atrás. o que é que não posso fazer? onde é que não posso tocar? o que é que não te posso dizer? deixa-me responder a esta: não te posso dizer que só contigo esqueço as regras não te posso dizer que não estou a jogar. não te posso dizer que na próxima década ainda vou sentir a falta das tuas regras que não eram para levar a sério.
eu hoje quis dizer-te todas as coisas parvas
que diz quem está apaixonado
todos os
- não sei viver sem ti
- estás dentro de mim
e até usar a palavra 'coração'
ser absolutamente patético
e absurdamente feliz
por te confessar
- é por ti que bate o meu coração
- ensinaste o meu coração a bater
e quando me julguei já curado da vontade de ser ridículo
apeteceu-me mais
ser absolutamente descuidado
arriscando uns quantos
- vou amar-te para sempre
ou
- não sei o que fazer de mim se te perder
e foi por muito pouco que contive o impulso
de parar a corrida do dia
para arrancar um malmequer da terra
e lhe perguntar
- bem-me-quer? mal-me-quer?
- bem-me-queres? até quando?
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que diz quem está apaixonado
todos os
- não sei viver sem ti
- estás dentro de mim
e até usar a palavra 'coração'
ser absolutamente patético
e absurdamente feliz
por te confessar
- é por ti que bate o meu coração
- ensinaste o meu coração a bater
e quando me julguei já curado da vontade de ser ridículo
apeteceu-me mais
ser absolutamente descuidado
arriscando uns quantos
- vou amar-te para sempre
ou
- não sei o que fazer de mim se te perder
e foi por muito pouco que contive o impulso
de parar a corrida do dia
para arrancar um malmequer da terra
e lhe perguntar
- bem-me-quer? mal-me-quer?
- bem-me-queres? até quando?
já pensaste em contar todas as vezes que te escrevi
já alguma vez pensaste ter coragem para perder 2 351 dias nesse exercício
afinal inútil porque eu te poderia dizer quantas foram
- menos 2 351 do que as que restam antes das 2 351 que antecedem as 2 351
que sempre levarei a escrever-te
e já pensaste em adivinhar todas as vezes que pensei em ti
queres tentar multiplicar 2 351 pelos dias que já passaram
muito bem podes fazê-lo mas advirto já para a inutilidade dessa equação
- eu pensei em ti 2 351 vezes mais do que a soma de todos os dias
que levo de amar-te multiplicados 2 351 vezes
e imaginas sequer todas as vezes em que te senti
perto tão perto tão dentro de mim e eu tão perto tão dentro de ti
que 2 351 tremores me atiraram 2 351 vezes para os teus lábios
- eu sei que te tenho em cada uma das 2 351 horas
em que sinto a tua falta em cada dia
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
já alguma vez pensaste ter coragem para perder 2 351 dias nesse exercício
afinal inútil porque eu te poderia dizer quantas foram
- menos 2 351 do que as que restam antes das 2 351 que antecedem as 2 351
que sempre levarei a escrever-te
e já pensaste em adivinhar todas as vezes que pensei em ti
queres tentar multiplicar 2 351 pelos dias que já passaram
muito bem podes fazê-lo mas advirto já para a inutilidade dessa equação
- eu pensei em ti 2 351 vezes mais do que a soma de todos os dias
que levo de amar-te multiplicados 2 351 vezes
e imaginas sequer todas as vezes em que te senti
perto tão perto tão dentro de mim e eu tão perto tão dentro de ti
que 2 351 tremores me atiraram 2 351 vezes para os teus lábios
- eu sei que te tenho em cada uma das 2 351 horas
em que sinto a tua falta em cada dia
vou tentar ser claro:
sem ti
não pode haver
sentido
porque semtido não é palavra que exista
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
sem ti
não pode haver
sentido
porque semtido não é palavra que exista
o que eu te digo é que nunca pensei muito no que escrevia. ainda no liceu entre os jogos de futebol e os encontros mais ou menos desastrosos com as raparigas os meus cadernos estavam cheios de palavras de agustina ou de sócrates ou de contas complicadas que para minha surpresa continham letras e por isso outras letras não sobravam para palavras minhas.
mas quando tentei descobrir a minha voz encontrei-a numa velha folha a4 em quarenta e tal linhas quase todas preenchidas com certezas absolutas - as certezas só são absolutas aos quinze anos. e dei-me todo a outras folhas e a mais pedaços de papel de tal forma que quando cheguei ao fim da adolescência tinha chegado ao fim de mim mesmo.
as palavras pararam de nascer.
e no meio de uma folha em branco eu esperei que chegasse aquilo a que chamavam
- a glória do amor
esqueci os livros. porque num bom livro essa glória chega só nas últimas páginas e isto quando chega. mais imediatamente as canções me falaram dessa tal coisa
- a glória do amor
e eu fiquei a escutar mas ainda numa folha por usar.
e quando as palavras voltaram quando todas as folhas em ambas as páginas e todos os pedaços de papel e todas as árvores e todas as carteiras da escola quando as palavras voltaram foi porque ela tinha chegado. ela
- a glória do amor
ela que era mulher que eu nunca sonhara amar é que me falava afinal disso a que chamam
- a glória do amor.
mas mesmo aí nunca pensei muito no que escrevia. acho que escrevi vezes demais que a amava e acho que havia demasiadas lágrimas disfarçadas de vírgulas e por isso as deixei de usar. a minha pontuação passou a ser o estremecer do meu peito.
e ainda hoje é ela que eu tento esconder em frases demasiado longas ou estórias demasiado rebuscadas ou metáforas de sucesso duvidoso. é ela que me faz pensar no que escrevo. é ela que é
- a glória do amor.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
mas quando tentei descobrir a minha voz encontrei-a numa velha folha a4 em quarenta e tal linhas quase todas preenchidas com certezas absolutas - as certezas só são absolutas aos quinze anos. e dei-me todo a outras folhas e a mais pedaços de papel de tal forma que quando cheguei ao fim da adolescência tinha chegado ao fim de mim mesmo.
as palavras pararam de nascer.
e no meio de uma folha em branco eu esperei que chegasse aquilo a que chamavam
- a glória do amor
esqueci os livros. porque num bom livro essa glória chega só nas últimas páginas e isto quando chega. mais imediatamente as canções me falaram dessa tal coisa
- a glória do amor
e eu fiquei a escutar mas ainda numa folha por usar.
e quando as palavras voltaram quando todas as folhas em ambas as páginas e todos os pedaços de papel e todas as árvores e todas as carteiras da escola quando as palavras voltaram foi porque ela tinha chegado. ela
- a glória do amor
ela que era mulher que eu nunca sonhara amar é que me falava afinal disso a que chamam
- a glória do amor.
mas mesmo aí nunca pensei muito no que escrevia. acho que escrevi vezes demais que a amava e acho que havia demasiadas lágrimas disfarçadas de vírgulas e por isso as deixei de usar. a minha pontuação passou a ser o estremecer do meu peito.
e ainda hoje é ela que eu tento esconder em frases demasiado longas ou estórias demasiado rebuscadas ou metáforas de sucesso duvidoso. é ela que me faz pensar no que escrevo. é ela que é
- a glória do amor.
sabes?
começa sempre ao nascer do dia
como se os meus olhos tristes te vissem
e eu te sentisse respirar
amor, preciso que me digas para levantar
sabes?
eu ainda não larguei a tua boca
e eu ainda não esqueci ao que tu sabes
desde o primeiro beijo
amor, preciso que me fales do desejo
sabes?
não acaba nunca no fim do dia
um lençol que me cobre os olhos tristes
não me deixa gritar
amor, preciso que me digas para te amar
3 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
começa sempre ao nascer do dia
como se os meus olhos tristes te vissem
e eu te sentisse respirar
amor, preciso que me digas para levantar
sabes?
eu ainda não larguei a tua boca
e eu ainda não esqueci ao que tu sabes
desde o primeiro beijo
amor, preciso que me fales do desejo
sabes?
não acaba nunca no fim do dia
um lençol que me cobre os olhos tristes
não me deixa gritar
amor, preciso que me digas para te amar
creio que choviam estilhaços de vidro
quando arregacei as minhas mangas como quem diz
- vamos à luta
nos meus braços desprotegidos milhares de reflexos da lua
e eram dois braços de areia rodeando o mar
as imagens que passavam
(vidro e areia como no princípio do cinema)
eram memórias de ti
memórias de memórias de ti numa tarde em que chovia
e não eram pedaços de luz reflectida
eram gotas frias e pedras de saudade
e acho que era uma noite qualquer de quarta-feira
como esta
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quando arregacei as minhas mangas como quem diz
- vamos à luta
nos meus braços desprotegidos milhares de reflexos da lua
e eram dois braços de areia rodeando o mar
as imagens que passavam
(vidro e areia como no princípio do cinema)
eram memórias de ti
memórias de memórias de ti numa tarde em que chovia
e não eram pedaços de luz reflectida
eram gotas frias e pedras de saudade
e acho que era uma noite qualquer de quarta-feira
como esta
não acredito que me peças uma razão válida
para me deixares entrar no teu quarto
aliás acho muito mais verosímil
que me esperes à tua porta
olhando para o relógio
e que a única coisa que me perguntes depois de me beijar
seja por que demorei tanto tempo
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
para me deixares entrar no teu quarto
aliás acho muito mais verosímil
que me esperes à tua porta
olhando para o relógio
e que a única coisa que me perguntes depois de me beijar
seja por que demorei tanto tempo
uma dor assim
que faz melhor quando dói mais
não se explica nem se descreve
sente-se e sente-se vontade de voltar a sentir
uma dor assim
rompe o peito mais duas vezes
antes de se fanar na esperança
de nunca a perder e perder simultaneamente
uma dor assim
faz jurar e abjurar infinitamente
dizer que sim e dizer que nunca
querer dizer mais uma vez “dói-me de novo”
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que faz melhor quando dói mais
não se explica nem se descreve
sente-se e sente-se vontade de voltar a sentir
uma dor assim
rompe o peito mais duas vezes
antes de se fanar na esperança
de nunca a perder e perder simultaneamente
uma dor assim
faz jurar e abjurar infinitamente
dizer que sim e dizer que nunca
querer dizer mais uma vez “dói-me de novo”
olhar para o lado e ver
- este braço não é o meu braço
e ser afinal o teu
e o teu ombro
e a minha cabeça nele deitada
- esta cama não é a minha cama
e ser afinal a tua
e a tua respiração
trazendo-me memórias da noite
- este é o meu pulso
aberto por mim mais uma vez
para escrever em letras maiúsculas
afinal
sempre chegámos aqui
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
- este braço não é o meu braço
e ser afinal o teu
e o teu ombro
e a minha cabeça nele deitada
- esta cama não é a minha cama
e ser afinal a tua
e a tua respiração
trazendo-me memórias da noite
- este é o meu pulso
aberto por mim mais uma vez
para escrever em letras maiúsculas
afinal
sempre chegámos aqui
i
um nome dito
e invocado em vão
na noite longa
ii
e na vertigem
um turbilhão interno
um telefone
iii
a vida toda
já feita diferente
e para sempre
iv
e não esquecer
nunca ter esquecido
ali te amei
v
e procurei-te
então tal como hoje
em qualquer lado
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
um nome dito
e invocado em vão
na noite longa
ii
e na vertigem
um turbilhão interno
um telefone
iii
a vida toda
já feita diferente
e para sempre
iv
e não esquecer
nunca ter esquecido
ali te amei
v
e procurei-te
então tal como hoje
em qualquer lado
ainda é cedo para ter saudades tuas
lá mais para o final da manhã
quando passar a minha irritação por ter acordado cedo demais
depois de outra insónia
por isso decretei que é cedo demais
talvez só a meio da tarde
eu me permita sentir a tua falta
quando faltarem menos horas para o final do dia
e menos segundos sobrarem para me lembrar
que caía de imediato nos teus braços se aqui estivesses
ou talvez mesmo só à noite
quando o cansaço me retira a capacidade de tomar decisões sérias
talvez só quando as luzes se apagarem
eu me deixe pensar em ti
na tua voz
na tua pele
nas tuas mãos
na tua boca
em como as reconheceria facilmente mesmo sem luz
agora não
agora ainda é cedo
para ter saudades tuas
ou para te escrever
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
lá mais para o final da manhã
quando passar a minha irritação por ter acordado cedo demais
depois de outra insónia
por isso decretei que é cedo demais
talvez só a meio da tarde
eu me permita sentir a tua falta
quando faltarem menos horas para o final do dia
e menos segundos sobrarem para me lembrar
que caía de imediato nos teus braços se aqui estivesses
ou talvez mesmo só à noite
quando o cansaço me retira a capacidade de tomar decisões sérias
talvez só quando as luzes se apagarem
eu me deixe pensar em ti
na tua voz
na tua pele
nas tuas mãos
na tua boca
em como as reconheceria facilmente mesmo sem luz
agora não
agora ainda é cedo
para ter saudades tuas
ou para te escrever
há silêncios que se dizem no campo aberto
há frases caladas contidas num impulso que se optou não ter
e palavras escondidas num nada que se faz ouvir em decibéis
que rebentariam com muros de betão armado
como bombas de acção imprevisível
mas que ficam nas mãos fechadas
que ainda se perguntam se vale a pena
lutar
guerrear
por mais trinta dias de silêncio trovejante
porque no final dos obuses carregados de memórias e desejos
vêm silêncios que falam alto
como quem acena a bandeira branca indicando que quer a paz
mas na verdade quer mesmo é a luta corpo a corpo
sem quartel
e sem tréguas
só que os silêncios imperam
como se no final do dia
não houvesse senão mortos no campo da batalha
deste amor
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
há frases caladas contidas num impulso que se optou não ter
e palavras escondidas num nada que se faz ouvir em decibéis
que rebentariam com muros de betão armado
como bombas de acção imprevisível
mas que ficam nas mãos fechadas
que ainda se perguntam se vale a pena
lutar
guerrear
por mais trinta dias de silêncio trovejante
porque no final dos obuses carregados de memórias e desejos
vêm silêncios que falam alto
como quem acena a bandeira branca indicando que quer a paz
mas na verdade quer mesmo é a luta corpo a corpo
sem quartel
e sem tréguas
só que os silêncios imperam
como se no final do dia
não houvesse senão mortos no campo da batalha
deste amor
e há essa coisa meio patética do "morrer por ti". coisa de amadores se comparada com o absurdo "morrer contigo" shakespeareano. e não me falem em metáforas. eu declaro morte às metáforas ordeno que as fuzilem de encontro ao muro do dia-a-dia sob o sol das dores que nos consomem por não querermos verdadeiramente morrer por ninguém.
por ti eu quero é viver. contigo eu passei a viver de formas novas e de forma diferente. contigo eu cresci e quero crescer todos os dias. se morresse o meu crescimento seria seriamente colocado em causa pelo que rejeito desde já essa hipótese de novela de cordel (mais ou menos literária). viver por ti. isso sim.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
por ti eu quero é viver. contigo eu passei a viver de formas novas e de forma diferente. contigo eu cresci e quero crescer todos os dias. se morresse o meu crescimento seria seriamente colocado em causa pelo que rejeito desde já essa hipótese de novela de cordel (mais ou menos literária). viver por ti. isso sim.
quando eu entrei no carro os vidros logo se embaciaram com a minha respiração. e se eu ainda fosse dado a pensamentos depressivos eu dir-te-ia agora que senti que era um prenúncio: eu via então a cidade por olhos de quem chorava por não estares comigo. mas na verdade não tenho mais lágrimas dentro de mim. era só mesmo uma janela embaciada que não me deixava ver que há coisas belas no mundo e pessoas belas no mundo e margens belas no mundo e vidas belas no mundo. a beleza do universo está distante de mim mas não é por causa de um vidro de um carro que a minha respiração embaciou, pensei enquanto a janela descia e um vento frio entrava por debaixo da minha pele e dentro da minha carne como creio que até hoje só deixei entrar o teu amor. pareciam saudades tuas os arrepios de frio. são sempre saudades tuas as mãos que tremem e as pernas que estremecem e o peito que rebenta como lá fora rebentavam já as gotas de chuva ao encontrar o chão. fechei o vidro e olhei-me no retrovisor: por que tenho sempre de procurar neste espelho se te quero encontrar? e percebi que falava mais para mim mesmo do que para ti: na maior parte do tempo não sei quem sou... na maior parte do tempo não estás aqui... tem de haver aqui uma relação de causa-efeito. e a minha respiração tornou-se mais pesada. saí para rua e como de costume encontrei-te em cada pedaço de noite molhado que caía sobre mim. sinto tanto a tua falta, disse-te. não me ouviste?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
foi qualquer coisa transcendente que me fez passar de novo onde foi já a tua porta. ou então foi o último gole do último copo que me levou a insistir sem medo de perguntas: «temos mesmo de ir por ali».
está tudo igual. - a rua está igual? quem te disse que te falo da rua? quem te disse que consegui sequer reparar nas fachadas que denunciam uma cidade descuidada ou naquela curva que nem é muito apertada mas que sempre me aperta o coração...
tudo que te sei dizer é que para mim ainda estás no 4.º esq. para mim vou estar sempre no 4.º esq.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
está tudo igual. - a rua está igual? quem te disse que te falo da rua? quem te disse que consegui sequer reparar nas fachadas que denunciam uma cidade descuidada ou naquela curva que nem é muito apertada mas que sempre me aperta o coração...
tudo que te sei dizer é que para mim ainda estás no 4.º esq. para mim vou estar sempre no 4.º esq.
somos tão diferentes que quase parece que seremos capaz de dizer da lua que ela é vermelha para mim e branca para ti e nova aos meus olhos e cheia aos teus e que está no céu digo eu e no fundo do mar dizes tu. mas então por que me pareces tão próxima por que te reconheço tão facilmente por que te conheço tão profundamente mesmo que na realidade possa não saber sequer a cor do teu cabelo?
eu podia libertar-me de ti
se não me perdesse sem ti
se não sentisse o meu coração percorrer a alta velocidade
túneis onde não devia entrar em contra-mão
se não visse estrelas a caírem em ti
vamos optar pelas frases-feitas sobre atracção de opostos e outras teorias mais ou menos ou nada ou tudo freudianas mais ou menos ou sempre ou nunca absurdas ou vamos tentar perceber pela enésima vez nas palavras um do outro quem somos? sinto-te tão perto quando te sinto tão longe sinto-te tão perto sempre porque não te consigo largar diz que não me consegues largar a mim também...
sinto-me shakespeariano sem ti
mas podia escapar de ti
se não me prendesse esse pormenor de precisar que estejas
pelos mesmos lugares onde estou também
se não visse estrelas nascerem em ti
serei o negativo que tu revelas depois de um banho em água tépida mas a era é digital e não se coaduna com estas metáforas anacrónicas que não dizem nada a não ser que eu assuma de imediato: sim somos tão diferentes que é despropositado que nos tenhamos encontrado e nos tenhamos olhado olhos nos olhos a não ser a não ser que seja a isto que chamam – romeu e julieta não por favor – amor.
eu podia esquecer-me de ti
se não fosse um destroço sem ti
se não acordasse de manhã e perguntasse sempre onde
estarás tu para não estares no meu acordar
se não visse estrelas chorar em ti
o meu eu adora esse outro eu que és tu porque os meus eus são nascidos dentro de ti não existiriam se não fosse esse outro tu que também é múltiplo que eu gosto de pensar que também existe um pouco porque me conheceu. e é nesse intervalo de personalidades entre o eu que éramos e o eu e tu que por vezes somos que pode nascer algo a que talvez venhamos a poder chamar nós.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
eu podia libertar-me de ti
se não me perdesse sem ti
se não sentisse o meu coração percorrer a alta velocidade
túneis onde não devia entrar em contra-mão
se não visse estrelas a caírem em ti
vamos optar pelas frases-feitas sobre atracção de opostos e outras teorias mais ou menos ou nada ou tudo freudianas mais ou menos ou sempre ou nunca absurdas ou vamos tentar perceber pela enésima vez nas palavras um do outro quem somos? sinto-te tão perto quando te sinto tão longe sinto-te tão perto sempre porque não te consigo largar diz que não me consegues largar a mim também...
sinto-me shakespeariano sem ti
mas podia escapar de ti
se não me prendesse esse pormenor de precisar que estejas
pelos mesmos lugares onde estou também
se não visse estrelas nascerem em ti
serei o negativo que tu revelas depois de um banho em água tépida mas a era é digital e não se coaduna com estas metáforas anacrónicas que não dizem nada a não ser que eu assuma de imediato: sim somos tão diferentes que é despropositado que nos tenhamos encontrado e nos tenhamos olhado olhos nos olhos a não ser a não ser que seja a isto que chamam – romeu e julieta não por favor – amor.
eu podia esquecer-me de ti
se não fosse um destroço sem ti
se não acordasse de manhã e perguntasse sempre onde
estarás tu para não estares no meu acordar
se não visse estrelas chorar em ti
o meu eu adora esse outro eu que és tu porque os meus eus são nascidos dentro de ti não existiriam se não fosse esse outro tu que também é múltiplo que eu gosto de pensar que também existe um pouco porque me conheceu. e é nesse intervalo de personalidades entre o eu que éramos e o eu e tu que por vezes somos que pode nascer algo a que talvez venhamos a poder chamar nós.
é claro que me ajeito na cadeira
e bato com os dedos na mesa
se falas de outro homem
que roo as unhas
e mordo os lábios
mesmo que ele não exista
que respiro fundo
e conto até dez
mesmo que seja a brincar
que bato com os pés no chão
e pontapeio nervosamente a mesa
mesmo que só insinues
é claro que me pergunto se existiu ali um amor
é claro que me pergunto sobre a cor do seu cabelo
é claro que me pergunto sobre as coisas que ele dizia
é claro que me pergunto sobre as coisas que tu lhe dirás
é claro que me esqueço
que não tenho como te exigir o que quer que seja
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e bato com os dedos na mesa
se falas de outro homem
que roo as unhas
e mordo os lábios
mesmo que ele não exista
que respiro fundo
e conto até dez
mesmo que seja a brincar
que bato com os pés no chão
e pontapeio nervosamente a mesa
mesmo que só insinues
é claro que me pergunto se existiu ali um amor
é claro que me pergunto sobre a cor do seu cabelo
é claro que me pergunto sobre as coisas que ele dizia
é claro que me pergunto sobre as coisas que tu lhe dirás
é claro que me esqueço
que não tenho como te exigir o que quer que seja
não tenho nada para escrever mas estou a escrevê-lo e isso é amar-te
estou a escrever o que não existe para poder escrever-se e isso é amar-te
e é como se escrevendo eu te amasse mais ainda e passasse a poder dizer-se
que te amo que quase juro que me amas também mesmo que não o escrevas
dizer o amor é quase fazê-lo
mas só quase
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
estou a escrever o que não existe para poder escrever-se e isso é amar-te
e é como se escrevendo eu te amasse mais ainda e passasse a poder dizer-se
que te amo que quase juro que me amas também mesmo que não o escrevas
dizer o amor é quase fazê-lo
mas só quase
nos poemas que guardei num caderno velho de capas pretas
há frases escritas a lápis que eu já tinha esquecido
frases que chegaram a caber no meu coração
mas que eu tive de apagar
nos poemas que guardei numa estante que raramente visito
está um passado onde o mundo era tão diferente
aparente perfeição de face iluminada da lua
era afinal o mar da solidão
nos poemas que guardei e que agora releio de madrugada
eu não cheguei nunca verdadeiramente a entrar
pois não poderia saber como se lê poesia
antes de te vir a conhecer
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
há frases escritas a lápis que eu já tinha esquecido
frases que chegaram a caber no meu coração
mas que eu tive de apagar
nos poemas que guardei numa estante que raramente visito
está um passado onde o mundo era tão diferente
aparente perfeição de face iluminada da lua
era afinal o mar da solidão
nos poemas que guardei e que agora releio de madrugada
eu não cheguei nunca verdadeiramente a entrar
pois não poderia saber como se lê poesia
antes de te vir a conhecer
o meu peito aberto é teu
para o encheres com o teu amor
ou fazeres dele alvo
para quebrares o coração que nele vive
pela milésima vez
ou para lamberes as cicatrizes
e as fazeres desaparecer
pela milésima-primeira
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
para o encheres com o teu amor
ou fazeres dele alvo
para quebrares o coração que nele vive
pela milésima vez
ou para lamberes as cicatrizes
e as fazeres desaparecer
pela milésima-primeira
i
é sempre o primeiro dia
juro que renasço sempre que dizes algo
eu que nem sou de acreditar na esperança
saio para a chuva e sinto todo o mundo a mudar
à minha volta em volta de ti
e só o que eu sei
é que nada via antes do primeiro dia
ii
quando eu te encontrei
se tivesse encenado bem a cena
teria sussurrado “hoje ainda não sei
mas amanhã valeu a pena”
iii
amanhã lá estaremos à hora combinada
sem que tenhamos falado em tempo ou lugar
sem que tenhamos prometido encontrar-nos
depois de amanhã lá estaremos à hora certa
prontos para nos perdermos no que nunca fomos
iv
as faces batem certo com os nomes e os lugares
dir-se-ia que tudo havia sido organizado por mão divina
e ainda assim eu me pergunto, é agora?
os números batem certo com as contas feitas
um vezes um e o resultado confirmado na prova dos nove
e ainda assim eu me pergunto, é agora?
as fotos têm datas que nos trazem do passado
deixam-nos aqui ainda com tantas imagens para captar
e ainda assim eu me pergunto, é agora?
a verdade é que me sinto sempre incompleto
incompleto sem ti
inacabado sem ti
v
o amor que deixámos ainda a tapar as frases
que as paredes da cidade gritam
aos faróis de um carro em movimento
levarão as ruas a ficarem quietas para te verem passar
e nas sombras dos amantes tu vais correr outra vez
e correremos desta vez os dois
pelas sombras que nunca se perderam no amanhecer
vi
ainda bem que não morri sem conhecer os teus braços
porque agora sei que nunca vou morrer
e descobri ainda
coisas sobre o futuro que não imaginava
como por exemplo
que é nos teus braços que eu quero acabar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
é sempre o primeiro dia
juro que renasço sempre que dizes algo
eu que nem sou de acreditar na esperança
saio para a chuva e sinto todo o mundo a mudar
à minha volta em volta de ti
e só o que eu sei
é que nada via antes do primeiro dia
ii
quando eu te encontrei
se tivesse encenado bem a cena
teria sussurrado “hoje ainda não sei
mas amanhã valeu a pena”
iii
amanhã lá estaremos à hora combinada
sem que tenhamos falado em tempo ou lugar
sem que tenhamos prometido encontrar-nos
depois de amanhã lá estaremos à hora certa
prontos para nos perdermos no que nunca fomos
iv
as faces batem certo com os nomes e os lugares
dir-se-ia que tudo havia sido organizado por mão divina
e ainda assim eu me pergunto, é agora?
os números batem certo com as contas feitas
um vezes um e o resultado confirmado na prova dos nove
e ainda assim eu me pergunto, é agora?
as fotos têm datas que nos trazem do passado
deixam-nos aqui ainda com tantas imagens para captar
e ainda assim eu me pergunto, é agora?
a verdade é que me sinto sempre incompleto
incompleto sem ti
inacabado sem ti
v
o amor que deixámos ainda a tapar as frases
que as paredes da cidade gritam
aos faróis de um carro em movimento
levarão as ruas a ficarem quietas para te verem passar
e nas sombras dos amantes tu vais correr outra vez
e correremos desta vez os dois
pelas sombras que nunca se perderam no amanhecer
vi
ainda bem que não morri sem conhecer os teus braços
porque agora sei que nunca vou morrer
e descobri ainda
coisas sobre o futuro que não imaginava
como por exemplo
que é nos teus braços que eu quero acabar
i
e ele caminhava mesmo junto ao paredão
e ele queria caminhar mesmo junto ao paredão
e ele imitava com os braços os gestos largos do mar
e ele cantava uma canção
sempre a mesma triste canção
e ele rezava pela sua vida
ali bem junto ao paredão
ii
e ele gozava com a estabilidade
e fazia piadas sobre redes e trapézios
mas de cada vez que olhava lá para baixo
assustava-se também
embora só ficasse verdadeiramente aterrorizado
quando o tambor começava a tocar
e ele lembrava as orações
iii
e ele rezava pela vida
a um deus em que não acreditava
“perdoa-me todos os pecados
e sê gentil com a penitência”
e só quando o vento apagava as velas
no corredor esquerdo da sua catedral
ele percebia que estivera a rezar para ela
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e ele caminhava mesmo junto ao paredão
e ele queria caminhar mesmo junto ao paredão
e ele imitava com os braços os gestos largos do mar
e ele cantava uma canção
sempre a mesma triste canção
e ele rezava pela sua vida
ali bem junto ao paredão
ii
e ele gozava com a estabilidade
e fazia piadas sobre redes e trapézios
mas de cada vez que olhava lá para baixo
assustava-se também
embora só ficasse verdadeiramente aterrorizado
quando o tambor começava a tocar
e ele lembrava as orações
iii
e ele rezava pela vida
a um deus em que não acreditava
“perdoa-me todos os pecados
e sê gentil com a penitência”
e só quando o vento apagava as velas
no corredor esquerdo da sua catedral
ele percebia que estivera a rezar para ela
talvez tenha sido o teu olhar. fica sempre bem dizer que foram os olhos de alguém que nos prenderam e nos mostraram que através do olhar de outra pessoa é que podemos conhecer o mundo todo. e os teus olhos são de facto bastantes bonitos pelo que seria muito fácil que acreditassem que foi por eles que passei a ser teu para a vida.
e se eu assumisse que foi mesmo o teu olhar já pensaste bem nas coisas que podia escrever sobres mares infinitos e universos imensos sem que ninguém me fizesse notar que nenhuma destas expressões faz verdadeiramente qualquer sentido? e dessa forma bastar-me-ia descrever apenas os teus olhos de facto bastante bonitos.
e haveria ainda aquela coisa kitsch dos ‘dois astros negros’ que só se perdoa a quem está enfeitiçado por uns olhos como os teus. e mais mil e um clichés que eu teria à disposição para poder explicar a quem me quisesse ouvir como tinha sido possível que me tivesses transformado tanto assim. tudo apenas com os teus olhos de facto bastante bonitos.
e não importaria que eu não falasse da tua pele perfeita da tua cintura dizem que tão ao jeito do impulso darwiniano de conservação da espécie da tua boca que tantos segredos guarda e nem todos são palavras das tuas pernas e de como elas me podiam abraçar. seria tão confortável explicar tudo apenas com os teus olhos de facto bastante bonitos.
talvez tenha sido o teu olhar. já não me lembro do que foi. já não me lembro por que foi. e nem vale a pena perguntares pelo quando como perceberás. isso importa? olha-me com os teus olhos de facto bastante bonitos e perceberás que só importa que os meus apesar de nem de perto nem de longe tão valiosos te pertencem.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e se eu assumisse que foi mesmo o teu olhar já pensaste bem nas coisas que podia escrever sobres mares infinitos e universos imensos sem que ninguém me fizesse notar que nenhuma destas expressões faz verdadeiramente qualquer sentido? e dessa forma bastar-me-ia descrever apenas os teus olhos de facto bastante bonitos.
e haveria ainda aquela coisa kitsch dos ‘dois astros negros’ que só se perdoa a quem está enfeitiçado por uns olhos como os teus. e mais mil e um clichés que eu teria à disposição para poder explicar a quem me quisesse ouvir como tinha sido possível que me tivesses transformado tanto assim. tudo apenas com os teus olhos de facto bastante bonitos.
e não importaria que eu não falasse da tua pele perfeita da tua cintura dizem que tão ao jeito do impulso darwiniano de conservação da espécie da tua boca que tantos segredos guarda e nem todos são palavras das tuas pernas e de como elas me podiam abraçar. seria tão confortável explicar tudo apenas com os teus olhos de facto bastante bonitos.
talvez tenha sido o teu olhar. já não me lembro do que foi. já não me lembro por que foi. e nem vale a pena perguntares pelo quando como perceberás. isso importa? olha-me com os teus olhos de facto bastante bonitos e perceberás que só importa que os meus apesar de nem de perto nem de longe tão valiosos te pertencem.
- podes não gostar dos meus livros
não perceber os meus bilhetes
preferir um outro cheiro
podes não entrar na minha cama
não gostar das minhas pernas
podes rir dos meus dvds
e podes dizer que nunca mais!
podes pensar que não me importo
mais certo é achares que te sufoco
que não te deixo ser
que não te quero como és
podes vir a achar que tanto mimo
só se cura com a indiferença
e podes dizer que antes nunca!
podes descobrir no meu diário
coisas que não vais gostar de saber
e podes não me conhecer
e deixar de me querer conhecer
podes partir os meus discos
em fúria por não ouvir os teus
e podes dizer que nunca mais!
podes perder a paciência comigo
uma e outra e outra e outra vez
não querer mais que eu te diga
que chegaste tarde
ou chegaste cedo demais
podes cansar-te de mim
e podes dizer que antes nunca!
podes achar que os meus dedos dos pés
não são dedos que possas amar
e que durmo do lado errado
podes querer que eu te cante
quando eu sou incapaz de afinar
podes não me suportar
e podes dizer que nunca mais!
podes não aguentar os meus amigos
nada ou muito interessantes
podes querer assinar um outro jornal
e discordar sobre o serviço de internet
achar que bebo sempre demais
podes entediar-te comigo
e podes dizer que antes nunca!
- ou posso dizer: vem daí
para o futuro o que importa
é o que sentimos agora
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não perceber os meus bilhetes
preferir um outro cheiro
podes não entrar na minha cama
não gostar das minhas pernas
podes rir dos meus dvds
e podes dizer que nunca mais!
podes pensar que não me importo
mais certo é achares que te sufoco
que não te deixo ser
que não te quero como és
podes vir a achar que tanto mimo
só se cura com a indiferença
e podes dizer que antes nunca!
podes descobrir no meu diário
coisas que não vais gostar de saber
e podes não me conhecer
e deixar de me querer conhecer
podes partir os meus discos
em fúria por não ouvir os teus
e podes dizer que nunca mais!
podes perder a paciência comigo
uma e outra e outra e outra vez
não querer mais que eu te diga
que chegaste tarde
ou chegaste cedo demais
podes cansar-te de mim
e podes dizer que antes nunca!
podes achar que os meus dedos dos pés
não são dedos que possas amar
e que durmo do lado errado
podes querer que eu te cante
quando eu sou incapaz de afinar
podes não me suportar
e podes dizer que nunca mais!
podes não aguentar os meus amigos
nada ou muito interessantes
podes querer assinar um outro jornal
e discordar sobre o serviço de internet
achar que bebo sempre demais
podes entediar-te comigo
e podes dizer que antes nunca!
- ou posso dizer: vem daí
para o futuro o que importa
é o que sentimos agora
quando entrou o homem do olhar no chão
mesmo com a sala cheia só ela notou
e ele chegou um pouco mais perto
e disse de forma indisfarçavelmente repetida
“sou assim inseguro. sou uma criança
posso voltar a entrar por aquela porta?
posso fazer tudo de novo” e será que posso
gritar por ti ainda o peito entreaberto
e disse “provavelmente não irei mudar”
mas “mesmo assim apresento a minha candidatura
ao teu coração” e de novo o olhar se escapou
“quanto de mim estás disposta a suportar?
sei que tanto de mim é impossível de suportar”
e disse “não mereço sequer esta pergunta”
e de novo os olhos se colaram ao chão
queria estar bem dentro de ti e poder ficar
na cabeça e no coração e no resto da carne
“afinal quanto de mim estarias disposta a suportar?”
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
mesmo com a sala cheia só ela notou
e ele chegou um pouco mais perto
e disse de forma indisfarçavelmente repetida
“sou assim inseguro. sou uma criança
posso voltar a entrar por aquela porta?
posso fazer tudo de novo” e será que posso
gritar por ti ainda o peito entreaberto
e disse “provavelmente não irei mudar”
mas “mesmo assim apresento a minha candidatura
ao teu coração” e de novo o olhar se escapou
“quanto de mim estás disposta a suportar?
sei que tanto de mim é impossível de suportar”
e disse “não mereço sequer esta pergunta”
e de novo os olhos se colaram ao chão
queria estar bem dentro de ti e poder ficar
na cabeça e no coração e no resto da carne
“afinal quanto de mim estarias disposta a suportar?”
achei que o vento gelado de uma tarde de maio fizera parar o meu coração. não o senti chegar por isso não calcei as minhas luvas nem coloquei o cachecol à volta do pescoço. para mim era um dia de verão naquela tarde em que o meu coração parou acho que do frio.
e quando resolvi verificar como era isto possível – um coração gelado debaixo dos fortes raios de sol – reparei que ele não estava já onde o guardara. tinha saído do meu peito tinha saltado vales e montanhas e descido escadas e tinha aterrado junto de ti. deixei-o ficar quando vi que afinal batia.
observei o seu comportamento e reparei que o teu amor lhe amplificava a função de purificar o sangue. por que te senti parar, perguntei-lhe ainda meio desconfiado. porque parei mesmo porque mudei porque já não sou o teu coração sou o coração dela não sentiste que me entreguei, e percebi que aquele músculo compreendia mais coisas sobre o mundo do que eu alguma vez seria capaz.
racionalmente tentei agir com naturalidade. olhei para ti com o meu coração nas tuas mãos e disse, claro que vou para onde vais claro que fico, com a normalidade de quem não sentiu o seu coração ser roubado. acabei por ficar a tarde toda.
e passemos aos factos eu não sei o que mais se passou nessa tarde de maio em que achei que um vento gelado fizera parar o meu coração. porque para mim ainda é essa tarde de maio.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e quando resolvi verificar como era isto possível – um coração gelado debaixo dos fortes raios de sol – reparei que ele não estava já onde o guardara. tinha saído do meu peito tinha saltado vales e montanhas e descido escadas e tinha aterrado junto de ti. deixei-o ficar quando vi que afinal batia.
observei o seu comportamento e reparei que o teu amor lhe amplificava a função de purificar o sangue. por que te senti parar, perguntei-lhe ainda meio desconfiado. porque parei mesmo porque mudei porque já não sou o teu coração sou o coração dela não sentiste que me entreguei, e percebi que aquele músculo compreendia mais coisas sobre o mundo do que eu alguma vez seria capaz.
racionalmente tentei agir com naturalidade. olhei para ti com o meu coração nas tuas mãos e disse, claro que vou para onde vais claro que fico, com a normalidade de quem não sentiu o seu coração ser roubado. acabei por ficar a tarde toda.
e passemos aos factos eu não sei o que mais se passou nessa tarde de maio em que achei que um vento gelado fizera parar o meu coração. porque para mim ainda é essa tarde de maio.
ó meu grande amor não preciso de mais nada
e os beijos que roubei noutra qualquer estrada
foram só boleias e pesaram como uma espada
minha historia perfeita minha salvação
se eu me confundi foi da escuridão
é difícil ver claramente no meio da solidão
eu posso ensinar-te como me podes amar
é só ver os meus erros para os evitar
nunca me tratei muito bem até ter por que ficar
quando eu não estou contigo os meus sonhos são quartos escuros
quando eu não estou contigo os meus sonhos nem chegam a chegar
e os túneis que fui escavando no meu coração em busca de um futuro
são labirintos cujo mapa só tu podes encontrar
a caminho da cruz vi a minha fé secar
e lambi as chagas para me lembrar
de não me esquecer a quem tinha de rezar
e é a ti...
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e os beijos que roubei noutra qualquer estrada
foram só boleias e pesaram como uma espada
minha historia perfeita minha salvação
se eu me confundi foi da escuridão
é difícil ver claramente no meio da solidão
eu posso ensinar-te como me podes amar
é só ver os meus erros para os evitar
nunca me tratei muito bem até ter por que ficar
quando eu não estou contigo os meus sonhos são quartos escuros
quando eu não estou contigo os meus sonhos nem chegam a chegar
e os túneis que fui escavando no meu coração em busca de um futuro
são labirintos cujo mapa só tu podes encontrar
a caminho da cruz vi a minha fé secar
e lambi as chagas para me lembrar
de não me esquecer a quem tinha de rezar
e é a ti...
- o meu universo é infinitamente pequeno,
digo para mim mesmo. tenho as memórias e tenho os sonhos e ambos me podem levar tão longe daqui. mas eu não quero sair. não sei se te espero ou já me cansei de esperar e por isso fico. quantas vezes eu me perguntei por que estou ainda neste lugar sem que tenha feito de seguida nada para mudar a paisagem que os meus olhos já conhecem melhor do que a cor dos teus. olhei tão poucas vezes para os teus olhos. devia ter olhado mais devia ter sido capaz de me esquecer das minhas inseguranças e da minha obsessão por essa coisa chata da moral kantiana e devia ter olhado mais vezes nos teus olhos. devia ter-te dito mais vezes que te amava e devia ter-te amado até ao final de cada dia que passou.
- o meu universo é infinitamente grande se estiveres nele
- mas os universos não têm limites,
dizes tu para que eu não te explique de seguida que és tu que fazes e desfazes o que é impossível na minha vida. sempre foste também muito boa nisso de fugir.
- meu amor,
digo eu a cada frase que escrevo a cada segundo que respiro a cada sono que me leva ao nosso passado ou ao nosso futuro.
- meu amor quero-te minha,
não sei se alguma vez o ouvirás da minha boca de forma tão clara. escrevo-o para que saibas e para que me possas confrontar para que possas impedir-me de fugir outra vez. estou farto de fugir. estou exausto. estou faminto. escrevo para que a fome não me mate. escrevo para te chamar e por isso tudo o que escrevo é o teu nome. e mesmo assim nesta inevitabilidade me pergunto: por que não escreves o meu? por que não escreves?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
digo para mim mesmo. tenho as memórias e tenho os sonhos e ambos me podem levar tão longe daqui. mas eu não quero sair. não sei se te espero ou já me cansei de esperar e por isso fico. quantas vezes eu me perguntei por que estou ainda neste lugar sem que tenha feito de seguida nada para mudar a paisagem que os meus olhos já conhecem melhor do que a cor dos teus. olhei tão poucas vezes para os teus olhos. devia ter olhado mais devia ter sido capaz de me esquecer das minhas inseguranças e da minha obsessão por essa coisa chata da moral kantiana e devia ter olhado mais vezes nos teus olhos. devia ter-te dito mais vezes que te amava e devia ter-te amado até ao final de cada dia que passou.
- o meu universo é infinitamente grande se estiveres nele
- mas os universos não têm limites,
dizes tu para que eu não te explique de seguida que és tu que fazes e desfazes o que é impossível na minha vida. sempre foste também muito boa nisso de fugir.
- meu amor,
digo eu a cada frase que escrevo a cada segundo que respiro a cada sono que me leva ao nosso passado ou ao nosso futuro.
- meu amor quero-te minha,
não sei se alguma vez o ouvirás da minha boca de forma tão clara. escrevo-o para que saibas e para que me possas confrontar para que possas impedir-me de fugir outra vez. estou farto de fugir. estou exausto. estou faminto. escrevo para que a fome não me mate. escrevo para te chamar e por isso tudo o que escrevo é o teu nome. e mesmo assim nesta inevitabilidade me pergunto: por que não escreves o meu? por que não escreves?
quero os despertares insuportáveis de mau-humor
quero as ordens repetidas e mudadas num segundo
quero as birras de menina adulta que não o sabe ser
quero tudo o que não conheço do teu mundo
tudo o que nem sei se faz parte de quem és
mas que amo se fizer
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quero as ordens repetidas e mudadas num segundo
quero as birras de menina adulta que não o sabe ser
quero tudo o que não conheço do teu mundo
tudo o que nem sei se faz parte de quem és
mas que amo se fizer
no meio da praia ainda havia pés que se enterravam na areia
molhados da água salgada de há minutos atrás
ele caminhava um passo a seguir ao outro sem razão concreta
e a terra rodando escondia o sol no horizonte
estava quase frio mas os corpos nem notavam
ele disse para disfarçar, se ficarmos ainda nos constipamos
e no inesperado da resposta dela
foi como se a luz voltasse ao areal, contigo nunca tenho frio
ele achou que tinha de retribuir, sinto o mundo na minha mão
e no final do cliché
riram os dois do ridículo daquelas frases
e do pôr-do-sol em fundo
no meio do frio que entorpecia os músculos
riram os dois e o dia quase nascia de novo
e quando ela virou a cara por uma distracção qualquer
ele lançou-lhe a mão e chamou-a para ele
e o beijo que se seguiu foi como uma vaga que nos engole
nos cabelos dela que ele tocava
havia a calma de mil reencontros
e o ritmo sobressaltado do primeiro beijo
a maré quase rebentava com o paredão
ama-me para sempre, escutou o mar sem saber quem o tinha dito
e olhou para eles os dois
entre os segredos
entre as incertezas
entre os grãos de areia e as toalhas molhadas
entre dois beijos, é isto a paixão?
e as mãos que percorrem outras margens
que não as da costa que os escuta, é isto o desejo?
e será isto que nos liberta?
as ondas calaram-se
o vento também
o sol lá do outro lado do mundo
perguntava-se se eles se tinham finalmente encontrado
é isto o amor? e este amor cá dentro
chegará para nos preencher?
a praia deserta ouviu-os dizer sim
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
molhados da água salgada de há minutos atrás
ele caminhava um passo a seguir ao outro sem razão concreta
e a terra rodando escondia o sol no horizonte
estava quase frio mas os corpos nem notavam
ele disse para disfarçar, se ficarmos ainda nos constipamos
e no inesperado da resposta dela
foi como se a luz voltasse ao areal, contigo nunca tenho frio
ele achou que tinha de retribuir, sinto o mundo na minha mão
e no final do cliché
riram os dois do ridículo daquelas frases
e do pôr-do-sol em fundo
no meio do frio que entorpecia os músculos
riram os dois e o dia quase nascia de novo
e quando ela virou a cara por uma distracção qualquer
ele lançou-lhe a mão e chamou-a para ele
e o beijo que se seguiu foi como uma vaga que nos engole
nos cabelos dela que ele tocava
havia a calma de mil reencontros
e o ritmo sobressaltado do primeiro beijo
a maré quase rebentava com o paredão
ama-me para sempre, escutou o mar sem saber quem o tinha dito
e olhou para eles os dois
entre os segredos
entre as incertezas
entre os grãos de areia e as toalhas molhadas
entre dois beijos, é isto a paixão?
e as mãos que percorrem outras margens
que não as da costa que os escuta, é isto o desejo?
e será isto que nos liberta?
as ondas calaram-se
o vento também
o sol lá do outro lado do mundo
perguntava-se se eles se tinham finalmente encontrado
é isto o amor? e este amor cá dentro
chegará para nos preencher?
a praia deserta ouviu-os dizer sim
há canções onde imagino a tua voz
a repetir-me o que já me disseste
a explicar-me o que ainda me dirás
noutras ainda ouço-te a cantar
o que eu desejo que me sussurres ao ouvido
às vezes és manuela e o meu peito
é o teu laboratório onde experimentas com segurança
as bombas e as curas e os perfumes que hão-de nascer
às vezes és annika e os meus olhos
são janelas para uma vida sem graça que tu transformas
durante os dois minutos e meio que dura uma canção
às vezes és marisa e a minha voz
junta-se às ondas adocicadas da tua e são dois mundos
com muito e nada em comum em diálogo transoceânico
às vezes és polly jean e o meu corpo
é o nosso campo de batalha e a nossa bandeira branca
e eu olho para mim e vejo as cicatrizes que o provam
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
a repetir-me o que já me disseste
a explicar-me o que ainda me dirás
noutras ainda ouço-te a cantar
o que eu desejo que me sussurres ao ouvido
às vezes és manuela e o meu peito
é o teu laboratório onde experimentas com segurança
as bombas e as curas e os perfumes que hão-de nascer
às vezes és annika e os meus olhos
são janelas para uma vida sem graça que tu transformas
durante os dois minutos e meio que dura uma canção
às vezes és marisa e a minha voz
junta-se às ondas adocicadas da tua e são dois mundos
com muito e nada em comum em diálogo transoceânico
às vezes és polly jean e o meu corpo
é o nosso campo de batalha e a nossa bandeira branca
e eu olho para mim e vejo as cicatrizes que o provam
morde-me...
põe os teus dentes no meu pescoço
enquanto gritas
enquanto me fazes gritar também
ata-me...
esculpe em mim com as tuas unhas
vales onde corram
lágrimas e gotas de sangue incolores
mostra-me...
o mapa do teu desejo alimentado
ainda me vou ferir
nos teus lençóis com marcas de suor
ama-me...
mostra saberes o que sei que sabes
como ser feliz
como ser adão entre as tuas pernas
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
põe os teus dentes no meu pescoço
enquanto gritas
enquanto me fazes gritar também
ata-me...
esculpe em mim com as tuas unhas
vales onde corram
lágrimas e gotas de sangue incolores
mostra-me...
o mapa do teu desejo alimentado
ainda me vou ferir
nos teus lençóis com marcas de suor
ama-me...
mostra saberes o que sei que sabes
como ser feliz
como ser adão entre as tuas pernas
i
quantas regras é que nós quebrámos
quantas regras ainda desafiamos
na verdade
mudámos tudo
ou não foi isso que fizemos?
partimos portas de outras casas
e instalámo-nos sem licença
sem vergonha
e quando penso nisso é como se o meu corpo se abrisse
como se o meu corpo se abrisse
para um raio de sol
foi uma explosão de vermelho-sangue
mas só ficaram os beijos
e é como se o meu corpo se abrisse
quando penso nisso
como se ele se abrisse
para um raio de sol vermelho sangue
e quando essa luz entra pela fresta de carne do meu peito
só preciso de ti
só preciso de ti
e foi a isso que chamámos amor
às novas regras
às portas partidas
às explosões
aos raios de sol
foi a isso que chamámos amor
e só ficaram os beijos
e eu só preciso de ti
foi a isso que chamámos amor
e eu só preciso de ti
ii
perdido numa canção
escrita pela solidão
eu declaro que não te quero agora
só quando eu estiver mais alto do que a lua
só quando eu fizer rir quem chora
só quando eu tiver o meu nome na tua rua
só quando eu for maior
iii
talvez haja fantasmas nestas ruas
talvez por detrás das cortinas hoje fechadas
olhos desconhecidos tenham presenciado algum momento
que a noite pensou ter roubado apenas para si
talvez haja frases escritas
a cor de gasolina nestas paredes escurecidas
frases que não conseguimos ler no meio deste fumo denso
que pode ser dos carros ou das lembranças
em cada recanto
és tu
em cada sítio improvável
és tu
a dar-me asas
iv
todos se riem como se fosse a última vez
e dois desconhecidos tomam-se nos seus braços
e numa espécie de chuva de sol eu fico sem ver
apesar de ter a cidade toda nos meus olhos
e é o mais próximo de um dia perfeito que pode existir
o primeiro bater do coração
podes já ter esquecido
isto faz-te algum sentido?
que memórias posso eu descrever?
era o mês de maio a morrer
e outro tempo qualquer a surgir naquele lugar
é isto que eu vou guardar
quando os meus olhos se fecharem
para o último beijo
as conversas confundem-se no ar
e alguém grita pela conta no meio da confusão
junto do balcão dois desconhecidos tocam-se
e há dois lábios que se reconhecem
e é o mais próximo de um dia perfeito que pode existir
um novo bater do coração
e é só um momento
um despertar violento
que memórias posso eu descrever?
era um mês qualquer a correr
e nós como se nunca tivéssemos saídos do lugar
é isto que eu vou guardar
quando os meus olhos se fecharem
para o último beijo
v
não é nada sério
é só por agora
para me tirar a fadiga
e me distrair
não é nada sério
não há que pensar
se eu te disser
“nunca conheci ninguém como tu”
é só um engate
não é nada sério
por entre dois copos
pouco mais que um flirt
não é preciso mais
esta noite
não é nada sério
só te quero para a vida inteira
vi
não guardes esta carta numa caixa qualquer que depois deixes esquecida
não guardes esta carta num caderno que arquivas numa estante qualquer
dobra-a em quatro e guarda-a no bolso da camisa
para ficar perto do teu coração
ali onde eu espero poder ficar para sempre
guarda - bem - esta - carta
não guardes esta carta numa gaveta num armário que o pó há-de cobrir
não guardes esta carta num livro que te lembra vagamente quem eu sou
rasga-a se quiseres mas cola depois os pedaços
e guarda-os debaixo da almofada
ali onde começam os teus sonhos todos
guarda - bem - esta - carta
não guardes esta carta numa agenda de um ano que acabarás por esquecer
não guardes esta carta num dicionário junto a uma palavra sem significado
pega-a com as mãos que eu queria em mim
e guarda-a no bolso da tua saia
ali onde também deves sentir a minha falta
guarda - bem - esta - carta
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quantas regras é que nós quebrámos
quantas regras ainda desafiamos
na verdade
mudámos tudo
ou não foi isso que fizemos?
partimos portas de outras casas
e instalámo-nos sem licença
sem vergonha
e quando penso nisso é como se o meu corpo se abrisse
como se o meu corpo se abrisse
para um raio de sol
foi uma explosão de vermelho-sangue
mas só ficaram os beijos
e é como se o meu corpo se abrisse
quando penso nisso
como se ele se abrisse
para um raio de sol vermelho sangue
e quando essa luz entra pela fresta de carne do meu peito
só preciso de ti
só preciso de ti
e foi a isso que chamámos amor
às novas regras
às portas partidas
às explosões
aos raios de sol
foi a isso que chamámos amor
e só ficaram os beijos
e eu só preciso de ti
foi a isso que chamámos amor
e eu só preciso de ti
ii
perdido numa canção
escrita pela solidão
eu declaro que não te quero agora
só quando eu estiver mais alto do que a lua
só quando eu fizer rir quem chora
só quando eu tiver o meu nome na tua rua
só quando eu for maior
iii
talvez haja fantasmas nestas ruas
talvez por detrás das cortinas hoje fechadas
olhos desconhecidos tenham presenciado algum momento
que a noite pensou ter roubado apenas para si
talvez haja frases escritas
a cor de gasolina nestas paredes escurecidas
frases que não conseguimos ler no meio deste fumo denso
que pode ser dos carros ou das lembranças
em cada recanto
és tu
em cada sítio improvável
és tu
a dar-me asas
iv
todos se riem como se fosse a última vez
e dois desconhecidos tomam-se nos seus braços
e numa espécie de chuva de sol eu fico sem ver
apesar de ter a cidade toda nos meus olhos
e é o mais próximo de um dia perfeito que pode existir
o primeiro bater do coração
podes já ter esquecido
isto faz-te algum sentido?
que memórias posso eu descrever?
era o mês de maio a morrer
e outro tempo qualquer a surgir naquele lugar
é isto que eu vou guardar
quando os meus olhos se fecharem
para o último beijo
as conversas confundem-se no ar
e alguém grita pela conta no meio da confusão
junto do balcão dois desconhecidos tocam-se
e há dois lábios que se reconhecem
e é o mais próximo de um dia perfeito que pode existir
um novo bater do coração
e é só um momento
um despertar violento
que memórias posso eu descrever?
era um mês qualquer a correr
e nós como se nunca tivéssemos saídos do lugar
é isto que eu vou guardar
quando os meus olhos se fecharem
para o último beijo
v
não é nada sério
é só por agora
para me tirar a fadiga
e me distrair
não é nada sério
não há que pensar
se eu te disser
“nunca conheci ninguém como tu”
é só um engate
não é nada sério
por entre dois copos
pouco mais que um flirt
não é preciso mais
esta noite
não é nada sério
só te quero para a vida inteira
vi
não guardes esta carta numa caixa qualquer que depois deixes esquecida
não guardes esta carta num caderno que arquivas numa estante qualquer
dobra-a em quatro e guarda-a no bolso da camisa
para ficar perto do teu coração
ali onde eu espero poder ficar para sempre
guarda - bem - esta - carta
não guardes esta carta numa gaveta num armário que o pó há-de cobrir
não guardes esta carta num livro que te lembra vagamente quem eu sou
rasga-a se quiseres mas cola depois os pedaços
e guarda-os debaixo da almofada
ali onde começam os teus sonhos todos
guarda - bem - esta - carta
não guardes esta carta numa agenda de um ano que acabarás por esquecer
não guardes esta carta num dicionário junto a uma palavra sem significado
pega-a com as mãos que eu queria em mim
e guarda-a no bolso da tua saia
ali onde também deves sentir a minha falta
guarda - bem - esta - carta
- tens medo que eu não saiba o que quero?
- não.
- então acreditas que quero...
- eu não disse isso.
- em que ficamos afinal?
- tenho medo que descubras que estás enganada.
- achas que é possível que nos enganemos sobre estas coisas?
- na verdade não.
- começas a irritar-me!
- queria apenas explicar-te que não acho que não saibas o que queres nem acho que possas estar enganada quanto ao que pensas querer. mas podes já não querer nada disso quando acabar esta frase. tenho a sensação que já quiseste tantas coisas diferentes.
- isso quer dizer que é em mim que não consegues confiar.
- isso quer dizer que és uma caixinha de surpresas. e que eu não quereria o que quero o quanto quero se tu fosses de outra forma.
- não me querias de outra forma mas não sabes como me ter sendo como sou.
- não te quero de outra forma isso é certo.
- tu queres-me?
- sim. agora. amanhã. ontem.
- então por que foi assim?
- não sei.
- essa resposta não adianta para nada.
- mas é a única verdadeira.
- e onde nos deixa?
- deixa-nos no nosso primeiro beijo e no nosso último beijo e nas coisas que fizemos e nas outras que deixámos para fazer mais tarde.
- quando?
- quando soubermos a resposta à pergunta: por que foi assim?
- por que foi?
- vou ali inventar uma resposta. para que possamos ser.
- dizes-me que me amas?
- digo-o cada vez que acordo e cada vez que adormeço.
- mas eu não ouço.
- amo-te.
- isso não chega.
- não chega para quê?
- não chega para nada. quantas vezes o dissemos e onde é que isso nos levou?
- sempre o diremos uma vez menos do que é necessário. e trouxe-nos aqui. não é um sítio lindo?
- sim. mas sabe a pouco.
- sim. mas sabe a muito.
- és mesmo parvo.
- não vamos ficar por aqui pois não? preciso que me digas que pelo menos não queres ficar por aqui.
- isso não quer dizer que não morra já tudo agora mesmo.
- nunca te pedi nada. talvez só que dissesses que sentimos o mesmo.
- não sabes que isso é verdade?
- sim. e o que vamos fazer?
- o que te apetece fazer?
- pegar-te na mão e arrancar-te do chão e mostrar-te o mundo todo e apontar-te o universo e dizer-te: a minha felicidade é maior do que o espaço que nos rodeia. olhar para ti bem nos teus olhos. lembrar o primeiro olhar. juro que ainda sinto o mesmo.
- descreve-me o que sentes...
- tenho as pernas a tremer. as palavras prendem-se na língua. os meus braços são como dois corpos estranhos que não sabem como estar senão à tua volta.
- queres fazer tudo isso agora?
- quero fazer tudo isto para sempre.
2 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
- não.
- então acreditas que quero...
- eu não disse isso.
- em que ficamos afinal?
- tenho medo que descubras que estás enganada.
- achas que é possível que nos enganemos sobre estas coisas?
- na verdade não.
- começas a irritar-me!
- queria apenas explicar-te que não acho que não saibas o que queres nem acho que possas estar enganada quanto ao que pensas querer. mas podes já não querer nada disso quando acabar esta frase. tenho a sensação que já quiseste tantas coisas diferentes.
- isso quer dizer que é em mim que não consegues confiar.
- isso quer dizer que és uma caixinha de surpresas. e que eu não quereria o que quero o quanto quero se tu fosses de outra forma.
- não me querias de outra forma mas não sabes como me ter sendo como sou.
- não te quero de outra forma isso é certo.
- tu queres-me?
- sim. agora. amanhã. ontem.
- então por que foi assim?
- não sei.
- essa resposta não adianta para nada.
- mas é a única verdadeira.
- e onde nos deixa?
- deixa-nos no nosso primeiro beijo e no nosso último beijo e nas coisas que fizemos e nas outras que deixámos para fazer mais tarde.
- quando?
- quando soubermos a resposta à pergunta: por que foi assim?
- por que foi?
- vou ali inventar uma resposta. para que possamos ser.
- dizes-me que me amas?
- digo-o cada vez que acordo e cada vez que adormeço.
- mas eu não ouço.
- amo-te.
- isso não chega.
- não chega para quê?
- não chega para nada. quantas vezes o dissemos e onde é que isso nos levou?
- sempre o diremos uma vez menos do que é necessário. e trouxe-nos aqui. não é um sítio lindo?
- sim. mas sabe a pouco.
- sim. mas sabe a muito.
- és mesmo parvo.
- não vamos ficar por aqui pois não? preciso que me digas que pelo menos não queres ficar por aqui.
- isso não quer dizer que não morra já tudo agora mesmo.
- nunca te pedi nada. talvez só que dissesses que sentimos o mesmo.
- não sabes que isso é verdade?
- sim. e o que vamos fazer?
- o que te apetece fazer?
- pegar-te na mão e arrancar-te do chão e mostrar-te o mundo todo e apontar-te o universo e dizer-te: a minha felicidade é maior do que o espaço que nos rodeia. olhar para ti bem nos teus olhos. lembrar o primeiro olhar. juro que ainda sinto o mesmo.
- descreve-me o que sentes...
- tenho as pernas a tremer. as palavras prendem-se na língua. os meus braços são como dois corpos estranhos que não sabem como estar senão à tua volta.
- queres fazer tudo isso agora?
- quero fazer tudo isto para sempre.
teria sido qualquer coisa do lado paterno que lhe tinha inculcado aquela desconfiança natural por essa coisa do amor. nunca se tinha dado mal com o cinismo, na verdade, e até se convencera que tinha sido isso que o trouxera até aqui ileso e quase sem feridas. não que nunca se tenha apaixonado, au contraire, que fica sempre bem uma ou outra palavra francesa quando se fala de l'amour! mas quando as razões do coração se confundiram e o fizeram tropeçar ele esteve sempre em condições de esboçar um sorriso e com o ar mais natural do mundo dizer: devia ter comprado uns sapatos melhores. o pragmatismo é uma arma e uns sapatos novos nunca fizeram mal a ninguém.
quando ela chegou ele percebeu. ia mudar. fez de conta que não era nada com ele que é algo que um bom cínico é capaz de fazer com classe absoluta mas tudo lhe saiu imediatamente atabalhoado. sapato algum o ia safar desta! pois que caia, disse ao olhar nos olhos dela no momento exacto em que percebeu que seriam aqueles olhos e aqueles lábios e aquele nariz empinado - maldito nariz empinado - a mudar tudo. olhou por cima do ombro dela e não foi a cidade que ele viu foi o mundo inteiro um mundo qualquer que ele não conhecia mas que percebeu instintivamente que era o mundo novo que alguém guardara para que ele só o descobrisse ao lado dela. e tudo fez sentido.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quando ela chegou ele percebeu. ia mudar. fez de conta que não era nada com ele que é algo que um bom cínico é capaz de fazer com classe absoluta mas tudo lhe saiu imediatamente atabalhoado. sapato algum o ia safar desta! pois que caia, disse ao olhar nos olhos dela no momento exacto em que percebeu que seriam aqueles olhos e aqueles lábios e aquele nariz empinado - maldito nariz empinado - a mudar tudo. olhou por cima do ombro dela e não foi a cidade que ele viu foi o mundo inteiro um mundo qualquer que ele não conhecia mas que percebeu instintivamente que era o mundo novo que alguém guardara para que ele só o descobrisse ao lado dela. e tudo fez sentido.
é nesta cidade de sempre que me crio e me recrio
que me invento mil e uma vezes à procura da primeira vez que te vi
para criar essa memória para ter forma de a guardar
é neste acaso de vielas sombrias e praças ensolaradas
que vagueio eu mesmo entre o dia e a noite
e esta doença bipolar não se afaste de mim nem por um segundo
há mais pedras escuras do que brancas nestas casas
que se amontoam e são tela para as sombras
mas numa parede qualquer eu ainda hei-de escrever que não te esqueci
viajo sempre entre ter-te e não te ter agora ou nunca
entre a estação onde partem os comboios enquanto os amantes ficam
e a torre lá em cima como quem vigia as despedidas sem tempo
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que me invento mil e uma vezes à procura da primeira vez que te vi
para criar essa memória para ter forma de a guardar
é neste acaso de vielas sombrias e praças ensolaradas
que vagueio eu mesmo entre o dia e a noite
e esta doença bipolar não se afaste de mim nem por um segundo
há mais pedras escuras do que brancas nestas casas
que se amontoam e são tela para as sombras
mas numa parede qualquer eu ainda hei-de escrever que não te esqueci
viajo sempre entre ter-te e não te ter agora ou nunca
entre a estação onde partem os comboios enquanto os amantes ficam
e a torre lá em cima como quem vigia as despedidas sem tempo
amanhã vamos subir os dois ao cimo daquela montanha. não sei como a baptizaram e desconheço ao certo a sua altitude e as condições meteorológicas que encontraremos. amanhã descobriremos os dois que é aquele o caminho que queremos seguir e ficaremos surpreendidos por ele sempre ter estado ao alcance da nossa vista. por vezes o mais difícil é aceitar o que está diante dos nossos olhos. pensaremos isso amanhã quando os nossos lábios não puderem soltar uma só palavra.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quero ter frio
quero que os meus ossos quase se quebrem como gelo fino
que a minha pele de tão árida pareça o chão do deserto
que os meus dedos mais pareçam pequenas estátuas de pedra
quero que os vidros se embaciem quando disser o teu nome
que os alertas sejam amarelos e laranjas e vermelhos
que o boletim meteorológico diga alto ao mundo que eu
quero ter frio
para poder ter uma boa desculpa para o desejo que sinto
de te envolver como se o inverno nunca mais fosse acabar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
quero que os meus ossos quase se quebrem como gelo fino
que a minha pele de tão árida pareça o chão do deserto
que os meus dedos mais pareçam pequenas estátuas de pedra
quero que os vidros se embaciem quando disser o teu nome
que os alertas sejam amarelos e laranjas e vermelhos
que o boletim meteorológico diga alto ao mundo que eu
quero ter frio
para poder ter uma boa desculpa para o desejo que sinto
de te envolver como se o inverno nunca mais fosse acabar
estas são as provas. estes são os testemunhos verdadeiros. e derradeiros. estes são os relatos definitivos e finais. por que estaria eu aqui a esta hora se não fosse verdade. se eu não quisesse que viesse a ser verdade que viesse a ser real. e porque estou eu aqui a esta hora se não quero que sejam só palavras escritas por muito verdadeiras derradeiras definitivas ou finais? é sempre a mesma pergunta a esta hora da noite: o que nos separa? é sempre a mesma pergunta a qualquer hora.
na televisão as imagens sucedem-se entre o que é verdadeiro e o que é ficcionado e o que não chega a ser uma coisa nem outra. e eu não distingo os sons nem me preocupo com as imagens. penso em ti e ignoro a pergunta anterior. hoje preocupa-me o que nos une. haverá coisas melhores para fazer do que adormecer lembrando-te e sonhar coisas que podem ainda acontecer? haverá certamente. mas não hoje. hoje eu vou ter-te. e por mais delicodoce e patética que seja essa coisa de ‘seres minha em sonhos’ sempre tenho essa vantagem sobre quem nunca te terá de forma alguma. eu pelo menos sei o que perco.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
na televisão as imagens sucedem-se entre o que é verdadeiro e o que é ficcionado e o que não chega a ser uma coisa nem outra. e eu não distingo os sons nem me preocupo com as imagens. penso em ti e ignoro a pergunta anterior. hoje preocupa-me o que nos une. haverá coisas melhores para fazer do que adormecer lembrando-te e sonhar coisas que podem ainda acontecer? haverá certamente. mas não hoje. hoje eu vou ter-te. e por mais delicodoce e patética que seja essa coisa de ‘seres minha em sonhos’ sempre tenho essa vantagem sobre quem nunca te terá de forma alguma. eu pelo menos sei o que perco.
era urgente fazer uma lista de pessoas a contactar (na circunstância da minha morte)
e por isso eu sentei-me e escrevi os nomes todos
a família os amigos os colegas
os inimigos ainda bem que não esqueci os inimigos
e quem eu amei a vida inteira
e após concluída essa lista de pessoas a contactar (na circunstância da minha morte)
eu sentei-me e fiquei a olhar para os nomes todos
as minúsculas e as maiúsculas
os altos e baixos em que eles me acompanharam
o teu nome em letra pequena
e tive de queimar essa lista de pessoas a contactar (na circunstância da minha morte)
como se por as chamas engolirem os nomes todos
se deixasse de pôr a questão
quem te avisaria da minha morte, quem saberia
que era urgente avisar-te?
quem saberia a razão
porque adio a minha morte
porque escrevo em minúsculas
quem saberia a razão...
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e por isso eu sentei-me e escrevi os nomes todos
a família os amigos os colegas
os inimigos ainda bem que não esqueci os inimigos
e quem eu amei a vida inteira
e após concluída essa lista de pessoas a contactar (na circunstância da minha morte)
eu sentei-me e fiquei a olhar para os nomes todos
as minúsculas e as maiúsculas
os altos e baixos em que eles me acompanharam
o teu nome em letra pequena
e tive de queimar essa lista de pessoas a contactar (na circunstância da minha morte)
como se por as chamas engolirem os nomes todos
se deixasse de pôr a questão
quem te avisaria da minha morte, quem saberia
que era urgente avisar-te?
quem saberia a razão
porque adio a minha morte
porque escrevo em minúsculas
quem saberia a razão...
o problema de se ir longe demais nunca é o local onde se chega. o que importa é se lá chegamos sozinhos ou se connosco está quem nos possa dar a mão quando nos apercebermos que longe demais é afinal o espaço aberto sob os nossos pés. e caindo nesse infinito na verdade não caímos se caírem connosco.
o mesmo com as palavras que dizemos a mais. o mesmo com as frases que nos levam longe demais. nunca sei se estarás lá com a tua mão na minha se cais comigo num infinito que ambos sabemos que encontrará fim num chão firme. mesmo assim atiro-me. alguém me há-de amparar.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o mesmo com as palavras que dizemos a mais. o mesmo com as frases que nos levam longe demais. nunca sei se estarás lá com a tua mão na minha se cais comigo num infinito que ambos sabemos que encontrará fim num chão firme. mesmo assim atiro-me. alguém me há-de amparar.
sentar-me e esquecer o cansaço. largar os braços nas costas do sofá e deixar-te deitar a cabeça no meu colo. para que me ouvisses a queixar de mais um dia de como este havia sido pior do que todos os outros. e no fim acalmares-me como costumavas só com o teu olhar. para depois dizeres para eu não ser assim quase parecendo irritada.
para eu sorrir
para eu perceber
que te amo ainda.
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
para eu sorrir
para eu perceber
que te amo ainda.
talvez um dia eu te diga da falta toda que me fazes
da noite da chuva de todos os elementos naturais
que me recordam que o mais natural
seria abraçar-te quando preciso abraçar-te
mas eu não digo e mesmo quando digo que digo tudo
é porque não quero que saibas que o que sinto por ti
no meio do medo de não te vir a ter
não tem data prazo forma definida ou limites
e só por isso se explica que o amor que nunca tivemos
não tenha vergonha de não ter e não fazer sentido
e se arrogue poses de modelo a seguir
por quem quer saber o que é isso de amar
deixa-me ser por vezes delicodoce quase até ao fastio
que só isso corta a acidez natural do meu coração
e se algum dia eu te disser que não te amo mais
pergunta-me apenas por que estou a mentir...
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
da noite da chuva de todos os elementos naturais
que me recordam que o mais natural
seria abraçar-te quando preciso abraçar-te
mas eu não digo e mesmo quando digo que digo tudo
é porque não quero que saibas que o que sinto por ti
no meio do medo de não te vir a ter
não tem data prazo forma definida ou limites
e só por isso se explica que o amor que nunca tivemos
não tenha vergonha de não ter e não fazer sentido
e se arrogue poses de modelo a seguir
por quem quer saber o que é isso de amar
deixa-me ser por vezes delicodoce quase até ao fastio
que só isso corta a acidez natural do meu coração
e se algum dia eu te disser que não te amo mais
pergunta-me apenas por que estou a mentir...
quando os músculos se renderam
e fizeram da cama sepultura eterna
pelo menos por uns segundos
ele fechou os olhos e decidiu que ela ia estar ao seu lado
ele sentiu o coração descoordenar-se
e inspirou tão fundo quanto conseguiu
e ao deixar o peito retornar a si
sentiu então a respiração dela ainda quente nos seus lábios
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e fizeram da cama sepultura eterna
pelo menos por uns segundos
ele fechou os olhos e decidiu que ela ia estar ao seu lado
ele sentiu o coração descoordenar-se
e inspirou tão fundo quanto conseguiu
e ao deixar o peito retornar a si
sentiu então a respiração dela ainda quente nos seus lábios
i
ser-me-ia extremamente útil escrever algo com nomes próprios. o jeito que não me dava inserir seis ou sete nomes no meio dos devaneios habituais sobre o amor e o desejo e a paixão e todos esses substantivos comuns tão comuns que quase me apetece escrever em cores vivas numa parede qualquer da cidade: abaixo o amor! morra o desejo! desarme-se a paixão!
tenho a certeza de que há nomes próprios suficientes para uns quantos parágrafos. sílvia, clara, marta, márcia, luísa, elizabete, filipa, mais um ou outro que teria de inventar por não ter decorado. mas de que me servem? já os esqueci todos. o teu ficou e seria capaz de o gritar non-stop as horas que fossem precisas para perceberes como ficaria bem no meu apelido.
ii
dizem que é natal lá fora. talvez. não me custa acreditar que não seja uma nave alienígena que vai piscando e replicando-se nos reflexos do vidro duplo que na janela me protege da noite. mas eu não acredito no menino jesus e o pai natal por entre a roupa vermelha e as barbas brancas sempre me pareceu demasiado marxista para ser verdadeiro ou pelo menos credível.
preciso de um milagre diferente. isto da natividade tem o óbice intransponível de me obrigar a acreditar no sentido do mundo e eu não sou capaz. acredito em ti e pouco mais. às vezes acredito em nós mas depois tenho medo que não acredites também e que as luzes de natal se apaguem todas num curto-circuito salgado. vou-me deitar e esperar pela meia-noite.
iii
queria ter-te sempre a um pouco menos que um braço de distância. para poder abraçar-te a qualquer altura e abraçando-te dizer: nunca te vou largar, mesmo que no segundo seguinte já os meus braços abertos te tivessem feito sentir livre. a esta distância poderia sempre tocar-te. e apenas conseguirias olhar para os meus olhos não percebendo assim como estou velho.
é a mesma distância segura quando escrevo. quase te tenho encostada a mim espreitando por cima do meu ombro para ler as palavras. se ao menos eu pudesse virar-me para trás e pegar na tua cara com as minhas mãos e chamar a tua boca à minha boca e levantar o teu corpo do chão e deitá-lo na cama e só te libertar depois de teres gritado tudo o que tinhas para gritar.
iv
se passeássemos juntos eu acho que daríamos as mãos. eu gostava de passear de mão dada contigo dessa forma ridícula que só quem ama de verdade é capaz. dava-te a minha mão direita que é do braço mais forte para ter a certeza de que poderia puxar-te para mim sempre que algo me surpreendesse e quisesse partilhá-lo contigo num beijo longo no meio da rua.
os dedos entrelaçar-se-iam. os passos seriam interrompidos constantemente por mais uma urgência de olhar de tocar de sentir-te ali comigo. é isso que acontece quando na minha solidão caminho contigo nas ruas desta cidade. por vezes de tão perto que te tive tenho de parar para perceber onde estou. ainda não sei. mas confio que me conseguirás encontrar.
v
olho para os comboios na estação e apetece-me chorar. o dia em que eu conseguir explicar-te o porquê será o dia em que conseguirei saber por que te amo desta forma. não me importam uma e outra respostas. sei que o comboio me leva se tiver o bilhete certo. sei que o teu amor faz o mesmo. só que por vezes ficamos parados à beira da linha a ver passar as carruagens.
e se o teu amor for um comboio em andamento não feches as portas até saíres da estação. eu vou a correr arrisco o salto mesmo que a linha me olhe lá em baixo com sobranceria. é como se tivesse gasto todo o meu dinheiro neste bilhete de ida e naquele pedaço de cartão rectangular estivessem as minhas esperanças de felicidade. guardas o meu bilhete junto ao teu coração?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
ser-me-ia extremamente útil escrever algo com nomes próprios. o jeito que não me dava inserir seis ou sete nomes no meio dos devaneios habituais sobre o amor e o desejo e a paixão e todos esses substantivos comuns tão comuns que quase me apetece escrever em cores vivas numa parede qualquer da cidade: abaixo o amor! morra o desejo! desarme-se a paixão!
tenho a certeza de que há nomes próprios suficientes para uns quantos parágrafos. sílvia, clara, marta, márcia, luísa, elizabete, filipa, mais um ou outro que teria de inventar por não ter decorado. mas de que me servem? já os esqueci todos. o teu ficou e seria capaz de o gritar non-stop as horas que fossem precisas para perceberes como ficaria bem no meu apelido.
ii
dizem que é natal lá fora. talvez. não me custa acreditar que não seja uma nave alienígena que vai piscando e replicando-se nos reflexos do vidro duplo que na janela me protege da noite. mas eu não acredito no menino jesus e o pai natal por entre a roupa vermelha e as barbas brancas sempre me pareceu demasiado marxista para ser verdadeiro ou pelo menos credível.
preciso de um milagre diferente. isto da natividade tem o óbice intransponível de me obrigar a acreditar no sentido do mundo e eu não sou capaz. acredito em ti e pouco mais. às vezes acredito em nós mas depois tenho medo que não acredites também e que as luzes de natal se apaguem todas num curto-circuito salgado. vou-me deitar e esperar pela meia-noite.
iii
queria ter-te sempre a um pouco menos que um braço de distância. para poder abraçar-te a qualquer altura e abraçando-te dizer: nunca te vou largar, mesmo que no segundo seguinte já os meus braços abertos te tivessem feito sentir livre. a esta distância poderia sempre tocar-te. e apenas conseguirias olhar para os meus olhos não percebendo assim como estou velho.
é a mesma distância segura quando escrevo. quase te tenho encostada a mim espreitando por cima do meu ombro para ler as palavras. se ao menos eu pudesse virar-me para trás e pegar na tua cara com as minhas mãos e chamar a tua boca à minha boca e levantar o teu corpo do chão e deitá-lo na cama e só te libertar depois de teres gritado tudo o que tinhas para gritar.
iv
se passeássemos juntos eu acho que daríamos as mãos. eu gostava de passear de mão dada contigo dessa forma ridícula que só quem ama de verdade é capaz. dava-te a minha mão direita que é do braço mais forte para ter a certeza de que poderia puxar-te para mim sempre que algo me surpreendesse e quisesse partilhá-lo contigo num beijo longo no meio da rua.
os dedos entrelaçar-se-iam. os passos seriam interrompidos constantemente por mais uma urgência de olhar de tocar de sentir-te ali comigo. é isso que acontece quando na minha solidão caminho contigo nas ruas desta cidade. por vezes de tão perto que te tive tenho de parar para perceber onde estou. ainda não sei. mas confio que me conseguirás encontrar.
v
olho para os comboios na estação e apetece-me chorar. o dia em que eu conseguir explicar-te o porquê será o dia em que conseguirei saber por que te amo desta forma. não me importam uma e outra respostas. sei que o comboio me leva se tiver o bilhete certo. sei que o teu amor faz o mesmo. só que por vezes ficamos parados à beira da linha a ver passar as carruagens.
e se o teu amor for um comboio em andamento não feches as portas até saíres da estação. eu vou a correr arrisco o salto mesmo que a linha me olhe lá em baixo com sobranceria. é como se tivesse gasto todo o meu dinheiro neste bilhete de ida e naquele pedaço de cartão rectangular estivessem as minhas esperanças de felicidade. guardas o meu bilhete junto ao teu coração?
se continuares, assim, nos meus sonhos
que riscos existem de que só por lá fiques?
talvez eu devesse deixar de sonhar-te
obrigando-me a ficar acordado
entretido
com as horas a passar
no intervalo entre o sonho e a realidade
entretanto
vou guardando-te quando durmo
lembrando-te quando acordo.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que riscos existem de que só por lá fiques?
talvez eu devesse deixar de sonhar-te
obrigando-me a ficar acordado
entretido
com as horas a passar
no intervalo entre o sonho e a realidade
entretanto
vou guardando-te quando durmo
lembrando-te quando acordo.
eu quase te vi
e mesmo tendo desviado o olhar
ficou tão claro
mas não como quando olhamos o sol
e tudo se torna invisível
foi como uma revelação
seja lá isso o que for
e naqueles centésimos de segundo
eu pude escolher
e descobri que há coisas
para as quais não estou preparado
talvez mais tarde
talvez nunca
mas agora com toda a certeza não
no final daquele momento
eu voei e pude ver
quem nós somos
e como é o mundo
então desprendi-me de ti
do nosso abraço primordial
do nosso beijo único
mas quando desci
dei por mim noutro tempo
e de forma inédita havia certezas
e nós os dois
compreendíamos enfim
por que tinham valido a pena
todos os olhares que desviámos
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e mesmo tendo desviado o olhar
ficou tão claro
mas não como quando olhamos o sol
e tudo se torna invisível
foi como uma revelação
seja lá isso o que for
e naqueles centésimos de segundo
eu pude escolher
e descobri que há coisas
para as quais não estou preparado
talvez mais tarde
talvez nunca
mas agora com toda a certeza não
no final daquele momento
eu voei e pude ver
quem nós somos
e como é o mundo
então desprendi-me de ti
do nosso abraço primordial
do nosso beijo único
mas quando desci
dei por mim noutro tempo
e de forma inédita havia certezas
e nós os dois
compreendíamos enfim
por que tinham valido a pena
todos os olhares que desviámos
quase a bater o recorde mundial
que se icem as bandeiras
e se ensaiem os hinos
que se montem os pódios
que se escolha o melhor vinho
e se encomendem as flores
que se contrate a banda
e se convidem as figuras
e também os figurões
que se chame o Guinness
- e a Santa Casa, quem a convoca?
que se encham os balões
que se grite
que se cante
e que festeje
quem tiver razões para festejar
este quase a acontecer
este quase a rebentar
o momento nunca visto
(entrem as cornetas
quem é que se esqueceu das cornetas?
agora o apresentador!)
"senhoras e senhores,
os detentores do recorde mundial e pessoal"
e enquanto os foguetes
que alguém incendiou
rebentam já no ar
nós finalmente reparamos:
nunca tanto tempo passou sem que disséssemos 'amo-te'
- o que estou eu a festejar?
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que se icem as bandeiras
e se ensaiem os hinos
que se montem os pódios
que se escolha o melhor vinho
e se encomendem as flores
que se contrate a banda
e se convidem as figuras
e também os figurões
que se chame o Guinness
- e a Santa Casa, quem a convoca?
que se encham os balões
que se grite
que se cante
e que festeje
quem tiver razões para festejar
este quase a acontecer
este quase a rebentar
o momento nunca visto
(entrem as cornetas
quem é que se esqueceu das cornetas?
agora o apresentador!)
"senhoras e senhores,
os detentores do recorde mundial e pessoal"
e enquanto os foguetes
que alguém incendiou
rebentam já no ar
nós finalmente reparamos:
nunca tanto tempo passou sem que disséssemos 'amo-te'
- o que estou eu a festejar?
provavelmente é o cansaço que me rouba as defesas. que me deixa exangue e exausto e já tão cansado que não me apetece mais ser quem não sou mas toma a minha existência na maioria das vinte e quatro horas do dia. de qualquer dia de todos os dias. e este peso em cima das minhas pernas dos meus ombros este troar ribombante na minha cabeça que não cessa a não ser quando começam a rugir as guitarras é este já não aguentar mais que me despe. e já tão indefeso é que eu me lembro que só fiquei assim sem me conseguir ocultar quando te conheci. e cansado admito para mim
- as ruas ainda são as mesmas quando a noite chega. mesmo que não estejam no mesmo sítio e que os prédios sejam outros e não haja ninguém a correr atrás de mim são os meus passos de há anos atrás que vou pisando. como quem se lembra de olhos fechados. e de olhos fechados é que se encontra a felicidade.
os quilómetros e as vertigens do percurso deixam o meu peito feito num oito. e de peito aberto eu não consigo fingir que te esqueci não consigo esquecer que te amei que não te soube amar que não sei não te amar. mas o que importa o que nos faz dizer o cansaço? que importa a verdade quando arrancada das gotas de suor e da respiração que diz
- o meu coração parece que só sabe bater por ti. quando não estás é como se não encontrasse um ritmo. é um soldado à procura da paz mas só sabendo como reagir no campo de guerra e a guerra não nos cansa mata-nos.
no intervalo dos soluços provocados pela evasão das forças escondo-me mais um pouco. não te digo nada. não te conto. convoco os poucos músculos que se conseguem ainda saber existir e quase parece que rezo se rezar fosse coisa em que acreditasse quase parece que peço para que não saibas. é melhor assim. mesmo cansado ainda consigo abrir os olhos para ver que não resistiria se tivesse de fazer o caminho de volta para o sítio onde ainda não sabia quem eras.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
- as ruas ainda são as mesmas quando a noite chega. mesmo que não estejam no mesmo sítio e que os prédios sejam outros e não haja ninguém a correr atrás de mim são os meus passos de há anos atrás que vou pisando. como quem se lembra de olhos fechados. e de olhos fechados é que se encontra a felicidade.
os quilómetros e as vertigens do percurso deixam o meu peito feito num oito. e de peito aberto eu não consigo fingir que te esqueci não consigo esquecer que te amei que não te soube amar que não sei não te amar. mas o que importa o que nos faz dizer o cansaço? que importa a verdade quando arrancada das gotas de suor e da respiração que diz
- o meu coração parece que só sabe bater por ti. quando não estás é como se não encontrasse um ritmo. é um soldado à procura da paz mas só sabendo como reagir no campo de guerra e a guerra não nos cansa mata-nos.
no intervalo dos soluços provocados pela evasão das forças escondo-me mais um pouco. não te digo nada. não te conto. convoco os poucos músculos que se conseguem ainda saber existir e quase parece que rezo se rezar fosse coisa em que acreditasse quase parece que peço para que não saibas. é melhor assim. mesmo cansado ainda consigo abrir os olhos para ver que não resistiria se tivesse de fazer o caminho de volta para o sítio onde ainda não sabia quem eras.
tenho de deixar a água correr
às três da manhã
quase estátua clássica
a minha face branca tocada pela incoloridade
quase imagem mil vezes usada
- a água que nos lava os pecados
(e o desejo? quem doma o desejo?)
e enquanto o vapor se eleva
quase não vejo
e por essa razão natural
quase não preciso já fechar os meus olhos
para sair de mim mesmo
- foi por isso que a água correu
(e o mar? quem substitui o mar?)
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
às três da manhã
quase estátua clássica
a minha face branca tocada pela incoloridade
quase imagem mil vezes usada
- a água que nos lava os pecados
(e o desejo? quem doma o desejo?)
e enquanto o vapor se eleva
quase não vejo
e por essa razão natural
quase não preciso já fechar os meus olhos
para sair de mim mesmo
- foi por isso que a água correu
(e o mar? quem substitui o mar?)
não me lembro se foi apaixonado ou temente
temerário ou quase crente
quase aposto que foi insolente
insubordinado
e malcriado
como o amor sempre foi e deve ser
não sei já se era noite ou se ainda era dia
se era Verão ou se chovia
a adrenalina aposto que subia
mas foi louco
soube a pouco
terá sido como todo e qualquer um
e se em cada beijo ainda estás
porque se evaporou o nosso último momento a dois
não deixando mais do que uma interrogação
sendo o último quantos mais beijos derradeiros pode haver depois
faz-me falta essa memória
se outras memórias não vierem a nascer no amanhã
como fazer com a despedida que não houve
e como acreditar que toda a noite acaba com a chegada da manhã
não me beijem que eu não quero ser beijado
esse beijo não foi roubado
mas eu acabei preso e condenado
e sem apelo
o meu libelo:
outro beijo não poderá ser o último
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
temerário ou quase crente
quase aposto que foi insolente
insubordinado
e malcriado
como o amor sempre foi e deve ser
não sei já se era noite ou se ainda era dia
se era Verão ou se chovia
a adrenalina aposto que subia
mas foi louco
soube a pouco
terá sido como todo e qualquer um
e se em cada beijo ainda estás
porque se evaporou o nosso último momento a dois
não deixando mais do que uma interrogação
sendo o último quantos mais beijos derradeiros pode haver depois
faz-me falta essa memória
se outras memórias não vierem a nascer no amanhã
como fazer com a despedida que não houve
e como acreditar que toda a noite acaba com a chegada da manhã
não me beijem que eu não quero ser beijado
esse beijo não foi roubado
mas eu acabei preso e condenado
e sem apelo
o meu libelo:
outro beijo não poderá ser o último
como se fosse possível escolher o que sairá dos meus dedos... como se eles obedecessem a outra vontade que não a sua própria à excepção das vezes em que tão cansados estão de bater desesperadamente na mesa como quem quer dar um sinal de que te aguarda que se deixam ficar e obedecem às ordens de um coração que já não sabe o que espera... como se eu tivesse algo de importante para dizer e não só clichés e não só frases-feitas nem sempre pelos outros às vezes feitas e repetidas à exaustão por mim mesmo.
o meu livro seria o maior flop comercial e artístico de todos os tempos como o barco que não se afundaria e caiu na primeira noite não desconfiando sequer que hollywood estragaria tão metaforicamente rica trajectória… tenho demasiados demónios interiores para conseguir escrever sobre eles e mesmo que conseguisse eram os meus e são só meus e que interesse podem ter... o meu livro são os dias e são os sorrisos e são as lágrimas e são as mãos que se colam à cara porque já não suportam a luz e são os copos vazios e as folhas cheias folhas impressas que não dariam para fazer um livro que se visse.
e embora eu quisesse ser o meu herói literário e ser como ele o melhor do mundo a contar as angústias felizes que são alegres e tristes ao mesmo tempo sem percebermos se são uma coisa ou outra eu não sou um lobo antunes serei nas vezes em que a saudade me permite um lobo mau o que não é bem a mesma coisa... e tenho tantos mundos dentro de mim tantos planetas que dariam bons livros... mas na literatura a sério não há astronautas perdidos com saudades de uma casa que não conheceram com declarações de amor como frases finais isso só na música pop.
posso fazer uma canção. não posso escrever um romance.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o meu livro seria o maior flop comercial e artístico de todos os tempos como o barco que não se afundaria e caiu na primeira noite não desconfiando sequer que hollywood estragaria tão metaforicamente rica trajectória… tenho demasiados demónios interiores para conseguir escrever sobre eles e mesmo que conseguisse eram os meus e são só meus e que interesse podem ter... o meu livro são os dias e são os sorrisos e são as lágrimas e são as mãos que se colam à cara porque já não suportam a luz e são os copos vazios e as folhas cheias folhas impressas que não dariam para fazer um livro que se visse.
e embora eu quisesse ser o meu herói literário e ser como ele o melhor do mundo a contar as angústias felizes que são alegres e tristes ao mesmo tempo sem percebermos se são uma coisa ou outra eu não sou um lobo antunes serei nas vezes em que a saudade me permite um lobo mau o que não é bem a mesma coisa... e tenho tantos mundos dentro de mim tantos planetas que dariam bons livros... mas na literatura a sério não há astronautas perdidos com saudades de uma casa que não conheceram com declarações de amor como frases finais isso só na música pop.
posso fazer uma canção. não posso escrever um romance.
[um morto e um ferido grave]
vou fazendo a minha revista de imprensa sem dar pelas notícias que elas mais não são do que letras negras num papel já demasiado sujo dos dedos que escorraçaram a tinta das formas a que estava confinada. o que dizem os jornais? perguntas-me sem que o faças sem que o possas fazer sem que partilhes a minha leitura nocturna das notícias do dia anterior. vivo a minha vida no passado mas antes fosse apenas este passado de vinte e quatro horas mas parecem mais vinte e quatro anos. nada de novo alguém morreu alguém nasceu, respondo-te eu sem que me ouças sem que estejas aqui para me escutar. e confesso-te, tenho saudades de quando me escutavas de quando o fingias, mas tu não me podes ouvir.
[um morto e dois feridos graves]
e as notícias que não mudam que não se reescrevem só porque me feri na realidade. e eu que insisto em ler as páginas seguintes quando não estou já aqui neste sofá estou no teu e a tua cabeça repousa nas minhas pernas e os meus dedos não viram páginas sujas de jornal sobem e descem pelo teu pescoço e pela tua cara desenhando as letras da palavra, amo-te. fui eu que o disse, e tu viras-te e perguntas, o que disseste? mas não foi isso fui eu a imaginar tu não estás aqui e nem sei se ainda estás deitada no meu colo. o que disseste? parece-me que te ouvi repetir, e eu não quis repetir-me também, amo-te, para não te cansar. até porque as páginas dos jornais já o tinham feito saber.
[...]
dobro o jornal. hoje não há notícias boas, anuncio-te na evidência dura da tua ausência. e tu que ainda me envolves que ainda me sorris com todo o corpo que ainda entregas a tua língua na minha boca, nem uma apenas? e eu acho estúpido que o perguntes quando não estás ao pé de mim. olho lá para fora e com um olhar distante que pretende mostrar como sou um tipo dado a essas coisas da reflexão, como queres que ache boas as notícias que não dizem que afinal chegas que afinal ficas que afinal nunca deixámos de estar aqui neste sofá a ler o jornal ou a ver a televisão. e enquanto vejo o meu reflexo projectado pela noite na janela e me desvendo a mim mesmo afinal um pragmático é a tua voz que diz, anda vamos dormir. e há manchetes a nascer dentro de mim.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
vou fazendo a minha revista de imprensa sem dar pelas notícias que elas mais não são do que letras negras num papel já demasiado sujo dos dedos que escorraçaram a tinta das formas a que estava confinada. o que dizem os jornais? perguntas-me sem que o faças sem que o possas fazer sem que partilhes a minha leitura nocturna das notícias do dia anterior. vivo a minha vida no passado mas antes fosse apenas este passado de vinte e quatro horas mas parecem mais vinte e quatro anos. nada de novo alguém morreu alguém nasceu, respondo-te eu sem que me ouças sem que estejas aqui para me escutar. e confesso-te, tenho saudades de quando me escutavas de quando o fingias, mas tu não me podes ouvir.
[um morto e dois feridos graves]
e as notícias que não mudam que não se reescrevem só porque me feri na realidade. e eu que insisto em ler as páginas seguintes quando não estou já aqui neste sofá estou no teu e a tua cabeça repousa nas minhas pernas e os meus dedos não viram páginas sujas de jornal sobem e descem pelo teu pescoço e pela tua cara desenhando as letras da palavra, amo-te. fui eu que o disse, e tu viras-te e perguntas, o que disseste? mas não foi isso fui eu a imaginar tu não estás aqui e nem sei se ainda estás deitada no meu colo. o que disseste? parece-me que te ouvi repetir, e eu não quis repetir-me também, amo-te, para não te cansar. até porque as páginas dos jornais já o tinham feito saber.
[...]
dobro o jornal. hoje não há notícias boas, anuncio-te na evidência dura da tua ausência. e tu que ainda me envolves que ainda me sorris com todo o corpo que ainda entregas a tua língua na minha boca, nem uma apenas? e eu acho estúpido que o perguntes quando não estás ao pé de mim. olho lá para fora e com um olhar distante que pretende mostrar como sou um tipo dado a essas coisas da reflexão, como queres que ache boas as notícias que não dizem que afinal chegas que afinal ficas que afinal nunca deixámos de estar aqui neste sofá a ler o jornal ou a ver a televisão. e enquanto vejo o meu reflexo projectado pela noite na janela e me desvendo a mim mesmo afinal um pragmático é a tua voz que diz, anda vamos dormir. e há manchetes a nascer dentro de mim.
dou por mim, de novo
escrevendo em blocos de notas
mergulhando em palavras
que guardei para ti
dou por mim, de novo
não sei se usando ou abusando
de letras minúsculas
e palavras enormes
dou por mim, de novo
rejeitando o círculo vicioso
do quadrado da solidão
multiplicação imbecil
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
escrevendo em blocos de notas
mergulhando em palavras
que guardei para ti
dou por mim, de novo
não sei se usando ou abusando
de letras minúsculas
e palavras enormes
dou por mim, de novo
rejeitando o círculo vicioso
do quadrado da solidão
multiplicação imbecil
eu fui ensinado a acreditar e nunca acreditei
fui ensinado a escutar e nunca escutei
por isso podíamos tentar outra coisa
ensina-me a amar-te
mostra-me tudo o que é preciso saber
nesse domínio inescrutável
(se eu usar palavras caras, acreditas mais facilmente
que não sei já tudo o que há saber sobre este tema?)
eu prometo que serei um aluno aplicado
tirarei apontamentos e serei assíduo
aceitarei testes-surpresa sem protestos
e aprenderei logo
como é isso de não te esquecer
nenhum minuto de nenhuma hora
(é uma hipérbole, certo? não vás pensar que é assim
quando é claramente um exagero. não vás pensar...)
não importam os teus métodos pedagógicos
importa é que eu aprenda a matéria
que perceba como renasce quem te ama
que eu saiba de cor
as razões dos sorrisos imprevistos
e os repita quando isso me seja pedido
(não estou a sorrir, estou a treinar, estou a estudar
esse teu jeito. não estava parado a olhar-te, não)
e quando as aulas chegarem enfim ao final
o exame global será uma formalidade
que eu estudarei com empenho o ano inteiro
essa coisa de amar-te
e até conseguirei esquecer
que há 'numerus clausus' no teu coração
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
fui ensinado a escutar e nunca escutei
por isso podíamos tentar outra coisa
ensina-me a amar-te
mostra-me tudo o que é preciso saber
nesse domínio inescrutável
(se eu usar palavras caras, acreditas mais facilmente
que não sei já tudo o que há saber sobre este tema?)
eu prometo que serei um aluno aplicado
tirarei apontamentos e serei assíduo
aceitarei testes-surpresa sem protestos
e aprenderei logo
como é isso de não te esquecer
nenhum minuto de nenhuma hora
(é uma hipérbole, certo? não vás pensar que é assim
quando é claramente um exagero. não vás pensar...)
não importam os teus métodos pedagógicos
importa é que eu aprenda a matéria
que perceba como renasce quem te ama
que eu saiba de cor
as razões dos sorrisos imprevistos
e os repita quando isso me seja pedido
(não estou a sorrir, estou a treinar, estou a estudar
esse teu jeito. não estava parado a olhar-te, não)
e quando as aulas chegarem enfim ao final
o exame global será uma formalidade
que eu estudarei com empenho o ano inteiro
essa coisa de amar-te
e até conseguirei esquecer
que há 'numerus clausus' no teu coração
quem é verdadeiramente feliz não tem um blog
não deixa as lágrimas e os sorrisos num post
não procura a sua alma gémea num comment
não espera pelo nome certo num username
não se tenta esquecer da falta num link
não revive memórias usando um embed player
não encontra mais sentido num código de html do que no caminho de casa
só quem não esquece
só quem procura
só quem não sabe como dizer o que quer dizer
ou não se pode dar ao luxo de o fazer
não se importa com os zeros do sitemeter
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não deixa as lágrimas e os sorrisos num post
não procura a sua alma gémea num comment
não espera pelo nome certo num username
não se tenta esquecer da falta num link
não revive memórias usando um embed player
não encontra mais sentido num código de html do que no caminho de casa
só quem não esquece
só quem procura
só quem não sabe como dizer o que quer dizer
ou não se pode dar ao luxo de o fazer
não se importa com os zeros do sitemeter
se aquela canção não tivesse estragado todas as coisas que se podiam escrever
sobre equações e somas e subtracções e provas dos nove sobre o amor
eu gastaria tanto giz para escrever no quadro negro do meu coração
as contas que sempre fiz e ainda faço no meio da minha inaptidão matemática
- mais ou menos quantas vezes a dividir tudo foi igual a nada e semelhante a tudo -
há coisas que nos saem demasiado rebuscadas para que os outros as pensem verdadeiras
mas as verdades nem sempre são tabuadas com simples contas de somar ou subtrair
são complicadas equações e outras fórmulas matemáticas cujo nome eu desconheço
como desconheço que tipo de operação matemática é expectável que eu faça agora
em que nem contando pelos dedos eu consigo descobrir o valor certo de um amor
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
sobre equações e somas e subtracções e provas dos nove sobre o amor
eu gastaria tanto giz para escrever no quadro negro do meu coração
as contas que sempre fiz e ainda faço no meio da minha inaptidão matemática
- mais ou menos quantas vezes a dividir tudo foi igual a nada e semelhante a tudo -
há coisas que nos saem demasiado rebuscadas para que os outros as pensem verdadeiras
mas as verdades nem sempre são tabuadas com simples contas de somar ou subtrair
são complicadas equações e outras fórmulas matemáticas cujo nome eu desconheço
como desconheço que tipo de operação matemática é expectável que eu faça agora
em que nem contando pelos dedos eu consigo descobrir o valor certo de um amor
não sei
o que resta do que fui
o que sou do que me resta
o que fui no que acabou
não sei
o que me mata no agora
o que me escapa no futuro
o que se foi do passado
não sei
o que me dás para crer
o que me dou por te querer
o que eu quero para ser
não sei
se te amo
ou se me odeio
não sei
o que se escapa de mim
o que de nós se escapou
o que me espera sem ti
não sei
o que queres de mim
se algo queres
não sei
não sei
por que te amo
nem se me odeio
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o que resta do que fui
o que sou do que me resta
o que fui no que acabou
não sei
o que me mata no agora
o que me escapa no futuro
o que se foi do passado
não sei
o que me dás para crer
o que me dou por te querer
o que eu quero para ser
não sei
se te amo
ou se me odeio
não sei
o que se escapa de mim
o que de nós se escapou
o que me espera sem ti
não sei
o que queres de mim
se algo queres
não sei
não sei
por que te amo
nem se me odeio
lançaram tudo para o ar
permitiram-se viver o que sentiam
deram-se essa oportunidade
sem ter certezas nem redes
e inesperadamente
improvavelmente
sobreviveram
largaram tudo no ar
deixaram a terra girar à volta do sol
como se tivesse de ser assim
sem haver outras hipóteses
e surpreendentemente
improvavelmente
sobreviveram
deixaram tudo no ar
rebentaram portas e fizeram janelas
em paredes inexpugnáveis
rebentaram muros
e milagrosamente
improvavelmente
foram felizes
sabiam-se iguais
e esse foi o seu segredo
essa é a fortuna
de quem se quer igual
os outros
cairão no esquecimento
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
permitiram-se viver o que sentiam
deram-se essa oportunidade
sem ter certezas nem redes
e inesperadamente
improvavelmente
sobreviveram
largaram tudo no ar
deixaram a terra girar à volta do sol
como se tivesse de ser assim
sem haver outras hipóteses
e surpreendentemente
improvavelmente
sobreviveram
deixaram tudo no ar
rebentaram portas e fizeram janelas
em paredes inexpugnáveis
rebentaram muros
e milagrosamente
improvavelmente
foram felizes
sabiam-se iguais
e esse foi o seu segredo
essa é a fortuna
de quem se quer igual
os outros
cairão no esquecimento
um coração compatível. onde o sangue encontra a sua casa e se purifica para iniciar um novo caminho e depois regressar e fazer tudo de novo [fazer tudo de novo. o desejo impossível. ter tudo de novo. ter tudo novo] e regressar e regressar e regressar.
um coração compatível. aquele que salva a vida presa por um fio presa por nada a não ser pela hipótese de existir um coração que a resgate. o coração.
um coração compatível. um apelo bem mais interessante do que um livro inteligente um filme entusiasmante uma performance surpreendente. um projecto [projecto-me. nas coisas que escrevo e muito mais nas coisas que calo. que ninguém sabe] que nem a medicina percebe na sua plenitude.
um coração compatível. uma passagem de um ser para outro. ser um e ser outro. ser algo que não existiria sem essa compatibilidade. ser tudo. ao mesmo tempo.
um coração compatível. uma vida nova. assente na força daquele coração suportada por aqueles batimentos confiante na energia daquele músculo. viver sem ser a partir do zero [e do zero partimos e ao zero chegamos mas tudo no meio são números que só são somas se estiveres tu] viver sabendo de duas existências bebendo de duas pessoas diferentes. como deve fazer quem se ama.
um coração compatível. há uma lista de espera dizem os mais cépticos. mas estamos todos interessados em esperar a nossa vez. eu escrevi o meu nome.
um coração compatível. por vezes não chega. tem o corpo de o aceitar. tem o corpo de o saber seu [teu. teu pura e simplesmente teu. independentemente dos actos e das palavras] e de o saber certo para o resto da vida. para o resto da vida que eles criam.
um coração compatível. saber a quem o entregar. saber que a medicina só explica a parte científica mas ainda ignora quase tudo no campo emocional.
um coração compatível. quantos batimentos quantos corações? um dois três. três? se os três batem não será o coração compatível um intruso indesejado? um dois [um e um dois. um e um três. contas tão fáceis de fazer. na minha matemática a equação tem as letras do teu nome] três. que se encontre talvez outro corpo precisado de um coração. mas se o coração não for compatível com ele então que morra.
um e um dois.
um e um três.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
um coração compatível. aquele que salva a vida presa por um fio presa por nada a não ser pela hipótese de existir um coração que a resgate. o coração.
um coração compatível. um apelo bem mais interessante do que um livro inteligente um filme entusiasmante uma performance surpreendente. um projecto [projecto-me. nas coisas que escrevo e muito mais nas coisas que calo. que ninguém sabe] que nem a medicina percebe na sua plenitude.
um coração compatível. uma passagem de um ser para outro. ser um e ser outro. ser algo que não existiria sem essa compatibilidade. ser tudo. ao mesmo tempo.
um coração compatível. uma vida nova. assente na força daquele coração suportada por aqueles batimentos confiante na energia daquele músculo. viver sem ser a partir do zero [e do zero partimos e ao zero chegamos mas tudo no meio são números que só são somas se estiveres tu] viver sabendo de duas existências bebendo de duas pessoas diferentes. como deve fazer quem se ama.
um coração compatível. há uma lista de espera dizem os mais cépticos. mas estamos todos interessados em esperar a nossa vez. eu escrevi o meu nome.
um coração compatível. por vezes não chega. tem o corpo de o aceitar. tem o corpo de o saber seu [teu. teu pura e simplesmente teu. independentemente dos actos e das palavras] e de o saber certo para o resto da vida. para o resto da vida que eles criam.
um coração compatível. saber a quem o entregar. saber que a medicina só explica a parte científica mas ainda ignora quase tudo no campo emocional.
um coração compatível. quantos batimentos quantos corações? um dois três. três? se os três batem não será o coração compatível um intruso indesejado? um dois [um e um dois. um e um três. contas tão fáceis de fazer. na minha matemática a equação tem as letras do teu nome] três. que se encontre talvez outro corpo precisado de um coração. mas se o coração não for compatível com ele então que morra.
um e um dois.
um e um três.
o meu filme
- para usar a tua terminologia -
não é um filme
é um livro de bukowski
escrito entre duas garrafas de whiskey
e uma ideia suicida
que só o álcool consegue afastar
escrito entre duas lâminas aguçadas
e um desejo urgente
que fazem outro sangue correr
o meu filme
- para não fugir à tua definição -
não é um filme
é uma canção de cohen
composta entre dois copos de vinho
e uma visão de um anjo
que confundem sagrado e profano
composta entre duas armas carregadas
e uma marcha épica
que fazem outro sangue estancar
o meu filme
- para aproveitar o teu exemplo -
se fosse um filme
seria um filme de wenders
rodado entre dois bares vazios
e um céu aberto
que transformam nuvens e solos
rodado entre dois prédios decadentes
e um deserto árido
que fazem sangrar a solidão
e esse filme
numa manobra própria de quem nunca
escreveu um livro
compôs uma canção
ou rodou um filme
estaria naquela altura idiota
em que as letras se uniriam no ecrã
para anunciar
“alguns anos mais tarde”
quebrando depois o suspense
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
- para usar a tua terminologia -
não é um filme
é um livro de bukowski
escrito entre duas garrafas de whiskey
e uma ideia suicida
que só o álcool consegue afastar
escrito entre duas lâminas aguçadas
e um desejo urgente
que fazem outro sangue correr
o meu filme
- para não fugir à tua definição -
não é um filme
é uma canção de cohen
composta entre dois copos de vinho
e uma visão de um anjo
que confundem sagrado e profano
composta entre duas armas carregadas
e uma marcha épica
que fazem outro sangue estancar
o meu filme
- para aproveitar o teu exemplo -
se fosse um filme
seria um filme de wenders
rodado entre dois bares vazios
e um céu aberto
que transformam nuvens e solos
rodado entre dois prédios decadentes
e um deserto árido
que fazem sangrar a solidão
e esse filme
numa manobra própria de quem nunca
escreveu um livro
compôs uma canção
ou rodou um filme
estaria naquela altura idiota
em que as letras se uniriam no ecrã
para anunciar
“alguns anos mais tarde”
quebrando depois o suspense
podemos ser o que quisermos. há verdades tão evidentes que não devia ser necessário escrevê-las. como não devia ser necessário procurar respostas para aquelas ocasiões em que alguém insiste em duvidar destas verdades. como defesa ou como manifestação da arrogância própria de quem não se pode dar ao luxo de duvidar das coisas de que se convenceu escreveu mais umas quantas frases que eram armaduras. tu queres? a interrogação não o deixava prosseguir com as suas anotações de axiomas: tu queres? tu queres-me?
[às vezes parece que sabotas deliberadamente o que sinto por ti. outras apenas que o fazes sem querer]
ainda havia dúvidas dentro dele. poucas. quanto mais sabemos quanto mais compreendemos menos certezas temos, e aquela frase típica de quem idolatrava sócrates na sua adolescência parecia-lhe tão idiota quanto sempre parecera. conhece-te a ti mesmo, como podem ser disparatados na vida real os ditos filosóficos de quem nunca teve de lidar com um amor ausente num século xxi repleto de solidão e de luzes de néon e de truques publicitários que nos fazem querer sempre mais e mais e mais. mesmo quando não se quer nada a não ser aqueles braços a tomarem conta de nós e aqueles lábios a fazerem-nos esquecer as certezas e as dúvidas e tudo entre umas e outras.
[se houvesse uma fórmula para tornar reflexivo o amor que entregamos tu já serias minha há muito]
queres ser o meu pinheiro de natal? se ao menos pudéssemos passar pelo dia-a-dia usando apenas um conjunto de idiotices que fazem parte de nós mas que nos sentimos demasiado envergonhados em assumir… e àquela interrogação juntava uma afirmação clara e inequívoca quase uma prece: tenho todo um conjunto de frases ridículas para te confessar o que sinto e basta fazeres um sinal para que eu comece a pronunciá-las. bastaria um sinal. quantas vezes tudo o que falta fazer é o mais fácil e mesmo assim quantas vezes tudo fica por ser feito?
[se visses as luzes que eu vejo agora se te cegassem estes holofotes eu fecharia os teus olhos e far-te-ia esperar pela minha língua]
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
[às vezes parece que sabotas deliberadamente o que sinto por ti. outras apenas que o fazes sem querer]
ainda havia dúvidas dentro dele. poucas. quanto mais sabemos quanto mais compreendemos menos certezas temos, e aquela frase típica de quem idolatrava sócrates na sua adolescência parecia-lhe tão idiota quanto sempre parecera. conhece-te a ti mesmo, como podem ser disparatados na vida real os ditos filosóficos de quem nunca teve de lidar com um amor ausente num século xxi repleto de solidão e de luzes de néon e de truques publicitários que nos fazem querer sempre mais e mais e mais. mesmo quando não se quer nada a não ser aqueles braços a tomarem conta de nós e aqueles lábios a fazerem-nos esquecer as certezas e as dúvidas e tudo entre umas e outras.
[se houvesse uma fórmula para tornar reflexivo o amor que entregamos tu já serias minha há muito]
queres ser o meu pinheiro de natal? se ao menos pudéssemos passar pelo dia-a-dia usando apenas um conjunto de idiotices que fazem parte de nós mas que nos sentimos demasiado envergonhados em assumir… e àquela interrogação juntava uma afirmação clara e inequívoca quase uma prece: tenho todo um conjunto de frases ridículas para te confessar o que sinto e basta fazeres um sinal para que eu comece a pronunciá-las. bastaria um sinal. quantas vezes tudo o que falta fazer é o mais fácil e mesmo assim quantas vezes tudo fica por ser feito?
[se visses as luzes que eu vejo agora se te cegassem estes holofotes eu fecharia os teus olhos e far-te-ia esperar pela minha língua]
hoje acordei e pensei ser de todo o mundo
capaz de num pulo chegar desta coimbra que me limita
à nova iorque onde todos os meus sonhos são possíveis
mas durou tão pouco a minha nova faceta de super-homem
durou tão pouco tempo o resto do meu sonho
de ser capaz de esquecer o ridículo da indumentária
e aparecer voando de dentro de uma cabina telefónica
para te levantar do chão e levar-te até onde fosse possível
ver todo o mundo e coimbra e nova iorque
com um único olhar
hoje acordei e pensei que ainda sonhava
e que essa existência paralela é que era a realidade
e que nova iorque estava já ali à distância de um voo
mas foi tudo tão fugaz que logo percebi não ser kryptonite
a devolver-me à minha ausência de super-poderes
mas antes a tua falta ao meu lado naquele planeta
onde apenas a esperança foi capaz de me fazer chegar
onde só a esperança seria capaz de me fazer permanecer
se não fosse um lex luthor inesperado
a matar-me lentamente
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
capaz de num pulo chegar desta coimbra que me limita
à nova iorque onde todos os meus sonhos são possíveis
mas durou tão pouco a minha nova faceta de super-homem
durou tão pouco tempo o resto do meu sonho
de ser capaz de esquecer o ridículo da indumentária
e aparecer voando de dentro de uma cabina telefónica
para te levantar do chão e levar-te até onde fosse possível
ver todo o mundo e coimbra e nova iorque
com um único olhar
hoje acordei e pensei que ainda sonhava
e que essa existência paralela é que era a realidade
e que nova iorque estava já ali à distância de um voo
mas foi tudo tão fugaz que logo percebi não ser kryptonite
a devolver-me à minha ausência de super-poderes
mas antes a tua falta ao meu lado naquele planeta
onde apenas a esperança foi capaz de me fazer chegar
onde só a esperança seria capaz de me fazer permanecer
se não fosse um lex luthor inesperado
a matar-me lentamente
também pensas em mim quando a noite
é uma distância inultrapassável?
também pensas em mim quando o dia
é uma medida aparentemente infinita?
também tens saudades de coisas de nada
que davas tudo para ainda ter?
também sentes que esta falta te mata por dentro
ao mesmo tempo que te alimenta?
também me procuras nas marcas
que deixamos e nas pistas que construímos?
também te sentes incompleta
mesmo tendo tudo o que o mundo pode dar?
eu tenho um buraco no lugar do coração
tenho um peito aberto à espera de salvação
não tenho fé
mas tenho fé em a reencontrar
e a fé é algo que nos apanha desprevenidos
que não anuncia a sua chegada
mas que a promete
que a garante como certa
mesmo quando não diz nada
mesmo quando os textos
[e bíblias são escritas todos os dias
por quem se ama]
são confusos
quem acredita
acredita sem precisar de ver ou ouvir
e eu não tenho fé
mas tenho fé em te reencontrar
e tenho um buraco no lugar do coração
e um peito aberto à espera de salvação
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
é uma distância inultrapassável?
também pensas em mim quando o dia
é uma medida aparentemente infinita?
também tens saudades de coisas de nada
que davas tudo para ainda ter?
também sentes que esta falta te mata por dentro
ao mesmo tempo que te alimenta?
também me procuras nas marcas
que deixamos e nas pistas que construímos?
também te sentes incompleta
mesmo tendo tudo o que o mundo pode dar?
eu tenho um buraco no lugar do coração
tenho um peito aberto à espera de salvação
não tenho fé
mas tenho fé em a reencontrar
e a fé é algo que nos apanha desprevenidos
que não anuncia a sua chegada
mas que a promete
que a garante como certa
mesmo quando não diz nada
mesmo quando os textos
[e bíblias são escritas todos os dias
por quem se ama]
são confusos
quem acredita
acredita sem precisar de ver ou ouvir
e eu não tenho fé
mas tenho fé em te reencontrar
e tenho um buraco no lugar do coração
e um peito aberto à espera de salvação
paradoxalmente agora que estou tão longe de te ter é que nos sinto tão inapelavelmente juntos para sempre, escreveu ele e ficou a olhar para o resto da folha em branco. o que poderia agora ser escrito que valesse a pena depois daquela frase simultaneamente tanto e tão pouco definitiva?
fez um parágrafo. respirou fundo e levantou-se. saiu de casa e perdeu-se do tempo até regressar. depois de um café bebido sem vontade e sem razões lembrou-se do parágrafo por completar e releu a frase que lhe esgotara as palavras.
nós não podemos deixar de ser um do outro não há nada que não faça sentido no mundo e nós fazemos todo o sentido no meio de todas as coisas que o fazem, e outra frase como uma sentença e ao mesmo tempo como uma pergunta se instalou na folha. e ali em trinta e três fôlegos havia tantas coisas que exigiam outros fôlegos multiplicados por cem ou duzentos mil para poderem ser explicadas. ah mas suster o fôlego num beijo teu... a frase ficou suspensa. como completá-la sem deixar que essa memória ou a construção dessa imagem que consumasse um pouco do desejo não apertasse o músculo que o peito guarda?
[suster o fôlego num beijo teu]
já sabes que me surpreendem os filmes e as canções e os livros com diálogos e letras e passagens que podiam ser teus e meus. escutou com mais atenção a canção que o acompanhava cada vez mais e concluiu que tudo lhes pertencia que não podia deixar de ser assim.
já sabes que me surpreende esta forma tão estranha de ter a certeza de algo que a lei da probabilidade não prevê. e esta justificação da irracionalidade do seu comportamento servia mais para si mesmo. talvez catalogando de pouco normal a sua forma de amar ela pudesse encontrar espaço no mundo.
olhava a noite e pensava na forma como a certeza da chegada da manhã não negava aquelas horas de escuridão antes as legitimava. será assim connosco? ele queria saber o que ela achava porque ele não tinha dúvidas tinha chegado à conclusão de que não se podia dar ao luxo de as ter. se espero por ti é porque chegarás tal como a noite uma espera só existe porque antecede a manhã.
[suster o meu fôlego para sempre em ti]
não chegam as vidas de um gato sete ou nove para as vezes que morreria por ti que já morri que me fizeste renascer. curiosa comparação. não sabia por que a fizera mas riu com gosto ao lê-la e também a este gesto faltava uma justificação. é como se procurasse ainda as razões por que me sento aqui para te escrever as razões por que fico na cama a rever recordações as razões por que revejo fotografias onde sei que não estás na esperança de lá teres aparecido desde a última vez as razões por que te amo.
só aceita morrer quem acredita que renascerá. ele sabia disto. ele que em questões de fé só percebia que os braços de uma mulher são mais poderosos do que os braços de uma cruz puxou para si o seu livro de orações. e no caderno onde guardava todas as coisas escritas encontrou ou escreveu e a incerteza acontece porque o escuro da noite engana os olhos a sua confissão: se precisamos de fé para viver então eu preciso de ti.
[um beijo sela a traição da mesma forma que pode criar a alma]
olhou para as frases escritas. não as apagarei que razões teria para o fazer, disse alto. e por que pensou sequer naquela hipótese? respondeu a si mesmo: às vezes é mais fácil ignorar o que pensamos quando a coragem nos falta para sermos fortes.
queria tanto ser forte queria tanto que o fossemos os dois. farto de frases algures entre a realidade e a abstracção pseudo-literária em que o fascínio pela cultura pop acabava sempre por o mergulhar escreveu uma última palavra. amo-te.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
fez um parágrafo. respirou fundo e levantou-se. saiu de casa e perdeu-se do tempo até regressar. depois de um café bebido sem vontade e sem razões lembrou-se do parágrafo por completar e releu a frase que lhe esgotara as palavras.
nós não podemos deixar de ser um do outro não há nada que não faça sentido no mundo e nós fazemos todo o sentido no meio de todas as coisas que o fazem, e outra frase como uma sentença e ao mesmo tempo como uma pergunta se instalou na folha. e ali em trinta e três fôlegos havia tantas coisas que exigiam outros fôlegos multiplicados por cem ou duzentos mil para poderem ser explicadas. ah mas suster o fôlego num beijo teu... a frase ficou suspensa. como completá-la sem deixar que essa memória ou a construção dessa imagem que consumasse um pouco do desejo não apertasse o músculo que o peito guarda?
[suster o fôlego num beijo teu]
já sabes que me surpreendem os filmes e as canções e os livros com diálogos e letras e passagens que podiam ser teus e meus. escutou com mais atenção a canção que o acompanhava cada vez mais e concluiu que tudo lhes pertencia que não podia deixar de ser assim.
já sabes que me surpreende esta forma tão estranha de ter a certeza de algo que a lei da probabilidade não prevê. e esta justificação da irracionalidade do seu comportamento servia mais para si mesmo. talvez catalogando de pouco normal a sua forma de amar ela pudesse encontrar espaço no mundo.
olhava a noite e pensava na forma como a certeza da chegada da manhã não negava aquelas horas de escuridão antes as legitimava. será assim connosco? ele queria saber o que ela achava porque ele não tinha dúvidas tinha chegado à conclusão de que não se podia dar ao luxo de as ter. se espero por ti é porque chegarás tal como a noite uma espera só existe porque antecede a manhã.
[suster o meu fôlego para sempre em ti]
não chegam as vidas de um gato sete ou nove para as vezes que morreria por ti que já morri que me fizeste renascer. curiosa comparação. não sabia por que a fizera mas riu com gosto ao lê-la e também a este gesto faltava uma justificação. é como se procurasse ainda as razões por que me sento aqui para te escrever as razões por que fico na cama a rever recordações as razões por que revejo fotografias onde sei que não estás na esperança de lá teres aparecido desde a última vez as razões por que te amo.
só aceita morrer quem acredita que renascerá. ele sabia disto. ele que em questões de fé só percebia que os braços de uma mulher são mais poderosos do que os braços de uma cruz puxou para si o seu livro de orações. e no caderno onde guardava todas as coisas escritas encontrou ou escreveu e a incerteza acontece porque o escuro da noite engana os olhos a sua confissão: se precisamos de fé para viver então eu preciso de ti.
[um beijo sela a traição da mesma forma que pode criar a alma]
olhou para as frases escritas. não as apagarei que razões teria para o fazer, disse alto. e por que pensou sequer naquela hipótese? respondeu a si mesmo: às vezes é mais fácil ignorar o que pensamos quando a coragem nos falta para sermos fortes.
queria tanto ser forte queria tanto que o fossemos os dois. farto de frases algures entre a realidade e a abstracção pseudo-literária em que o fascínio pela cultura pop acabava sempre por o mergulhar escreveu uma última palavra. amo-te.
[and if it rains all day, call on you i’ll call on you, like i used to] não serei original. também não me parece mal copiar a canção que me vai ajudando a suportar a tua ausência. a canção que me diz: é possível se tudo o que está para trás é improvável e inacreditável por que não poderá ser assim também com o que está por vir? e então a confissão numa língua estrangeira é tão minha quanto estas palavras imediatamente seguintes aos meus dedos tocarem nas teclas. porque é mesmo assim: é em ti que penso quando o dia não me deixa outra hipótese que não aspirar dias melhores.
[slide down beside you and wrap you in stories, tailored entirely for you, i’ll remind you] e estas palavras tudo e nada escondidas são como as outras as estrangeiras as ficcionadas. e estas histórias e estórias são tuas. mesmo que as não leias.
[we exchanged a vow, i love you i always will] e os votos que se trocaram no meio das notas musicais são a promessa que tanto demorámos a fazer. tenho a certeza de te ter dito que este amor era para sempre mas se não o fiz se foi apenas o meu inconsciente a pregar-me uma partida isso não altera nada. a não ser o facto de não saberes. mas poderás sequer ter dúvidas? e eu sei que essa promessa que nunca se deve fazer que nunca deve ser verbalizada foi um diálogo. foi um eu também.
[a call girl with yesterday eyes, was our witness and priest, stockport supporters club kindly provided a choir] o que me traz a ti nesta canção a que dei o teu nome é um tom surreal que acho que é só nosso até porque as canções não são nunca mais do que projecções do real e por isso não entram nas contabilidades dos mortais. e uma claque de futebol tem tanto de verosímil quanto um grupo de miúdos sentados nas escadas monumentais. nunca importou o que estava fora do nosso mundo quando havia um sorriso teu por perto.
[your vow was your smile, as we moved down the aisle, of the last bus home] e o teu sorriso era tudo. era mais do que as palavras que durante tanto tempo não se disseram que ainda hoje parecem querer esconder-se. e como o teu sorriso era tudo eu não precisei de palavras para me saber teu naquele momento e nos momentos todos desde aí até este agora em que termino mais uma frase. e na frase conseguinte continuarei a não ser de mais ninguém independentemente da frase que escreva. independentemente da frase que escrevas.
[and this is where i go, just when it rains] revejo tudo. cada momento é presente mesmo que não recorde os pormenores mesmo que não recorde já sequer a sua ocorrência. cada momento é um regresso a ti.
[blinking and stoned, rain in you hair, you only smoke ‘cause it’s something to share] o que recordo de ti é um pormenor. porque as minhas memórias são egoístas não são coisas tuas não são gestos não são factos. são a tua presença. manifesta-se em mim quem tu és pelas minhas memórias do que eu era daquele em quem me transformava. e hoje recordo-te naquilo em que me transformei.
[singing bring on the night, to have and to hold, the sodium light turning silver to gold] e faço memórias novas. invento coisas que não aconteceram porque essa é a única forma de ter alicerces para imaginar o futuro. mas o futuro é cada noite que passa que fica no fundo de cada copo. até haver outras.
[spitfire thin and strung like a violin, i was, yours was the face with a grace, from a different age] claro que fiquei nas tuas mãos. claro que fico. quando tudo é diferente nos teus olhos quando o mundo que neles vive é tão maior do que o mundo que os rodeia quando o resto do espaço é que é fechado e nos enclausura claro que fugir é impossível.
[you were the sun in my sunday morning, you were the sun in my sunday morning, telling me never to go] se nunca me disseste para não partir eu assumo que fui eu a imaginá-lo. mas não duvides que ainda hoje por vezes é esse grito na tua voz que me percorre o corpo.
[so i’ll live on the smile, and move down the aisle, of the last bus home] e é por isso que me socorro das memórias surreais e das palavras quase nunca ditas. e da memória da forma como o teu abraço me dizia quase tudo e o teu sorriso e o teu olhar explicavam o resto. e queria ser capaz de neste momento só ter isso na cabeça e não baloiços onde não precisas que te empurre e outras coisas que podem magoar. mas às vezes é difícil amar-te.
[and if you’re running late, this is where i’ll go, know i’ll always wait] tão difícil quanto inevitável. não espero por ti como quem cumpre uma promessa mas como quem aceita aquilo que não pode mudar. e como é de ti que falo acrescento que não se deve queixar quem aceita para si o lado mais belo do mundo. pelo contrário. estou aqui sabes quem eu sou sabes o quanto te quero. sabes como preciso de ti. sabes que estou aqui.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
[slide down beside you and wrap you in stories, tailored entirely for you, i’ll remind you] e estas palavras tudo e nada escondidas são como as outras as estrangeiras as ficcionadas. e estas histórias e estórias são tuas. mesmo que as não leias.
[we exchanged a vow, i love you i always will] e os votos que se trocaram no meio das notas musicais são a promessa que tanto demorámos a fazer. tenho a certeza de te ter dito que este amor era para sempre mas se não o fiz se foi apenas o meu inconsciente a pregar-me uma partida isso não altera nada. a não ser o facto de não saberes. mas poderás sequer ter dúvidas? e eu sei que essa promessa que nunca se deve fazer que nunca deve ser verbalizada foi um diálogo. foi um eu também.
[a call girl with yesterday eyes, was our witness and priest, stockport supporters club kindly provided a choir] o que me traz a ti nesta canção a que dei o teu nome é um tom surreal que acho que é só nosso até porque as canções não são nunca mais do que projecções do real e por isso não entram nas contabilidades dos mortais. e uma claque de futebol tem tanto de verosímil quanto um grupo de miúdos sentados nas escadas monumentais. nunca importou o que estava fora do nosso mundo quando havia um sorriso teu por perto.
[your vow was your smile, as we moved down the aisle, of the last bus home] e o teu sorriso era tudo. era mais do que as palavras que durante tanto tempo não se disseram que ainda hoje parecem querer esconder-se. e como o teu sorriso era tudo eu não precisei de palavras para me saber teu naquele momento e nos momentos todos desde aí até este agora em que termino mais uma frase. e na frase conseguinte continuarei a não ser de mais ninguém independentemente da frase que escreva. independentemente da frase que escrevas.
[and this is where i go, just when it rains] revejo tudo. cada momento é presente mesmo que não recorde os pormenores mesmo que não recorde já sequer a sua ocorrência. cada momento é um regresso a ti.
[blinking and stoned, rain in you hair, you only smoke ‘cause it’s something to share] o que recordo de ti é um pormenor. porque as minhas memórias são egoístas não são coisas tuas não são gestos não são factos. são a tua presença. manifesta-se em mim quem tu és pelas minhas memórias do que eu era daquele em quem me transformava. e hoje recordo-te naquilo em que me transformei.
[singing bring on the night, to have and to hold, the sodium light turning silver to gold] e faço memórias novas. invento coisas que não aconteceram porque essa é a única forma de ter alicerces para imaginar o futuro. mas o futuro é cada noite que passa que fica no fundo de cada copo. até haver outras.
[spitfire thin and strung like a violin, i was, yours was the face with a grace, from a different age] claro que fiquei nas tuas mãos. claro que fico. quando tudo é diferente nos teus olhos quando o mundo que neles vive é tão maior do que o mundo que os rodeia quando o resto do espaço é que é fechado e nos enclausura claro que fugir é impossível.
[you were the sun in my sunday morning, you were the sun in my sunday morning, telling me never to go] se nunca me disseste para não partir eu assumo que fui eu a imaginá-lo. mas não duvides que ainda hoje por vezes é esse grito na tua voz que me percorre o corpo.
[so i’ll live on the smile, and move down the aisle, of the last bus home] e é por isso que me socorro das memórias surreais e das palavras quase nunca ditas. e da memória da forma como o teu abraço me dizia quase tudo e o teu sorriso e o teu olhar explicavam o resto. e queria ser capaz de neste momento só ter isso na cabeça e não baloiços onde não precisas que te empurre e outras coisas que podem magoar. mas às vezes é difícil amar-te.
[and if you’re running late, this is where i’ll go, know i’ll always wait] tão difícil quanto inevitável. não espero por ti como quem cumpre uma promessa mas como quem aceita aquilo que não pode mudar. e como é de ti que falo acrescento que não se deve queixar quem aceita para si o lado mais belo do mundo. pelo contrário. estou aqui sabes quem eu sou sabes o quanto te quero. sabes como preciso de ti. sabes que estou aqui.
por mais que carregue na tecla certa
nunca é o símbolo correspondente que surge
ali, ao lado direito da vírgula,
eu insisto
e falho sempre
[?]
[...]
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
nunca é o símbolo correspondente que surge
ali, ao lado direito da vírgula,
eu insisto
e falho sempre
[?]
[...]
está frio lá fora. não sei porque escrevo isto mas está frio lá fora. aqui dentro pouco interessa a temperatura. tenho o corpo sempre frio porque não estás.
sinto-me perdido. procuro-me nas coisas que escrevo mas nem sei se estou lá porque não tenho memória de me ter deixado naquelas letras. as minhas memórias são tuas. tudo o resto se apagou.
vão-me contando pedaços de outras vidas com os quais deveria ficar ora feliz ora triste ora cúmplice. mas eu não quero saber. amo as pessoas que me contam os seus percursos e os seus triunfos e quedas mas não me quero enganar: amo-te só a ti. [das coisas que me contam eu só retiro perguntas para mim mesmo. e das pedras e dos obstáculos dos outros caminhos eu retiro a conclusão: a mais importante parte de mim irá morrer se partires. eu não vou morrer, nem vou cair, nem vou usar a arma que mantenho apontada à cabeça. não vai ser preciso. vou ser já outro] não há estórias que me interessem se não tiverem o teu nome e se não tiverem o meu nome junto ao teu e se não acabarem com um sempre inverosímil foram felizes para sempre.
só tu me farás feliz. sei-o e já nem sequer o combato.
está frio lá fora. onde estás sentes frio também? lembras-te de mim quando precisas que te envolvam os braços que anseias?
esqueci-me das palavras que queria escrever. parei para pensar qual a ordem a dar-lhes e quando dei por mim já não pensava em nada mais a não ser nos teus lábios. acontece-me tantas vezes perder-me no meio dos meus pensamentos. fazes-me falta dentro de mim. fazes-me falta. se não fosse demasiado melodramático diria que a minha vida não tem sentido sem ti.
mais um parágrafo para começar e mais uma vez a questão que não me larga: o que me resta dizer-te? não sabes que te amo? não sabes que não fui ninguém antes de ti? não sabes que esta vida não tem sentido sem ti? [sim, a ideia é repetida, disse-o algumas linhas antes, mas não esperes que seja original nem sequer comigo mesmo e muito menos dentro deste texto. original é o que me prende a ti. e só isso] não sabes que a outra vida que posso ter e onde não estás é apenas uma espécie de vida? não te disse já que os olhos que amaste morreram para o resto do mundo?
quem eu sou é alguém que podes amar? já pensaste nisso? já te respondeste? podes responder-me?
e no meio de todas as frases que parecem nascer na mais escura das noites há uma luz que se afirma e vem colocar-se como um farol à frente dos meus olhos e me faz rir. é a minha certeza de que me fazes feliz. [às vezes releio-me e não reconheço aquele a quem deste, a quem dás o teu amor. porque esse outro eu não escreveria palavras que não tivessem vida dentro delas. que não fossem risos. ensinaste-me a rir de uma forma nova. e eu quis rir assim para sempre] é a prova definitiva do bem que és e da tua capacidade inimitável para destruir os monstros feios e obscenos que foram nascendo e ficando dentro de mim. és o meu sol. e o meu mar. és o meu tudo.
e se formos as luzes a explodir? e se formos a manhã a nascer? e se formos as aves a voar e as crianças a dar o seu primeiro fôlego e as gotas de água no final da travessia do deserto? e se tudo der tão certo entre nós como nunca pensámos ser possível? eu sei que podes dar tão certo comigo. sou egoísta quando te amo: preciso que me tornes melhor.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
sinto-me perdido. procuro-me nas coisas que escrevo mas nem sei se estou lá porque não tenho memória de me ter deixado naquelas letras. as minhas memórias são tuas. tudo o resto se apagou.
vão-me contando pedaços de outras vidas com os quais deveria ficar ora feliz ora triste ora cúmplice. mas eu não quero saber. amo as pessoas que me contam os seus percursos e os seus triunfos e quedas mas não me quero enganar: amo-te só a ti. [das coisas que me contam eu só retiro perguntas para mim mesmo. e das pedras e dos obstáculos dos outros caminhos eu retiro a conclusão: a mais importante parte de mim irá morrer se partires. eu não vou morrer, nem vou cair, nem vou usar a arma que mantenho apontada à cabeça. não vai ser preciso. vou ser já outro] não há estórias que me interessem se não tiverem o teu nome e se não tiverem o meu nome junto ao teu e se não acabarem com um sempre inverosímil foram felizes para sempre.
só tu me farás feliz. sei-o e já nem sequer o combato.
está frio lá fora. onde estás sentes frio também? lembras-te de mim quando precisas que te envolvam os braços que anseias?
esqueci-me das palavras que queria escrever. parei para pensar qual a ordem a dar-lhes e quando dei por mim já não pensava em nada mais a não ser nos teus lábios. acontece-me tantas vezes perder-me no meio dos meus pensamentos. fazes-me falta dentro de mim. fazes-me falta. se não fosse demasiado melodramático diria que a minha vida não tem sentido sem ti.
mais um parágrafo para começar e mais uma vez a questão que não me larga: o que me resta dizer-te? não sabes que te amo? não sabes que não fui ninguém antes de ti? não sabes que esta vida não tem sentido sem ti? [sim, a ideia é repetida, disse-o algumas linhas antes, mas não esperes que seja original nem sequer comigo mesmo e muito menos dentro deste texto. original é o que me prende a ti. e só isso] não sabes que a outra vida que posso ter e onde não estás é apenas uma espécie de vida? não te disse já que os olhos que amaste morreram para o resto do mundo?
quem eu sou é alguém que podes amar? já pensaste nisso? já te respondeste? podes responder-me?
e no meio de todas as frases que parecem nascer na mais escura das noites há uma luz que se afirma e vem colocar-se como um farol à frente dos meus olhos e me faz rir. é a minha certeza de que me fazes feliz. [às vezes releio-me e não reconheço aquele a quem deste, a quem dás o teu amor. porque esse outro eu não escreveria palavras que não tivessem vida dentro delas. que não fossem risos. ensinaste-me a rir de uma forma nova. e eu quis rir assim para sempre] é a prova definitiva do bem que és e da tua capacidade inimitável para destruir os monstros feios e obscenos que foram nascendo e ficando dentro de mim. és o meu sol. e o meu mar. és o meu tudo.
e se formos as luzes a explodir? e se formos a manhã a nascer? e se formos as aves a voar e as crianças a dar o seu primeiro fôlego e as gotas de água no final da travessia do deserto? e se tudo der tão certo entre nós como nunca pensámos ser possível? eu sei que podes dar tão certo comigo. sou egoísta quando te amo: preciso que me tornes melhor.
[o meu amor abraça-me onde a solidão termina] ainda há pouco o confessei a quem não conheces: estou só. se não fosse a pequena vida que gerei não teria eu mesmo razão para viver. irónico como a vida que criamos e que nesse momento deixa de ser nossa é que acaba por nos salvar da morte prematura. com o amor acontece o mesmo mas também isso é verdade com a morte no seu tempo e não sou eu quem o diz mas quem tem muito mais legitimidade literária. mas não é com a morte que o meu amor se assusta antes com o que vê quando se olha ao espelho. olha-se e depois olha-me a mim e sucede o momento em que me diz: eu nunca caberei dentro de ti. e ele tem razão. é do tamanho dos oceanos e eu sou do tamanho de uma pequena pedra que caiu no mar depois de se soltar do penhasco onde me olho no reflexo dos oceanos e quase me vejo quase que cedo a deixar-me cair.
[o meu amor tem trinta mil cavalos a galopar no peito] repito-me frases de canções para tentar manter as certezas. mas há dúvidas nas entrelinhas e entre as notas que se tocaram e este é um verbo perigoso porque me lembra a minha falta de ti. ó meu querido fecha os olhos e vem-me beijar, mas essa frase nunca a ouço da tua boca e eu fico recolhido neste canto a pensar se o teu coração ainda bate por mim. ainda me amas? ainda me queres? não duvido que acreditaste que amavas e querias mas as nossas certezas tantas vezes nos enganam e nos confundem e nascem da necessidade de nos enganarmos a nós mesmos.
[o meu amor pôs-me a salvo para além da loucura] o meu coração ateu conheceu a coragem e a esperança quando eu lhe falei de ti. o meu coração ateu encontrou em ti a sua fé. a minha moral kantiana esqueceu-se dela e do que cristalizara dentro de mim porque lhe deste a conhecer uma nova moral sem direito a imperativo algum: o meu pecado também mora ao lado ao teu lado. a minha moral kantiana alegrou-se em ti. a minha loucura perguntou-me primeiro se serias sua aliada ou sua inimiga e eu respondi que serias provavelmente as duas coisas. mas a minha loucura perdeu-me afinal para ti.
[o meu amor ensinou-me a não esquecer que o meu amor existe] seremos um amor imperfeito? não respondas se quiseres responder sim. imperfeito é não amar e não se deixar ser por essa recusa. mesmo que não me ames não poderá ser imperfeito este amor porque aí será só meu e eu posso garantir-te que não há ponta de imperfeição no que sinto. tenho este amor perfeito à tua espera.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
[o meu amor tem trinta mil cavalos a galopar no peito] repito-me frases de canções para tentar manter as certezas. mas há dúvidas nas entrelinhas e entre as notas que se tocaram e este é um verbo perigoso porque me lembra a minha falta de ti. ó meu querido fecha os olhos e vem-me beijar, mas essa frase nunca a ouço da tua boca e eu fico recolhido neste canto a pensar se o teu coração ainda bate por mim. ainda me amas? ainda me queres? não duvido que acreditaste que amavas e querias mas as nossas certezas tantas vezes nos enganam e nos confundem e nascem da necessidade de nos enganarmos a nós mesmos.
[o meu amor pôs-me a salvo para além da loucura] o meu coração ateu conheceu a coragem e a esperança quando eu lhe falei de ti. o meu coração ateu encontrou em ti a sua fé. a minha moral kantiana esqueceu-se dela e do que cristalizara dentro de mim porque lhe deste a conhecer uma nova moral sem direito a imperativo algum: o meu pecado também mora ao lado ao teu lado. a minha moral kantiana alegrou-se em ti. a minha loucura perguntou-me primeiro se serias sua aliada ou sua inimiga e eu respondi que serias provavelmente as duas coisas. mas a minha loucura perdeu-me afinal para ti.
[o meu amor ensinou-me a não esquecer que o meu amor existe] seremos um amor imperfeito? não respondas se quiseres responder sim. imperfeito é não amar e não se deixar ser por essa recusa. mesmo que não me ames não poderá ser imperfeito este amor porque aí será só meu e eu posso garantir-te que não há ponta de imperfeição no que sinto. tenho este amor perfeito à tua espera.
havia tanta coisa que ele não sabia como dizer. não tanto por ter medo das reacções [já me dei de tal forma a ti que acho que não é possível ficar mais indefeso. se por esta altura ainda não percebeste que sou teu e que não é possível que venha a deixar de o ser é porque preferes não acreditar] mas mais porque há coisas que pura e simplesmente não foram criadas para serem ditas.
começou a juntar pedaços de conversas com outras pessoas. começou a apontá-los em bilhetes de combóio e em talões de multibanco e em guardanapos que não usaria e em pacotes de café [felizmente que o café não tem sobre mim qualquer efeito a não ser uma boa conversa. já me bastam as insónias que tão pouco tempo me deixam para sonhar contigo] e em fotocópias de documentos importantes. sempre que alguém lhe contava alguma coisa com a qual se identificasse escrevia-a imediatamente para saber como a dizer. e se lhe diziam o contrário daquilo que ele próprio pensava ou sentia fazia o mesmo. nunca se sabe quando nos dá jeito sabermos quem não devemos ser.
guardava também coisas escritas por ele próprio mas que já não eram suas. foram escritas por alguém que já tinha sido mas que o tempo transformara num outro. eram coisas algumas próximas outras longínquas algumas suas quase todas de outros [olho para os meus cadernos e tanto do que lá escrevi foi escrito para ti. mas não as coisas que escrevi com o teu nome. é que aquelas que eu verdadeiramente te quis dizer foram embrulhadas em letras de canções ou em citações famosas ou em extractos de livros. estou convencido de que a primeira vez que te escrevi «amo-te» foi com palavras do Norman MacCaig] algumas com sentido outras apenas sentidas algumas verdadeiras outras falsas.
entre uma e outra colecção de frases a usar descobria que raras vezes havia sido original. e isso era estranho pois era impossível que alguém a tivesse amado como ele a amava a ela [disseram-me que vivo obcecado por uma ideia de um eu que se apaixonou por ti. disseram-me que escolhi para veículo desse eu que criei romântico e sofredor o teu corpo porque foi o corpo que desejei. como dizem disparates os que não nos percebem... só existe um eu e esse estará eternamente apaixonado por ti o que implica desejar o teu corpo sim mas implica desejar-te toda e isso nada tem de romântico ou sofredor porque é antes inevitável e promissor] apesar de esta frase ser um cliché. mas pior do que não ser original era não ser nada. ficar calado.
tinha sempre a sensação de que ela esperava que ele dissesse algo que a arrebatasse. e como ele queria ser capaz de o fazer [não há muita coisa que saiba fazer. sei brincar com as palavras. mas quando te escrevo é quase como se desaprendesse porque não se brinca com coisas tão sérias] de ter o segredo que abrisse os braços dela e tudo o resto.
procurava dentro de si as palavras certas. começava por se perguntar «o que queres dizer-lhe?» e a resposta vinha na forma de outra pergunta «mais do que dizer-lhe [tenho tantas perguntas para te fazer. há tantas coisas que não compreendo. há as coisas do mundo que eu não sabia que existiam antes de te conhecer e por isso não percebo. há a certeza de que só as conseguirei perceber se estiveres comigo para as explicar. há as razões por que insistes em estar aqui comigo este pedaço de nada que nem sequer sabe quem é. tenho tantas perguntas para te fazer] o que queres perguntar-lhe?» mas ele não queria verdadeiramente respostas. a única coisa que queria resumia-se à mais enigmática de todas as frases à que mais perguntas sempre levanta «quero-te a ti».
as coisas que ele não sabia como dizer podiam dividir-se em dois grupos. quanto mais não seja porque é sempre bom introduzir alguma lógica matemática [achas possível falar de lógica quando falamos de nós? é claro que esta pergunta é retórica] quando os pensamentos se movem mais depressa do que os dedos que carregam nas teclas.
no primeiro grupo estavam as suas inseguranças [se as coisas mudarem se já não me quiseres quer seja não me quereres por alguns minutos ou não me quereres nunca mais eu vou precisar que mo digas. eu vou precisar que sejas honesta comigo e me contes tudo aquilo por que passares. eu vou precisar que o faças para poder erguer as minhas defesas] e os seus medos. e estavam também memórias de momentos difíceis de superar. e é mais difícil ultrapassar algo quando não sabemos o que acabou de passar por nós a 300 km/h quase nos atirando para fora da estrada [estou a ficar melhor nisso de me defender. acho até que qualquer dia vou poder dar lições. mas se eu te perder outra vez nada me garante que as minhas capacidades de resistência me sirvam de muito. acho que desaprendi de viver sem ti. já não sei como o fazer. desenvolvi uma espécie de plano b uma espécie de convencimento de vida. mas até para isso duvido ainda possuir a compreensão de todos os procedimentos a adoptar] e com a próxima estação de serviço a dias de distância.
no segundo grupo estava o seu amor [estranho como precisamos de tantas palavras. eu já te contei a minha teoria mas é demasiado rebuscada para aplicar ao nosso caso. porque o que sinto por ti é amor e é paixão e é desejo e é todos os outros nomes que os poetas e os cientistas inventaram ou possam vir a aumentar. mas é acima de tudo um reflexo de sobrevivência. não sou nada sem ti] e todas as formas de o exteriorizar. porque ele queria que se soubesse. ele queria que o mundo percebesse a sua felicidade e os sorrisos que pareciam mais próprios de um louco por não terem razão visível e as conversas enigmáticas ao telefone [na distância a tua voz é que me salva. tenho saudades dela como tenho saudades de ti de todas as tuas coisas. do teu nariz empinado. do teu cabelo de o mexer. dos teus olhos. dos teus lábios de os beijar. da tua pele de a tocar. mas a tua voz lembra-me também que tenho de te responder. é difícil e preferia ficar só a escutar-te e a repetir até que te fartasses «amo-te. amo-te. amo-te. amo-te»] e o facto de começar a cantar canções do meio do nada.
ele rebuscava as frases que guardara. agora encontrou esta e pensa como pode uma frase alheia ser tão verdade para si. e como pode uma imagem do futuro ser tão presente. vai escrevê-la. vai torná-la actual [de mim, nem o sinal mais breve] e vai fazer suas estas palavras: impetuoso, o teu corpo é como um rio onde o meu se perde.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
começou a juntar pedaços de conversas com outras pessoas. começou a apontá-los em bilhetes de combóio e em talões de multibanco e em guardanapos que não usaria e em pacotes de café [felizmente que o café não tem sobre mim qualquer efeito a não ser uma boa conversa. já me bastam as insónias que tão pouco tempo me deixam para sonhar contigo] e em fotocópias de documentos importantes. sempre que alguém lhe contava alguma coisa com a qual se identificasse escrevia-a imediatamente para saber como a dizer. e se lhe diziam o contrário daquilo que ele próprio pensava ou sentia fazia o mesmo. nunca se sabe quando nos dá jeito sabermos quem não devemos ser.
guardava também coisas escritas por ele próprio mas que já não eram suas. foram escritas por alguém que já tinha sido mas que o tempo transformara num outro. eram coisas algumas próximas outras longínquas algumas suas quase todas de outros [olho para os meus cadernos e tanto do que lá escrevi foi escrito para ti. mas não as coisas que escrevi com o teu nome. é que aquelas que eu verdadeiramente te quis dizer foram embrulhadas em letras de canções ou em citações famosas ou em extractos de livros. estou convencido de que a primeira vez que te escrevi «amo-te» foi com palavras do Norman MacCaig] algumas com sentido outras apenas sentidas algumas verdadeiras outras falsas.
entre uma e outra colecção de frases a usar descobria que raras vezes havia sido original. e isso era estranho pois era impossível que alguém a tivesse amado como ele a amava a ela [disseram-me que vivo obcecado por uma ideia de um eu que se apaixonou por ti. disseram-me que escolhi para veículo desse eu que criei romântico e sofredor o teu corpo porque foi o corpo que desejei. como dizem disparates os que não nos percebem... só existe um eu e esse estará eternamente apaixonado por ti o que implica desejar o teu corpo sim mas implica desejar-te toda e isso nada tem de romântico ou sofredor porque é antes inevitável e promissor] apesar de esta frase ser um cliché. mas pior do que não ser original era não ser nada. ficar calado.
tinha sempre a sensação de que ela esperava que ele dissesse algo que a arrebatasse. e como ele queria ser capaz de o fazer [não há muita coisa que saiba fazer. sei brincar com as palavras. mas quando te escrevo é quase como se desaprendesse porque não se brinca com coisas tão sérias] de ter o segredo que abrisse os braços dela e tudo o resto.
procurava dentro de si as palavras certas. começava por se perguntar «o que queres dizer-lhe?» e a resposta vinha na forma de outra pergunta «mais do que dizer-lhe [tenho tantas perguntas para te fazer. há tantas coisas que não compreendo. há as coisas do mundo que eu não sabia que existiam antes de te conhecer e por isso não percebo. há a certeza de que só as conseguirei perceber se estiveres comigo para as explicar. há as razões por que insistes em estar aqui comigo este pedaço de nada que nem sequer sabe quem é. tenho tantas perguntas para te fazer] o que queres perguntar-lhe?» mas ele não queria verdadeiramente respostas. a única coisa que queria resumia-se à mais enigmática de todas as frases à que mais perguntas sempre levanta «quero-te a ti».
as coisas que ele não sabia como dizer podiam dividir-se em dois grupos. quanto mais não seja porque é sempre bom introduzir alguma lógica matemática [achas possível falar de lógica quando falamos de nós? é claro que esta pergunta é retórica] quando os pensamentos se movem mais depressa do que os dedos que carregam nas teclas.
no primeiro grupo estavam as suas inseguranças [se as coisas mudarem se já não me quiseres quer seja não me quereres por alguns minutos ou não me quereres nunca mais eu vou precisar que mo digas. eu vou precisar que sejas honesta comigo e me contes tudo aquilo por que passares. eu vou precisar que o faças para poder erguer as minhas defesas] e os seus medos. e estavam também memórias de momentos difíceis de superar. e é mais difícil ultrapassar algo quando não sabemos o que acabou de passar por nós a 300 km/h quase nos atirando para fora da estrada [estou a ficar melhor nisso de me defender. acho até que qualquer dia vou poder dar lições. mas se eu te perder outra vez nada me garante que as minhas capacidades de resistência me sirvam de muito. acho que desaprendi de viver sem ti. já não sei como o fazer. desenvolvi uma espécie de plano b uma espécie de convencimento de vida. mas até para isso duvido ainda possuir a compreensão de todos os procedimentos a adoptar] e com a próxima estação de serviço a dias de distância.
no segundo grupo estava o seu amor [estranho como precisamos de tantas palavras. eu já te contei a minha teoria mas é demasiado rebuscada para aplicar ao nosso caso. porque o que sinto por ti é amor e é paixão e é desejo e é todos os outros nomes que os poetas e os cientistas inventaram ou possam vir a aumentar. mas é acima de tudo um reflexo de sobrevivência. não sou nada sem ti] e todas as formas de o exteriorizar. porque ele queria que se soubesse. ele queria que o mundo percebesse a sua felicidade e os sorrisos que pareciam mais próprios de um louco por não terem razão visível e as conversas enigmáticas ao telefone [na distância a tua voz é que me salva. tenho saudades dela como tenho saudades de ti de todas as tuas coisas. do teu nariz empinado. do teu cabelo de o mexer. dos teus olhos. dos teus lábios de os beijar. da tua pele de a tocar. mas a tua voz lembra-me também que tenho de te responder. é difícil e preferia ficar só a escutar-te e a repetir até que te fartasses «amo-te. amo-te. amo-te. amo-te»] e o facto de começar a cantar canções do meio do nada.
ele rebuscava as frases que guardara. agora encontrou esta e pensa como pode uma frase alheia ser tão verdade para si. e como pode uma imagem do futuro ser tão presente. vai escrevê-la. vai torná-la actual [de mim, nem o sinal mais breve] e vai fazer suas estas palavras: impetuoso, o teu corpo é como um rio onde o meu se perde.
o mundo acabou de me desabar em cima. não estarás exagerar? talvez esteja mas é isso que sinto e como tal os efeitos práticos são os mesmos da realidade. o que aconteceu? acho que o mundo inteiro me persegue. pensei que dizias que te tinha curado dessas inseguranças. e curaste mas desta vez acho que é mesmo verdade...
és um bocado paranóico. não. eu acho que és. a minha única paranóia é o medo de te perder. porque é que tens de estar sempre a dizer essas coisas? podia inventar milhões de motivos mas a verdade é que não existe nenhum concreto. chegas a chatear-me... desculpa.
[tentou emendar o erro com uma confissão. como quem foge para a frente, o que, nele, era um sinal de coragem: geralmente esperava imóvel que as coisas passassem sem o magoar]
precisava tanto de falar contigo. o que querias dizer-me? que o mundo inteiro acabou de me desabar em cima. conta... não interessam os pormenores interessa apenas que só contigo me sinto protegido. fala comigo... a sério que o menos importante de tudo isto é a estória por detrás desta necessidade. não queres contar-me. na verdade acho que só precisava que me ouvisses queixar e passasses a mão pelo meu cabelo. e o que é que isso alteraria? teria a certeza de que me amas. e isso que muda? muda tudo muda sempre tudo.
estás calada... não precisavas apenas que te passasse a mão pelo cabelo? preciso de muito mais mas agora era isso sim. então do que te queixas? de ter demorado tanto a encontrar-te.
[nem tudo tem o tempo certo, era o que queria dizer. mas tudo tem o seu tempo. mesmo aquilo que se atrasou e se deixou enredar em labirintos acabará por chegar, ainda que num tempo que não é o certo mas está muito longe de ser errado]
quando o mundo caiu sobre a minha cabeça foi em ti que pensei. achas que eu fui a culpada... de todo. então? tu fazes-me relativizar as coisas transformas furacões em meras ventanias e maremotos em ondas onde consigo nadar.
disseste que precisavas muito de falar comigo. tento sempre dizer-te a verdade. mas por que precisavas? tu percebes-me sempre ou quando não percebes pões o teu ar de menina desinteressada. e isso ajuda? faz-me rir e faz-me pensar o quanto te amo e nesse momento todas as tragédias pessoais passam a ser meros contratempos.
amas-me de verdade? de verdade e de mentirinha. parvo. é claro que te amo e é para mim claro também que isso vai ser sempre assim. amas-me porque te ajudo a suportar o peso do mundo? amo-te porque me fazes esquecer o mundo.
[e, de facto, tinha-se já esquecido das catástrofes nada naturais que sobre ele se tinham abatido. só ela lhe parecia inesquecível]
porque pensaste em mim quando sentiste o teu mundo desabar? porque não teria paciência para contar a estória toda com todos os detalhes a mais ninguém. estás outra vez a exagerar. não estou... estás. não estou e tu fazes-me imensamente bem...
precisava mesmo de falar contigo. já estás a falar. não. não? na verdade estou a imaginar que conversamos e há toda uma diferença.
[não estava a mentir. tinha mesmo precisado dos olhos e das mãos dela naquele momento. tinha mesmo precisado que ela tivesse fingido que a pequena fatalidade que ele lhe contava tinha alguma importância no universo. tinha precisado tanto daquela mentira como de outro abraço interminável]
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
és um bocado paranóico. não. eu acho que és. a minha única paranóia é o medo de te perder. porque é que tens de estar sempre a dizer essas coisas? podia inventar milhões de motivos mas a verdade é que não existe nenhum concreto. chegas a chatear-me... desculpa.
[tentou emendar o erro com uma confissão. como quem foge para a frente, o que, nele, era um sinal de coragem: geralmente esperava imóvel que as coisas passassem sem o magoar]
precisava tanto de falar contigo. o que querias dizer-me? que o mundo inteiro acabou de me desabar em cima. conta... não interessam os pormenores interessa apenas que só contigo me sinto protegido. fala comigo... a sério que o menos importante de tudo isto é a estória por detrás desta necessidade. não queres contar-me. na verdade acho que só precisava que me ouvisses queixar e passasses a mão pelo meu cabelo. e o que é que isso alteraria? teria a certeza de que me amas. e isso que muda? muda tudo muda sempre tudo.
estás calada... não precisavas apenas que te passasse a mão pelo cabelo? preciso de muito mais mas agora era isso sim. então do que te queixas? de ter demorado tanto a encontrar-te.
[nem tudo tem o tempo certo, era o que queria dizer. mas tudo tem o seu tempo. mesmo aquilo que se atrasou e se deixou enredar em labirintos acabará por chegar, ainda que num tempo que não é o certo mas está muito longe de ser errado]
quando o mundo caiu sobre a minha cabeça foi em ti que pensei. achas que eu fui a culpada... de todo. então? tu fazes-me relativizar as coisas transformas furacões em meras ventanias e maremotos em ondas onde consigo nadar.
disseste que precisavas muito de falar comigo. tento sempre dizer-te a verdade. mas por que precisavas? tu percebes-me sempre ou quando não percebes pões o teu ar de menina desinteressada. e isso ajuda? faz-me rir e faz-me pensar o quanto te amo e nesse momento todas as tragédias pessoais passam a ser meros contratempos.
amas-me de verdade? de verdade e de mentirinha. parvo. é claro que te amo e é para mim claro também que isso vai ser sempre assim. amas-me porque te ajudo a suportar o peso do mundo? amo-te porque me fazes esquecer o mundo.
[e, de facto, tinha-se já esquecido das catástrofes nada naturais que sobre ele se tinham abatido. só ela lhe parecia inesquecível]
porque pensaste em mim quando sentiste o teu mundo desabar? porque não teria paciência para contar a estória toda com todos os detalhes a mais ninguém. estás outra vez a exagerar. não estou... estás. não estou e tu fazes-me imensamente bem...
precisava mesmo de falar contigo. já estás a falar. não. não? na verdade estou a imaginar que conversamos e há toda uma diferença.
[não estava a mentir. tinha mesmo precisado dos olhos e das mãos dela naquele momento. tinha mesmo precisado que ela tivesse fingido que a pequena fatalidade que ele lhe contava tinha alguma importância no universo. tinha precisado tanto daquela mentira como de outro abraço interminável]
se me deixares contar, digo-te como vai ser
num quarto qualquer, não importa
os lençóis ainda quentes da paixão recente
e de novo os gritos que passam através da porta
como se o desejo não se soubesse render
à hora tardia da madrugada urgente
e esquecidas as razões nesta cama desfeita
só as razões da carne permanecem
mas olhando mais de perto e com atenção
há razões vindas de mais longe que se oferecem
como causa e efeito de uma noite perfeita
mas nunca algo perfeito teve explicação
eu lembro-me perfeitamente de como vai ser
como o beijo que nos faz esquecer
límpido e natural
e sem explicação
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
vai ser apenas mais uma razão
depois de nos termos dito «eu sei por que vens»
entre risos e perguntas sem respostas
vou então acordar entre a calma e a excitação
a mão que te conheceu por dentro toca-te nas costas
e tu dizes-me que adoras a beleza nos homens
mas que por mim abrirás outra excepção
vou pegar na tua perna e colocá-la sobre mim
como se só o sexo mandasse no corpo
feitos da mesma vontade que une mar e litoral
quando se tocam e se mudam nos contornos do outro
o meu princípio irá nascer arrebatado dentro de ti
e na hora da pequena morte se fará o funeral
eu lembro-me perfeitamente de como vai ser
o desejo que quase nos faz esquecer
e os gritos sussurrados
na cama e no chão
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
vão todos ser apenas o que são
e não sei se ainda sedento ou já cansado
puxarei lentamente o teu cabelo
para que me possas olhar e me possas dizer
se precisas que seja teu amante ou devo deixar de sê-lo
porque agora tudo é a calma de ter chegado
onde o amor não precisa da carne para ser
o teu corpo arde como ardem as lanternas
revela as minhas fraquezas, e assim
eu peço a tua misericórdia para me salvar
dizes-me para experimentar antes da tua fome de mim
abraças-me firme o tronco com as tuas pernas
e moves-te com a graça de uma onda do mar
com o sol a adormecer no colo nas nuvens
tomo os teus lábios com a minha língua
e marco-te o pescoço como uma criança
deixa as marcas dos seus dentes nos brinquedos
digo-te «podes dormir agora, podes dormir»
é já a sussurrar que me ouço «quero olhar-te
amo-te tanto que acho que nunca virás a saber»
e molho os meus lábios ainda com a tua saliva
amei-te desde o primeiro dia até à manhã
desta madrugada de que me irei lembrar perfeitamente
tal como me lembro neste momento preciso
dos teus cabelos em cima da minha almofada
e pouco depois
não há ninguém em volta
olha, não há ninguém em volta
nunca há ninguém à nossa volta
voltamos a acordar
e continuamos a fazer amor
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
num quarto qualquer, não importa
os lençóis ainda quentes da paixão recente
e de novo os gritos que passam através da porta
como se o desejo não se soubesse render
à hora tardia da madrugada urgente
e esquecidas as razões nesta cama desfeita
só as razões da carne permanecem
mas olhando mais de perto e com atenção
há razões vindas de mais longe que se oferecem
como causa e efeito de uma noite perfeita
mas nunca algo perfeito teve explicação
eu lembro-me perfeitamente de como vai ser
como o beijo que nos faz esquecer
límpido e natural
e sem explicação
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
vai ser apenas mais uma razão
depois de nos termos dito «eu sei por que vens»
entre risos e perguntas sem respostas
vou então acordar entre a calma e a excitação
a mão que te conheceu por dentro toca-te nas costas
e tu dizes-me que adoras a beleza nos homens
mas que por mim abrirás outra excepção
vou pegar na tua perna e colocá-la sobre mim
como se só o sexo mandasse no corpo
feitos da mesma vontade que une mar e litoral
quando se tocam e se mudam nos contornos do outro
o meu princípio irá nascer arrebatado dentro de ti
e na hora da pequena morte se fará o funeral
eu lembro-me perfeitamente de como vai ser
o desejo que quase nos faz esquecer
e os gritos sussurrados
na cama e no chão
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
«eu preciso de ti, já não preciso de ti»
vão todos ser apenas o que são
e não sei se ainda sedento ou já cansado
puxarei lentamente o teu cabelo
para que me possas olhar e me possas dizer
se precisas que seja teu amante ou devo deixar de sê-lo
porque agora tudo é a calma de ter chegado
onde o amor não precisa da carne para ser
o teu corpo arde como ardem as lanternas
revela as minhas fraquezas, e assim
eu peço a tua misericórdia para me salvar
dizes-me para experimentar antes da tua fome de mim
abraças-me firme o tronco com as tuas pernas
e moves-te com a graça de uma onda do mar
com o sol a adormecer no colo nas nuvens
tomo os teus lábios com a minha língua
e marco-te o pescoço como uma criança
deixa as marcas dos seus dentes nos brinquedos
digo-te «podes dormir agora, podes dormir»
é já a sussurrar que me ouço «quero olhar-te
amo-te tanto que acho que nunca virás a saber»
e molho os meus lábios ainda com a tua saliva
amei-te desde o primeiro dia até à manhã
desta madrugada de que me irei lembrar perfeitamente
tal como me lembro neste momento preciso
dos teus cabelos em cima da minha almofada
e pouco depois
não há ninguém em volta
olha, não há ninguém em volta
nunca há ninguém à nossa volta
voltamos a acordar
e continuamos a fazer amor
eu amo-te.
e vou amar-te sempre
e para sempre.
eu sei que desta vez
não há recursos estilísticos
nem tiques pseudo-literários.
mas nestas palavras simples
está o meu coração aberto
e está a minha verdade imutável.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e vou amar-te sempre
e para sempre.
eu sei que desta vez
não há recursos estilísticos
nem tiques pseudo-literários.
mas nestas palavras simples
está o meu coração aberto
e está a minha verdade imutável.
eu queria ser à prova de bala. não como um colete mas como um vidro. onde pudesses olhar o teu reflexo e ver como és bela. [para o caso de não prestares atenção quando eu to digo olhos nos olhos] um daqueles vidros fabricados especialmente contra atentados terroristas para que nem à força de bomba eu pudesse ser estilhaçado e o meu coração comigo.
queria ser capaz de rir na cara da artilharia inimiga. [ou do tiro falhado das minhas próprias hostes. de quem jurou, mesmo sem nunca mo ter dito, amar-me com todas as forças] queria ser capaz de lançar o meu peito contra as balas por saber que nenhuma me perfuraria. [oferecendo instintivamente o lado do coração como alvo]
há momentos em que sou quase assim. em que o meu peito se abre para o que vier sem se importar. [embora no fundo tenha medo. porque não tenho a certeza de os tiros me deixarem incólume. mas mesmo assim ofereço-te o meu coração] porque nesses momentos sei que ao cair no campo de batalha do amor te verei caso olhe para o lado. no meio de todas as coisas que adoro em ti tu és também a minha coragem.
foi assim no minuto mais inquietante da minha vida. nesse minuto em que fui muitas das coisas em que não acredito e mesmo assim fui igual a mim mesmo. [porque fui fiel ao que me dizia o meu peito aberto. porque me preparei para receber as balas. porque me deixei amar-te] nesse minuto em que um impulso me trouxe para o meio do terreno minado dos sentimentos sem que eu quisesse parar para esperar pelo especialista em desarmamento de minas. mas não foi um impulso que me fez correr. foi uma certeza: contigo sou imortal.
revejo agora esse minuto como numa fotografia de guerra. os contornos não são nítidos mas há um sentido épico nessa indefinição. e os pormenores observáveis levam-me a concluir que haveria quem fugisse. mas eu corri de encontro ao cano da espingarda. [eu queria ser à prova de bala, não parava de pensar, mas também não parava de correr] eu corri de encontro a ti e tu foste o helicóptero que me levou para fora do cenário de guerra. [perguntei-te se me levavas. tu esperaste um pouco, tentando perceber porque é que alguém que não era à prova de bala se tinha aventurado naquele campo. e depois disseste: Sim]
eu arrepiei-me. não sei se da adrenalina mas certamente da felicidade. sei que me olhaste e que eu me senti em casa. [quando me olhas, és uma espécie de pacifista que faz a sua propaganda com o mais velho dos generais e o leva a pousar as armas] mesmo que ainda sobrevoássemos os campos onde bombas rebentavam e se contavam as baixas.
mas naquele lugar onde não sei quem estava mas só estávamos nós os dois nada mais importava. eu voltei a abrir o meu peito na tua direcção. [viste como deixei o meu coração mesmo ao jeito da tua mira?] tu pegaste em mim como só tu sabes fazer e curaste as minhas feridas sem sequer deixar cicatrizes. se não ganhaste o Nobel da Medicina nesse instante não há justiça no mundo.
depois adormeci. [sonhei contigo, como tenho a certeza que sabes] agora que desperto não sei se esta cama é a do hospital ou a tua. e vou metendo os olhos nas revistas que alguém deixou por aqui perdidas para não ter de olhar para a porta. para não ter de pensar se vais entrar e dizer-me que não me salvaste para agora me mandares embora. [porque nunca serás capaz de dizer abertamente que me queres] ou se eu terei de ver todas as pessoas do mundo empurrarem aquelas duas portadas sem que tu voltes.
eu não quero que mais ninguém me salve. de outras vezes em que o meu peito foi alvejado eu cheguei a gritar por um auxílio qualquer. não veio ninguém porque se percebia à distância que só uma pessoa me podia salvar. [creio que terei gritado o teu nome, o que a ter acontecido será um forte indício disto mesmo] curiosamente tu vieste sempre.
e de cada vez eu percebi que eras tu. que serias sempre tu. que independentemente de onde viesses do tempo que tivesses demorado ou do tempo que pensasses ficar nunca haveria mais ninguém capaz de estancar o sangue das feridas abertas pelas balas. [e de todas as vezes eu quase rezava, que esse é um milagre que ainda não operaste em mim, para que pousasses as tuas malas no chão da minha casa] e percebi-o porque existe uma luz dentro de ti. creio que é essa a razão do meu amor: olho-te e vejo o sol que tu transportas. e isso é algo irresistível para alguém como eu que se transporta alguma luz dentro de si é um anúncio em néon a um anti-depressivo qualquer.
sei que daqui a pouco aquela porta se vai abrir. [por favor, que sejas tu a empurrá-la] sei que isso vai determinar se terei alta nesse momento imediato ou se serei considerado inapto para essa coisa da Grande Guerra do Amor ou da Paixão ou qualquer que seja o nome por que venha a ficar na História.
e relembro o tal minuto em que à minha pergunta tu disseste Sim. ainda não deixei de estar arrepiado. faço de conta que são efeitos da medicação e não conto a ninguém que são os efeitos do teu amor. [na verdade, basta olhar para a minha cara para perceber que as causas não estão em nenhuma reacção química] e espero por ti. e olho o relógio. e conto as horas até aos milésimos de segundo. e é já manhã de segunda-feira.
vejo a porta a abrir-se. [e lanço o meu peito em frente, o lado esquerdo um bocadinho mais avançado] és tu? és mesmo tu?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
queria ser capaz de rir na cara da artilharia inimiga. [ou do tiro falhado das minhas próprias hostes. de quem jurou, mesmo sem nunca mo ter dito, amar-me com todas as forças] queria ser capaz de lançar o meu peito contra as balas por saber que nenhuma me perfuraria. [oferecendo instintivamente o lado do coração como alvo]
há momentos em que sou quase assim. em que o meu peito se abre para o que vier sem se importar. [embora no fundo tenha medo. porque não tenho a certeza de os tiros me deixarem incólume. mas mesmo assim ofereço-te o meu coração] porque nesses momentos sei que ao cair no campo de batalha do amor te verei caso olhe para o lado. no meio de todas as coisas que adoro em ti tu és também a minha coragem.
foi assim no minuto mais inquietante da minha vida. nesse minuto em que fui muitas das coisas em que não acredito e mesmo assim fui igual a mim mesmo. [porque fui fiel ao que me dizia o meu peito aberto. porque me preparei para receber as balas. porque me deixei amar-te] nesse minuto em que um impulso me trouxe para o meio do terreno minado dos sentimentos sem que eu quisesse parar para esperar pelo especialista em desarmamento de minas. mas não foi um impulso que me fez correr. foi uma certeza: contigo sou imortal.
revejo agora esse minuto como numa fotografia de guerra. os contornos não são nítidos mas há um sentido épico nessa indefinição. e os pormenores observáveis levam-me a concluir que haveria quem fugisse. mas eu corri de encontro ao cano da espingarda. [eu queria ser à prova de bala, não parava de pensar, mas também não parava de correr] eu corri de encontro a ti e tu foste o helicóptero que me levou para fora do cenário de guerra. [perguntei-te se me levavas. tu esperaste um pouco, tentando perceber porque é que alguém que não era à prova de bala se tinha aventurado naquele campo. e depois disseste: Sim]
eu arrepiei-me. não sei se da adrenalina mas certamente da felicidade. sei que me olhaste e que eu me senti em casa. [quando me olhas, és uma espécie de pacifista que faz a sua propaganda com o mais velho dos generais e o leva a pousar as armas] mesmo que ainda sobrevoássemos os campos onde bombas rebentavam e se contavam as baixas.
mas naquele lugar onde não sei quem estava mas só estávamos nós os dois nada mais importava. eu voltei a abrir o meu peito na tua direcção. [viste como deixei o meu coração mesmo ao jeito da tua mira?] tu pegaste em mim como só tu sabes fazer e curaste as minhas feridas sem sequer deixar cicatrizes. se não ganhaste o Nobel da Medicina nesse instante não há justiça no mundo.
depois adormeci. [sonhei contigo, como tenho a certeza que sabes] agora que desperto não sei se esta cama é a do hospital ou a tua. e vou metendo os olhos nas revistas que alguém deixou por aqui perdidas para não ter de olhar para a porta. para não ter de pensar se vais entrar e dizer-me que não me salvaste para agora me mandares embora. [porque nunca serás capaz de dizer abertamente que me queres] ou se eu terei de ver todas as pessoas do mundo empurrarem aquelas duas portadas sem que tu voltes.
eu não quero que mais ninguém me salve. de outras vezes em que o meu peito foi alvejado eu cheguei a gritar por um auxílio qualquer. não veio ninguém porque se percebia à distância que só uma pessoa me podia salvar. [creio que terei gritado o teu nome, o que a ter acontecido será um forte indício disto mesmo] curiosamente tu vieste sempre.
e de cada vez eu percebi que eras tu. que serias sempre tu. que independentemente de onde viesses do tempo que tivesses demorado ou do tempo que pensasses ficar nunca haveria mais ninguém capaz de estancar o sangue das feridas abertas pelas balas. [e de todas as vezes eu quase rezava, que esse é um milagre que ainda não operaste em mim, para que pousasses as tuas malas no chão da minha casa] e percebi-o porque existe uma luz dentro de ti. creio que é essa a razão do meu amor: olho-te e vejo o sol que tu transportas. e isso é algo irresistível para alguém como eu que se transporta alguma luz dentro de si é um anúncio em néon a um anti-depressivo qualquer.
sei que daqui a pouco aquela porta se vai abrir. [por favor, que sejas tu a empurrá-la] sei que isso vai determinar se terei alta nesse momento imediato ou se serei considerado inapto para essa coisa da Grande Guerra do Amor ou da Paixão ou qualquer que seja o nome por que venha a ficar na História.
e relembro o tal minuto em que à minha pergunta tu disseste Sim. ainda não deixei de estar arrepiado. faço de conta que são efeitos da medicação e não conto a ninguém que são os efeitos do teu amor. [na verdade, basta olhar para a minha cara para perceber que as causas não estão em nenhuma reacção química] e espero por ti. e olho o relógio. e conto as horas até aos milésimos de segundo. e é já manhã de segunda-feira.
vejo a porta a abrir-se. [e lanço o meu peito em frente, o lado esquerdo um bocadinho mais avançado] és tu? és mesmo tu?
sentou-se e olhou em frente e à sua frente só havia o mar. para onde olhas? ouviu-se perguntar. só há o mar à minha frente para onde haveria de estar a olhar? eu acho que estás à procura dela. eu acho que tens razão... tenho. quem me manda a mim falar com a minha consciência?
perdia o tempo naquele comportamento inconsequente de ficar a olhar. não tenho mais nada para fazer. ou não tens vontade de fazer mais nada? para consciência tens demasiadas questões... sou a tua consciência é natural que tenha mais dúvidas do que certezas.
[e o oceano fazia-se ouvir em fundo. era só um ruído. não dizia nada. chuauah, só um ruído, usch]
havia no azul tonalidades em que ele nunca tinha reparado. talvez não existissem antes. como antes dela não existira o amor não se reparara no amor. tal como antes nunca tinha verdadeiramente reparado no mar.
não consegues esquecê-la. não sei. como não sabes? a verdade é que sei que não consigo mas não o é menos que já nem tento. é por isso que estás aqui sentado com um dia de sol destes? sim e não. não é fácil ser a tua consciência... estou aqui sentado porque o mar é como ela: revolto e irresistível e porque fico a olhá-lo como gostaria de ficar a olhá-la a ela.
[e o oceano era ainda um barulho indefinido. splash, chuá, usch. muitos ruídos. não eram palavras embora o desassossego pudesse ajudar a confundi-los com tal]
sabes o que queres? sei. e o que é? ficar aqui sentado sem que a minha consciência me incomode. como é que isso pode ser um bom plano? ouvir o mar é sempre um bom plano.
[splash, chuauah. talvez o mar estivesse a tentar dizer algo. talvez fossem ecos e não ruídos. não podia ser ruído]
ouvir o mar é sempre um bom plano. ele acreditava no que dissera. e por isso prestou mais atenção. e o que escutou foi um silêncio.
o silêncio? um silêncio. qual é a diferença? este é um silêncio particular. é o silêncio dela? estás a ficar melhor nesta coisa de ser consciência... e o que é que diz esse silêncio? é estranho porque não diz nada. não é suposto os silêncios dizerem exactamente isso? não os dela.
[e o mar era outra vez claramente e apenas um barulho de fundo. chuauah. ensurdecedor. buum, schirk. um barulho insuportável que magoava os tímpanos mas ainda mais o coração. fsss, fsss, fsss, como uma lâmina abrindo a carne]
é altura de deixar de olhar o mar? não. tens a certeza? acho que ele ainda me chama. mas tu próprio disseste que era só silêncio. aprende isto: nunca há só silêncio quando se trata do mar.
não sabia se acreditava ou apenas queria acreditar no que dissera. ou talvez precisasse acreditar.
quem disseste que pensavas que ainda te chamava? ela. sabes o nome dela? há muito tempo que não sei mais nada. então porque não o dizes? há coisas que nem uma consciência tem o direito de saber coisas que só o coração deve conhecer.
[fsss. ainda a lâmina a correr. limpou-a com os lábios que já haviam sido beijados pelo mar. usch, usch]
vou ficar aqui a olhar o mar o tempo que for preciso.
[usch, flut, flu. o oceano era agora um soluço, um choro que se ultrapassara, uma esperança que não se pedira mas se recebia de braços abertos]
o tempo que fosse preciso seria provavelmente muito tempo mas ele tinha todo o tempo enrolado à volta dos seus dedos. na mesma situação em que ela o tinha a ele. enrolado nas ondas do mar. à espera que o mar o devolvesse ou o levasse mas que fizesse alguma coisa.
vou ser do mar para sempre tenho a certeza. é possível ter certezas dessas? quando se ama só existem certezas mesmo que muitas sejam as dúvidas. posso pedir para ser a consciência de outra pessoa? estás farta de mim? não mas detesto estórias de amores eternos. garanto-te que esta é a única que alguma vez me ouvirás contar.
[e ouvindo mais atentamente o mar, já não havia ruídos. havia palavras claras e distintas. splash, chuauah, flut. ele escutou melhor. precisava ouvir aquilo há tanto tempo. usch, usch, chhhh]
o que é que diz o mar? diz, ouço-o claramente: vem ter comigo.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
perdia o tempo naquele comportamento inconsequente de ficar a olhar. não tenho mais nada para fazer. ou não tens vontade de fazer mais nada? para consciência tens demasiadas questões... sou a tua consciência é natural que tenha mais dúvidas do que certezas.
[e o oceano fazia-se ouvir em fundo. era só um ruído. não dizia nada. chuauah, só um ruído, usch]
havia no azul tonalidades em que ele nunca tinha reparado. talvez não existissem antes. como antes dela não existira o amor não se reparara no amor. tal como antes nunca tinha verdadeiramente reparado no mar.
não consegues esquecê-la. não sei. como não sabes? a verdade é que sei que não consigo mas não o é menos que já nem tento. é por isso que estás aqui sentado com um dia de sol destes? sim e não. não é fácil ser a tua consciência... estou aqui sentado porque o mar é como ela: revolto e irresistível e porque fico a olhá-lo como gostaria de ficar a olhá-la a ela.
[e o oceano era ainda um barulho indefinido. splash, chuá, usch. muitos ruídos. não eram palavras embora o desassossego pudesse ajudar a confundi-los com tal]
sabes o que queres? sei. e o que é? ficar aqui sentado sem que a minha consciência me incomode. como é que isso pode ser um bom plano? ouvir o mar é sempre um bom plano.
[splash, chuauah. talvez o mar estivesse a tentar dizer algo. talvez fossem ecos e não ruídos. não podia ser ruído]
ouvir o mar é sempre um bom plano. ele acreditava no que dissera. e por isso prestou mais atenção. e o que escutou foi um silêncio.
o silêncio? um silêncio. qual é a diferença? este é um silêncio particular. é o silêncio dela? estás a ficar melhor nesta coisa de ser consciência... e o que é que diz esse silêncio? é estranho porque não diz nada. não é suposto os silêncios dizerem exactamente isso? não os dela.
[e o mar era outra vez claramente e apenas um barulho de fundo. chuauah. ensurdecedor. buum, schirk. um barulho insuportável que magoava os tímpanos mas ainda mais o coração. fsss, fsss, fsss, como uma lâmina abrindo a carne]
é altura de deixar de olhar o mar? não. tens a certeza? acho que ele ainda me chama. mas tu próprio disseste que era só silêncio. aprende isto: nunca há só silêncio quando se trata do mar.
não sabia se acreditava ou apenas queria acreditar no que dissera. ou talvez precisasse acreditar.
quem disseste que pensavas que ainda te chamava? ela. sabes o nome dela? há muito tempo que não sei mais nada. então porque não o dizes? há coisas que nem uma consciência tem o direito de saber coisas que só o coração deve conhecer.
[fsss. ainda a lâmina a correr. limpou-a com os lábios que já haviam sido beijados pelo mar. usch, usch]
vou ficar aqui a olhar o mar o tempo que for preciso.
[usch, flut, flu. o oceano era agora um soluço, um choro que se ultrapassara, uma esperança que não se pedira mas se recebia de braços abertos]
o tempo que fosse preciso seria provavelmente muito tempo mas ele tinha todo o tempo enrolado à volta dos seus dedos. na mesma situação em que ela o tinha a ele. enrolado nas ondas do mar. à espera que o mar o devolvesse ou o levasse mas que fizesse alguma coisa.
vou ser do mar para sempre tenho a certeza. é possível ter certezas dessas? quando se ama só existem certezas mesmo que muitas sejam as dúvidas. posso pedir para ser a consciência de outra pessoa? estás farta de mim? não mas detesto estórias de amores eternos. garanto-te que esta é a única que alguma vez me ouvirás contar.
[e ouvindo mais atentamente o mar, já não havia ruídos. havia palavras claras e distintas. splash, chuauah, flut. ele escutou melhor. precisava ouvir aquilo há tanto tempo. usch, usch, chhhh]
o que é que diz o mar? diz, ouço-o claramente: vem ter comigo.
sentou-se no ‘lugar do morto’ pensando como era adequada aquela expressão. algo lhe disse que devia sair. mas deixou-se ficar e esperou pelo momento em que ela se decidisse a pôr o pé no acelerador.
[o lugar do morto... acho que faz sentido]
não fazia a mínima ideia porque tinha entrado naquele carro. até porque o seu destino era exactamente o oposto daquele para onde ela se predispunha arrancar.
embora ele não soubesse qual a direcção que ela tomaria nem qual o sentido em que ele se dirigia antes...
[o lugar do morto...]
eu não te conheço, disparou para o lado. não obteve resposta. tu não me conheces, insistiu. e daí? escutou e foi incapaz de articular uma frase. é preciso que nos conheçamos para apanhares boleia comigo? não, disse ele e surpreendeu-se por ter sido monossilábico.
[eu não te conheço]
então perguntou: mas sabes uma coisa? o quê? fingiu-se ela de interessada. eu não te conheço mas sei quem tu és. não digas disparates! a sério! não digas disparates és só um homem a quem eu dou boleia. mas tu não és só uma mulher que me dá boleia. e se parasses com isso?
por que havia de parar? perguntou ele sem se deter, estou no lugar do morto as minhas palavras valem o que valem. as palavras valem muito, filosofou ela. ele fingiu ter vontade de também abraçar a metafísica: as palavras valem tudo.
[eu sei quem tu és. do lugar do morto eu consigo ver quem tu és]
vou arrancar. por que é que precisaste de o anunciar? foi a tua última oportunidade para saíres. quem te disse que eu queria oportunidades dessas? e sorriu contente com a resposta que tinha arrancado do nervosismo que ela lhe provocava.
vamos... para onde vais? não devias ter perguntado isso antes de teres entrado? ele respondeu: não quero saber, e falava a verdade. então por que é que perguntas agora? irritou-se ela. conversa de circunstância, mentiu.
[eu não te conheço mas sei quem tu és]
a tua pergunta não devia ter sido para onde vamos? ele ouviu a interrogação e gelou. não lhe apetecia responder com a verdade: só me importa para onde vais porque eu irei atrás. fingiu não ter ouvido. não ouviste? sim, escapou-se da sua boca. mas não importa para onde vai quem está no lugar do morto, desculpou-se.
não é bem assim! quase gritou ela, podes convencer-me a mudar o meu caminho se fores para um sítio mais interessante. não acredito. que me convenças ou que vás para um sítio mais interessante? as duas coisas...
[tu consegues ver quem eu sou]
ela insistiu: a tua pergunta não devia ter sido para onde vamos? já te disse. o que tu me disseste não foi uma resposta à pergunta que eu te fiz. ele sabia que ela tinha razão: olha lá por que é que te importa tanto para onde é que vamos? porque sim. isso não é resposta, disse ele pensando ter virado o jogo. é pois! como é que é uma resposta? sendo. porquê? porque sim! caramba és impossível! irritou-se ele. ela fingiu irritar-se também: posso sempre parar o carro para tu saíres!
[no lugar do morto eu não sou ninguém]
já alguma vez tinhas conduzido a esta velocidade? nunca o fiz de outra forma. nunca? sempre me conduzi assim toda a vida. que idade tens? a que quero ter. quero ter a tua idade. eu sei...
ele assustou-se: não achas que devias abrandar? não. mas tens a certeza que consegues controlar o carro? não. é estranho... o quê? perguntou ela. sinto-me como se estivesse preso num acidente de automóvel. às vezes dizes cada coisa. e é sempre o mesmo acidente e é sempre o mesmo carro. às vezes preferia que ficasses calado.
[eu sei quem tu és]
paramos? tu é que vais a conduzir. mas pergunto-te se paramos. ele não sabia o que dizer e por isso deixou que ela fizesse o que queria. é melhor pararmos. estamos no meio de nada, disse ele tentando que às suas palavras não pudesse ser dada qualquer interpretação. o que é que queres dizer com isso? nada. o que foi? nada já disse.
saíram do carro e olharam em volta. não se via o que quer que fosse que pudesse prender o olhar. estamos no meio de nada. já disseste. pensei que não tivesses ouvido.
[para onde vais? para onde vamos?]
viemos do meio de nada qual é o problema de aqui voltarmos? questionou ela como quem se ofende por porem em causa as suas capacidades de orientação. não me lembro de alguma vez aqui ter estado. tu percebeste o que quis dizer. sim.
em que é que estás a pensar? perguntou olhando-o nos olhos. em nada. diz lá! na razão porque fizemos esta viagem, disse ele. porque tu entraste no meu carro. talvez...
[para onde vamos? para o lugar do morto?]
para onde vamos? agora és tu que perguntas, constatou ele a sorrir. sim, respondeu ela com o ar mais sério que ele lhe tinha visto.
percebeu que já não havia lugar para mais jogos. de palavras ou outros. percebeu que podia muito bem ser obrigado a ficar ali no meio de nada para o resto da vida.
[eu não te conheço]
levas-me de volta? perguntou ele com os olhos no chão. claro. espera acho que vou ficar por aqui! e como vais regressar? inquietou-se ela. não sei se quero...
[o lugar do morto... acho que faz sentido]
quando a viu partir e só ficou a poeira no ar ele começou a correr na direcção oposta. mas parou. não sei para onde vou, disse para si mesmo, talvez seja melhor voltar para casa. onde estava o norte? não havia ninguém para lhe dizer. só a poeira no ar. talvez a deva seguir.
quando chegou ao que restava da sua casa estava cansado. mas tranquilo. não sabia quanto tempo tinha passado. pelo menos não tive nenhum acidente, confortou-se sabendo que daí por alguns segundos começaria a sentir pena de si mesmo. sentou-se à secretária e começou a escrever na terceira pessoa.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
[o lugar do morto... acho que faz sentido]
não fazia a mínima ideia porque tinha entrado naquele carro. até porque o seu destino era exactamente o oposto daquele para onde ela se predispunha arrancar.
embora ele não soubesse qual a direcção que ela tomaria nem qual o sentido em que ele se dirigia antes...
[o lugar do morto...]
eu não te conheço, disparou para o lado. não obteve resposta. tu não me conheces, insistiu. e daí? escutou e foi incapaz de articular uma frase. é preciso que nos conheçamos para apanhares boleia comigo? não, disse ele e surpreendeu-se por ter sido monossilábico.
[eu não te conheço]
então perguntou: mas sabes uma coisa? o quê? fingiu-se ela de interessada. eu não te conheço mas sei quem tu és. não digas disparates! a sério! não digas disparates és só um homem a quem eu dou boleia. mas tu não és só uma mulher que me dá boleia. e se parasses com isso?
por que havia de parar? perguntou ele sem se deter, estou no lugar do morto as minhas palavras valem o que valem. as palavras valem muito, filosofou ela. ele fingiu ter vontade de também abraçar a metafísica: as palavras valem tudo.
[eu sei quem tu és. do lugar do morto eu consigo ver quem tu és]
vou arrancar. por que é que precisaste de o anunciar? foi a tua última oportunidade para saíres. quem te disse que eu queria oportunidades dessas? e sorriu contente com a resposta que tinha arrancado do nervosismo que ela lhe provocava.
vamos... para onde vais? não devias ter perguntado isso antes de teres entrado? ele respondeu: não quero saber, e falava a verdade. então por que é que perguntas agora? irritou-se ela. conversa de circunstância, mentiu.
[eu não te conheço mas sei quem tu és]
a tua pergunta não devia ter sido para onde vamos? ele ouviu a interrogação e gelou. não lhe apetecia responder com a verdade: só me importa para onde vais porque eu irei atrás. fingiu não ter ouvido. não ouviste? sim, escapou-se da sua boca. mas não importa para onde vai quem está no lugar do morto, desculpou-se.
não é bem assim! quase gritou ela, podes convencer-me a mudar o meu caminho se fores para um sítio mais interessante. não acredito. que me convenças ou que vás para um sítio mais interessante? as duas coisas...
[tu consegues ver quem eu sou]
ela insistiu: a tua pergunta não devia ter sido para onde vamos? já te disse. o que tu me disseste não foi uma resposta à pergunta que eu te fiz. ele sabia que ela tinha razão: olha lá por que é que te importa tanto para onde é que vamos? porque sim. isso não é resposta, disse ele pensando ter virado o jogo. é pois! como é que é uma resposta? sendo. porquê? porque sim! caramba és impossível! irritou-se ele. ela fingiu irritar-se também: posso sempre parar o carro para tu saíres!
[no lugar do morto eu não sou ninguém]
já alguma vez tinhas conduzido a esta velocidade? nunca o fiz de outra forma. nunca? sempre me conduzi assim toda a vida. que idade tens? a que quero ter. quero ter a tua idade. eu sei...
ele assustou-se: não achas que devias abrandar? não. mas tens a certeza que consegues controlar o carro? não. é estranho... o quê? perguntou ela. sinto-me como se estivesse preso num acidente de automóvel. às vezes dizes cada coisa. e é sempre o mesmo acidente e é sempre o mesmo carro. às vezes preferia que ficasses calado.
[eu sei quem tu és]
paramos? tu é que vais a conduzir. mas pergunto-te se paramos. ele não sabia o que dizer e por isso deixou que ela fizesse o que queria. é melhor pararmos. estamos no meio de nada, disse ele tentando que às suas palavras não pudesse ser dada qualquer interpretação. o que é que queres dizer com isso? nada. o que foi? nada já disse.
saíram do carro e olharam em volta. não se via o que quer que fosse que pudesse prender o olhar. estamos no meio de nada. já disseste. pensei que não tivesses ouvido.
[para onde vais? para onde vamos?]
viemos do meio de nada qual é o problema de aqui voltarmos? questionou ela como quem se ofende por porem em causa as suas capacidades de orientação. não me lembro de alguma vez aqui ter estado. tu percebeste o que quis dizer. sim.
em que é que estás a pensar? perguntou olhando-o nos olhos. em nada. diz lá! na razão porque fizemos esta viagem, disse ele. porque tu entraste no meu carro. talvez...
[para onde vamos? para o lugar do morto?]
para onde vamos? agora és tu que perguntas, constatou ele a sorrir. sim, respondeu ela com o ar mais sério que ele lhe tinha visto.
percebeu que já não havia lugar para mais jogos. de palavras ou outros. percebeu que podia muito bem ser obrigado a ficar ali no meio de nada para o resto da vida.
[eu não te conheço]
levas-me de volta? perguntou ele com os olhos no chão. claro. espera acho que vou ficar por aqui! e como vais regressar? inquietou-se ela. não sei se quero...
[o lugar do morto... acho que faz sentido]
quando a viu partir e só ficou a poeira no ar ele começou a correr na direcção oposta. mas parou. não sei para onde vou, disse para si mesmo, talvez seja melhor voltar para casa. onde estava o norte? não havia ninguém para lhe dizer. só a poeira no ar. talvez a deva seguir.
quando chegou ao que restava da sua casa estava cansado. mas tranquilo. não sabia quanto tempo tinha passado. pelo menos não tive nenhum acidente, confortou-se sabendo que daí por alguns segundos começaria a sentir pena de si mesmo. sentou-se à secretária e começou a escrever na terceira pessoa.
[eu gosto de parêntesis rectos. prefiro-os aos curvos porque, ao contrário destes, não abrem espaço para coisas que, na realidade, não precisam de ser ditas. os parêntesis rectos são diferentes. são como pontos de exclamação. são como um grito: ei, agora é que vêm as coisas importantes! são dois lábios que se abrem e esperam que entre eles o mundo dê uma volta. ou, mais importante ainda, que duas vidas dêem uma volta]
a tua tendência para a filosofia barata não deixa nunca de me surpreender. pode ser barata mas de certeza que não é filosofia. então é o quê? camuflagem.
[os parêntesis rectos são como os teus olhos: fazem-me abrir mais os meus. são como as tuas mãos: uma espécie de berço e eu uma espécie de recém-nascido. são como as tuas fugas: duras e imprevisíveis. são como os teus regressos: levam-me sempre de vencida. eu sou refém dos parêntesis rectos. passo a vida à espera do momento em que surgem para olhar para dentro deles e ver se lá está o segredo da felicidade. passo a vida à espera daquele tempo sempre breve entre dois parêntesis rectos, entre dois regressos]
queres chegar a algum lado com este disparate dos parêntesis? quero sempre. onde? ao mesmo sítio de sempre.
[os parêntesis rectos são um mistério. quem os inventou e porquê? quem definiu as circunstâncias em que devem surgir? e porém, não sabendo nada do seu passado, não me vejo a viver sem eles. a viver na escrita, pois claro, porque na vida real são outras as coisas que nos fazem falta. coisas, pessoas, cujo nome às vezes escrevemos entre dois parêntesis rectos, para que mais ninguém saiba que existe um buraco dentro de nós do tamanho de um livro por escrever. coisas, pessoas, cuja lembrança às vezes guardamos entre dois parêntesis rectos, para que as paredes desta forma gráfica nos protejam. coisas pessoas, que queríamos voltar a ter entre dois parêntesis rectos, entre dois lábios, dando a volta ao mundo]
estás a falar de mim? não sabes que estou sempre? e por que não me dizes essas coisas directamente? porque é mais fácil usar parêntesis e reticências. mas eu sei. sim...
[os parêntesis rectos são invulgares. como invulgar é amar. ou pelo menos devia ser. os parêntesis rectos, como o amor, deviam ser guardados para as grandes ocasiões, para os grandes discursos, para os Pulitzer, para os Nobel, para os momentos em que os amantes se deixam ser. os parêntesis rectos deviam ser como os braços dos amantes: únicos de cada vez que são usados. únicos mesmo quando existem na mesma frase outros parêntesis, outros amantes. porque esses são os curvos]
queres fazer-me alguma confissão? quero mas não faço não consigo. e agora? agora vou livrar-me deste segredo partilhando-o com alguém que não conheça. e isso o que resolve? absolutamente nada porque continuo sem ti.
[eu gosto de parêntesis rectos. por nenhuma razão especial. porque são pontos de exclamação, são gritos, são dois lábios, são os teus olhos e as tuas mãos, as tuas fugas e os teus regressos, são um mistério, são invulgares, são os braços dos amantes. eu gosto de parêntesis rectos porque me fazem recordar-te. e fazem o teu nome saltar de cada uma das páginas para onde deixo escorrer as minhas veias abertas]
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
a tua tendência para a filosofia barata não deixa nunca de me surpreender. pode ser barata mas de certeza que não é filosofia. então é o quê? camuflagem.
[os parêntesis rectos são como os teus olhos: fazem-me abrir mais os meus. são como as tuas mãos: uma espécie de berço e eu uma espécie de recém-nascido. são como as tuas fugas: duras e imprevisíveis. são como os teus regressos: levam-me sempre de vencida. eu sou refém dos parêntesis rectos. passo a vida à espera do momento em que surgem para olhar para dentro deles e ver se lá está o segredo da felicidade. passo a vida à espera daquele tempo sempre breve entre dois parêntesis rectos, entre dois regressos]
queres chegar a algum lado com este disparate dos parêntesis? quero sempre. onde? ao mesmo sítio de sempre.
[os parêntesis rectos são um mistério. quem os inventou e porquê? quem definiu as circunstâncias em que devem surgir? e porém, não sabendo nada do seu passado, não me vejo a viver sem eles. a viver na escrita, pois claro, porque na vida real são outras as coisas que nos fazem falta. coisas, pessoas, cujo nome às vezes escrevemos entre dois parêntesis rectos, para que mais ninguém saiba que existe um buraco dentro de nós do tamanho de um livro por escrever. coisas, pessoas, cuja lembrança às vezes guardamos entre dois parêntesis rectos, para que as paredes desta forma gráfica nos protejam. coisas pessoas, que queríamos voltar a ter entre dois parêntesis rectos, entre dois lábios, dando a volta ao mundo]
estás a falar de mim? não sabes que estou sempre? e por que não me dizes essas coisas directamente? porque é mais fácil usar parêntesis e reticências. mas eu sei. sim...
[os parêntesis rectos são invulgares. como invulgar é amar. ou pelo menos devia ser. os parêntesis rectos, como o amor, deviam ser guardados para as grandes ocasiões, para os grandes discursos, para os Pulitzer, para os Nobel, para os momentos em que os amantes se deixam ser. os parêntesis rectos deviam ser como os braços dos amantes: únicos de cada vez que são usados. únicos mesmo quando existem na mesma frase outros parêntesis, outros amantes. porque esses são os curvos]
queres fazer-me alguma confissão? quero mas não faço não consigo. e agora? agora vou livrar-me deste segredo partilhando-o com alguém que não conheça. e isso o que resolve? absolutamente nada porque continuo sem ti.
[eu gosto de parêntesis rectos. por nenhuma razão especial. porque são pontos de exclamação, são gritos, são dois lábios, são os teus olhos e as tuas mãos, as tuas fugas e os teus regressos, são um mistério, são invulgares, são os braços dos amantes. eu gosto de parêntesis rectos porque me fazem recordar-te. e fazem o teu nome saltar de cada uma das páginas para onde deixo escorrer as minhas veias abertas]
se é sangue do teu sangue
e não é do meu
fica escrito
e fica dito
e não é uma frase que se pode esquecer
nem uma palavra que se pode apagar
se é sangue do teu sangue
e é carne da tua carne
será uma carne que nos é estranha
mas
estranhamente
tão nossa
só que é tua
se é sangue do teu sangue
eu tenho de te dizer
que estou feliz
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e não é do meu
fica escrito
e fica dito
e não é uma frase que se pode esquecer
nem uma palavra que se pode apagar
se é sangue do teu sangue
e é carne da tua carne
será uma carne que nos é estranha
mas
estranhamente
tão nossa
só que é tua
se é sangue do teu sangue
eu tenho de te dizer
que estou feliz
só porque me deito e logo de seguida
a cama já não me consegue acolher
porque tem os meus contornos mas não tem os teus braços
só porque a noite de novo se prolonga
sem que o sono tenha vontade de vir
e o líquido das garrafas se evapora sem que eu dê conta
só porque sonhei que acordámos juntos
e depois me deitaste no teu colo
e me penteaste lentamente com os teus dedos adormecidos
só porque pego no caderno e me perco
labirintos com as letras do teu nome
cuja saída eu ainda não descobri e já nem sequer procuro
só porque olho para o lado e me culpo
pelo nada que falta ao quase-tudo
e depois não resisto a procurar as fotografias onde tu estás
só porque recordo os breves momentos
em que fomos sem preocupações
e os encontro nos objectos e noutras dores sem forma física
não penses que isso quer dizer mais
do que aquilo que diz
de qualquer forma, eu nunca precisei de ti
de qualquer forma, eu nunca te quis
só porque eu falo
só porque eu grito
só porque eu chamo
só porque eu escrevo
só porque eu caio
não penses que isso quer dizer mais
do que aquilo que diz
só porque eu minto
de qualquer forma, eu nunca precisei de ti
só porque eu minto
de qualquer forma, eu nunca te quis
eu sei que minto
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
a cama já não me consegue acolher
porque tem os meus contornos mas não tem os teus braços
só porque a noite de novo se prolonga
sem que o sono tenha vontade de vir
e o líquido das garrafas se evapora sem que eu dê conta
só porque sonhei que acordámos juntos
e depois me deitaste no teu colo
e me penteaste lentamente com os teus dedos adormecidos
só porque pego no caderno e me perco
labirintos com as letras do teu nome
cuja saída eu ainda não descobri e já nem sequer procuro
só porque olho para o lado e me culpo
pelo nada que falta ao quase-tudo
e depois não resisto a procurar as fotografias onde tu estás
só porque recordo os breves momentos
em que fomos sem preocupações
e os encontro nos objectos e noutras dores sem forma física
não penses que isso quer dizer mais
do que aquilo que diz
de qualquer forma, eu nunca precisei de ti
de qualquer forma, eu nunca te quis
só porque eu falo
só porque eu grito
só porque eu chamo
só porque eu escrevo
só porque eu caio
não penses que isso quer dizer mais
do que aquilo que diz
só porque eu minto
de qualquer forma, eu nunca precisei de ti
só porque eu minto
de qualquer forma, eu nunca te quis
eu sei que minto
acabei de te rever nas letras da carta que me escreveste
e voltei a sentir a tua falta a doer forte dentro de mim
e a queimar-me a pele como um incêndio no pino do Verão
tentei não deixar voltar os sonhos que nunca alimentaste
mas agora deitei tudo a perder e chorei pela minha solidão
revi-te novamente tão perto que já sentia o teu cheiro
que já as tuas mãos percorriam o meu corpo árido
mas tudo é sempre tão pouco e tudo é sempre tão vão
que já não sei se corra para ti ou me deixe morrer primeiro
para que não me arraste para o fundo, a minha solidão
não sei se sentes a mesma falta que me revolve por dentro
falta-me coragem para te perguntar o que tens para me dizer
algo dentro de mim me sussurra que é a mesma a paixão
mas algo dentro de mim me grita que já só nos resta o tempo
e por isso estas palavras são escondidas pela minha solidão
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e voltei a sentir a tua falta a doer forte dentro de mim
e a queimar-me a pele como um incêndio no pino do Verão
tentei não deixar voltar os sonhos que nunca alimentaste
mas agora deitei tudo a perder e chorei pela minha solidão
revi-te novamente tão perto que já sentia o teu cheiro
que já as tuas mãos percorriam o meu corpo árido
mas tudo é sempre tão pouco e tudo é sempre tão vão
que já não sei se corra para ti ou me deixe morrer primeiro
para que não me arraste para o fundo, a minha solidão
não sei se sentes a mesma falta que me revolve por dentro
falta-me coragem para te perguntar o que tens para me dizer
algo dentro de mim me sussurra que é a mesma a paixão
mas algo dentro de mim me grita que já só nos resta o tempo
e por isso estas palavras são escondidas pela minha solidão
senti que tu não eras tu.
que não te deixavas ser,
que tinhas medo dos teus próprios sentimentos.
não estarei errado se disser que sempre tiveste.
e como eu precisava de ti
na manhã daquele dia.
depois da noite em que acho que fui eu quem fugiu,
por recear o que pudesse haver noutras faces.
corri para ti nesse dia seguinte,
como fizeste uma vez,
mas sem que sentisse que partias como eu parti.
apenas corri para saciar o meu desejo urgente.
porém algo falhou.
senti-te tão distante que doeu.
e essa dor ainda está escrita em letras de sangue,
jorrando da ferida que a mim mesmo infligi.
só estancará a tua saudade
quando me chamares.
quando me disseres “percebeste tudo mal,
percebes sempre tudo mal” e sorrires para mim.
eu correrei de novo.
e dir-te-ei “sou teu.
magoa-me outra vez se isso te apetecer,
mas envolve-me de seguida num abraço interminável”.
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que não te deixavas ser,
que tinhas medo dos teus próprios sentimentos.
não estarei errado se disser que sempre tiveste.
e como eu precisava de ti
na manhã daquele dia.
depois da noite em que acho que fui eu quem fugiu,
por recear o que pudesse haver noutras faces.
corri para ti nesse dia seguinte,
como fizeste uma vez,
mas sem que sentisse que partias como eu parti.
apenas corri para saciar o meu desejo urgente.
porém algo falhou.
senti-te tão distante que doeu.
e essa dor ainda está escrita em letras de sangue,
jorrando da ferida que a mim mesmo infligi.
só estancará a tua saudade
quando me chamares.
quando me disseres “percebeste tudo mal,
percebes sempre tudo mal” e sorrires para mim.
eu correrei de novo.
e dir-te-ei “sou teu.
magoa-me outra vez se isso te apetecer,
mas envolve-me de seguida num abraço interminável”.
ignora a forma!
se olhares para lá das feições exteriores, perceberás como te amo.
ouve-a, à palavra das palavras...
compreende o que compreende. compreende o que significa.
e o que significo para ti.
recusa a aparência.
lê-me na essência.
toma-me no espírito, não no corpo, não só no corpo.
ignora a forma!
sabes que isso não é importante...
fica apenas com aquele instante, aquele impulso, com o que ele contém.
olha-o bem...
sou eu!
embarca comigo e deixa-te levar.
e se ainda não souberes o que dizer, como me olhar, como (não) me tocar.
e se ainda te parecer impossível estar infinitamente sem usar a razão.
não fujas, não digas não.
lembra o impulso que te fez quebrar as defesas
e, sem precisares de olhar para mim,
dizer sim.
ignora a forma!
desafia a lei das probabilidades e aposta no que nos resta.
entrega-te no meu olhar que te convida a entrares no meu mundo.
entrega-te nos nossos olhares, que se olham na intimidade.
sem idade.
sem pudor.
tocam-se como nós nos tocamos,
e só pode ser natural que se queiram entregar.
(tu olhas para mim, bem dentro do meu olhar...
é preciso coragem para não o ignorar!)
ignora a forma!
recusa o que não for escrito na nossa letra.
esquece por momentos, por uma vida apenas,
que existe o que definem como conhecimento...
e olha para o que resta...
guarda esse momento.
estou lá? no que verdadeiramente amas?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
se olhares para lá das feições exteriores, perceberás como te amo.
ouve-a, à palavra das palavras...
compreende o que compreende. compreende o que significa.
e o que significo para ti.
recusa a aparência.
lê-me na essência.
toma-me no espírito, não no corpo, não só no corpo.
ignora a forma!
sabes que isso não é importante...
fica apenas com aquele instante, aquele impulso, com o que ele contém.
olha-o bem...
sou eu!
embarca comigo e deixa-te levar.
e se ainda não souberes o que dizer, como me olhar, como (não) me tocar.
e se ainda te parecer impossível estar infinitamente sem usar a razão.
não fujas, não digas não.
lembra o impulso que te fez quebrar as defesas
e, sem precisares de olhar para mim,
dizer sim.
ignora a forma!
desafia a lei das probabilidades e aposta no que nos resta.
entrega-te no meu olhar que te convida a entrares no meu mundo.
entrega-te nos nossos olhares, que se olham na intimidade.
sem idade.
sem pudor.
tocam-se como nós nos tocamos,
e só pode ser natural que se queiram entregar.
(tu olhas para mim, bem dentro do meu olhar...
é preciso coragem para não o ignorar!)
ignora a forma!
recusa o que não for escrito na nossa letra.
esquece por momentos, por uma vida apenas,
que existe o que definem como conhecimento...
e olha para o que resta...
guarda esse momento.
estou lá? no que verdadeiramente amas?
e a noite só valeu
pelos beijos que trocámos
porque o que veio depois
foram palavras para disfarçar o incómodo da tua ausência
e risos para camuflar a solidão
e a noite só valeu
pelos abraços que demos
porque o que veio depois
foram só certezas de nada para enganar as dúvidas sobre tudo
e a tua falta latejando em mim
e a noite só valeu
pelo ritmo cardíaco alterado
porque o que veio no fim
foram só sorrisos de circunstância e os olhares involuntários
para onde já não estavas
porque, no fim das minhas contas, a noite só valeu
pelos teus lábios
pelos teus cabelos
pela tua pele
pelo teu cheiro
porque, na confusão das minhas contas, a noite foi
o teu sorriso
as tuas mãos
os teus olhos fechados
os teus olhos bem abertos
tudo de novo
tão perto de mim
e era ainda
e mais uma vez
tudo tão novo
como quando não me deste outra hipótese
a não ser apaixonar-me
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
pelos beijos que trocámos
porque o que veio depois
foram palavras para disfarçar o incómodo da tua ausência
e risos para camuflar a solidão
e a noite só valeu
pelos abraços que demos
porque o que veio depois
foram só certezas de nada para enganar as dúvidas sobre tudo
e a tua falta latejando em mim
e a noite só valeu
pelo ritmo cardíaco alterado
porque o que veio no fim
foram só sorrisos de circunstância e os olhares involuntários
para onde já não estavas
porque, no fim das minhas contas, a noite só valeu
pelos teus lábios
pelos teus cabelos
pela tua pele
pelo teu cheiro
porque, na confusão das minhas contas, a noite foi
o teu sorriso
as tuas mãos
os teus olhos fechados
os teus olhos bem abertos
tudo de novo
tão perto de mim
e era ainda
e mais uma vez
tudo tão novo
como quando não me deste outra hipótese
a não ser apaixonar-me
abriram-me uma janela
eu debrucei-me e foi uma imagem minha que eu vi do lado de dentro
mas era só uma imagem, e nem sequer era alguém parecido comigo
e tive de vir aqui confessá-lo
este é o meu quarto
não tem janelas nem portas porque tu nunca derrubaste as paredes
e não as criaste dessa forma tão brutal decisiva e definitiva
mas eu é que sou o arquitecto
quero abrir-te uma porta
no meu quarto-coração feito de pedra
só para te dar refúgio quando precisares
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
eu debrucei-me e foi uma imagem minha que eu vi do lado de dentro
mas era só uma imagem, e nem sequer era alguém parecido comigo
e tive de vir aqui confessá-lo
este é o meu quarto
não tem janelas nem portas porque tu nunca derrubaste as paredes
e não as criaste dessa forma tão brutal decisiva e definitiva
mas eu é que sou o arquitecto
quero abrir-te uma porta
no meu quarto-coração feito de pedra
só para te dar refúgio quando precisares
se eu fosse arquitecto
e fizesse poesia visual
com a minha arte
de dominar equações
se eu fosse arquitecto
e construísse um mundo
totalmente inesperado
e absolutamente novo
se eu fosse arquitecto
e mudasse o horizonte
e as coisas próximas
e dominasse as ruas
se eu fosse arquitecto
e fizesse o belo saltar
dos esquadros e compassos
e das folhas de papel
se eu fosse arquitecto
e emocionasse as pessoas
com paredes e avenidas
e inventasse espaços
se eu fosse arquitecto
e soubesse criar do nada
pontes entre as margens
e diálogos desse intervalo
se eu fosse arquitecto
ignoraria a verticalidade
e a horizontalidade
se eu fosse arquitecto
só haveria uma pergunta
que eu quereria fazer:
vens viver comigo
na minha cidade?
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e fizesse poesia visual
com a minha arte
de dominar equações
se eu fosse arquitecto
e construísse um mundo
totalmente inesperado
e absolutamente novo
se eu fosse arquitecto
e mudasse o horizonte
e as coisas próximas
e dominasse as ruas
se eu fosse arquitecto
e fizesse o belo saltar
dos esquadros e compassos
e das folhas de papel
se eu fosse arquitecto
e emocionasse as pessoas
com paredes e avenidas
e inventasse espaços
se eu fosse arquitecto
e soubesse criar do nada
pontes entre as margens
e diálogos desse intervalo
se eu fosse arquitecto
ignoraria a verticalidade
e a horizontalidade
se eu fosse arquitecto
só haveria uma pergunta
que eu quereria fazer:
vens viver comigo
na minha cidade?
Pedro sentou-se em frente ao seu reflexo no espelho
e riu por ver as lágrimas a correrem no rosto que ela beijara
o que restava agora àquela personagem reflectida?
talvez dar o tudo por tudo... talvez deitar tudo a perder...
mas ele não tinha já nada
e os olhos que Ana amara fecharam-se
Pedro levantou-se do chão onde caíra sem sequer dar conta
as forças que nunca haviam sido muitas no seu ser
acabaram no preciso momento em que escutou “adeus”
talvez tivesse escutado mal... talvez ela voltasse atrás...
mas o que tinha ele para lhe oferecer?
e os olhos que Ana amara fecharam-se
Pedro acabou naquele preciso segundo de terror
em que as palavras caíram como flechas sobre ele mesmo
e se cravaram como punhais no seu peito ainda aberto
talvez ele conseguisse sobreviver... talvez alguém o acolhesse...
mas ele já não sabia amar
e os olhos que Ana amara fecharam-se
Pedro lançou-se na cama e desejou que ela fosse oceano
que as águas o engolissem e à sua dor e não o devolvessem
e que ele não precisasse de se levantar amanhã
os olhos que Ana amara encheram-se então de lágrimas
os olhos que Ana amara foram o mar que não o conseguiu levar
e embora os olhos de Pedro tivessem voltado a ser vistos
eles não eram já os olhos que Ana amara
porque ele os não podia dar a mais ninguém
e os olhos que Ana amara não mais se abriram
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
e riu por ver as lágrimas a correrem no rosto que ela beijara
o que restava agora àquela personagem reflectida?
talvez dar o tudo por tudo... talvez deitar tudo a perder...
mas ele não tinha já nada
e os olhos que Ana amara fecharam-se
Pedro levantou-se do chão onde caíra sem sequer dar conta
as forças que nunca haviam sido muitas no seu ser
acabaram no preciso momento em que escutou “adeus”
talvez tivesse escutado mal... talvez ela voltasse atrás...
mas o que tinha ele para lhe oferecer?
e os olhos que Ana amara fecharam-se
Pedro acabou naquele preciso segundo de terror
em que as palavras caíram como flechas sobre ele mesmo
e se cravaram como punhais no seu peito ainda aberto
talvez ele conseguisse sobreviver... talvez alguém o acolhesse...
mas ele já não sabia amar
e os olhos que Ana amara fecharam-se
Pedro lançou-se na cama e desejou que ela fosse oceano
que as águas o engolissem e à sua dor e não o devolvessem
e que ele não precisasse de se levantar amanhã
os olhos que Ana amara encheram-se então de lágrimas
os olhos que Ana amara foram o mar que não o conseguiu levar
e embora os olhos de Pedro tivessem voltado a ser vistos
eles não eram já os olhos que Ana amara
porque ele os não podia dar a mais ninguém
e os olhos que Ana amara não mais se abriram
o meu coração
é um enorme terreno desabitado
árido e rasgado pelas rugas
que dizem que os sorrisos deixam em nós
e como tu me fizeste sorrir
como tu me fizeste esquecer
que o meu coração não foi feito para acolher flores de paixão
mas sim para se manter
um enorme terreno desabitado
árido e sem marcas de vida
sobrevoado pelos abutres que se alimentam do fim do prazer
e que no fim me devorarão o corpo
o meu coração
é um enorme vazio inóspito
árido e nauseabundo
como os restos mortais de um amor
e como tu me soubeste amar
como tu me soubeste ver
para lá das máscaras que me fizeste deixar cair com um olhar
e que esmagaste com um beijo
num enorme vazio inóspito
árido e perdido da esperança
que os nossos grandes silêncios em comum me devolveram
para depois me ser tirada outra vez
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
é um enorme terreno desabitado
árido e rasgado pelas rugas
que dizem que os sorrisos deixam em nós
e como tu me fizeste sorrir
como tu me fizeste esquecer
que o meu coração não foi feito para acolher flores de paixão
mas sim para se manter
um enorme terreno desabitado
árido e sem marcas de vida
sobrevoado pelos abutres que se alimentam do fim do prazer
e que no fim me devorarão o corpo
o meu coração
é um enorme vazio inóspito
árido e nauseabundo
como os restos mortais de um amor
e como tu me soubeste amar
como tu me soubeste ver
para lá das máscaras que me fizeste deixar cair com um olhar
e que esmagaste com um beijo
num enorme vazio inóspito
árido e perdido da esperança
que os nossos grandes silêncios em comum me devolveram
para depois me ser tirada outra vez
as tuas iniciais estão marcadas
na epiderme do meu ser
arrancando-me do abismo
libertando-me do inócuo
ultrapassando o meu horizonte
iniciando-me no admirável
sem me pedir nada em troca
a não ser mais um beijo
com as tuas iniciais
aquilo que eu era já não é o mesmo
baralhaste as minhas certezas
e eu tornei-me mais como tu
temerário e admirável
e mais próximo do céu
fizeste-me
eu sou hoje a tua obra
realizaste-me à tua vontade
realizaste-me sem sequer quereres
eu dizia que não
ia mais longe e afirmava que eu era eu
rebelde e indomável..
a verdade é que sou o que quiseres que eu seja
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
na epiderme do meu ser
arrancando-me do abismo
libertando-me do inócuo
ultrapassando o meu horizonte
iniciando-me no admirável
sem me pedir nada em troca
a não ser mais um beijo
com as tuas iniciais
aquilo que eu era já não é o mesmo
baralhaste as minhas certezas
e eu tornei-me mais como tu
temerário e admirável
e mais próximo do céu
fizeste-me
eu sou hoje a tua obra
realizaste-me à tua vontade
realizaste-me sem sequer quereres
eu dizia que não
ia mais longe e afirmava que eu era eu
rebelde e indomável..
a verdade é que sou o que quiseres que eu seja
nunca tocaste para eu ouvir
as tuas mãos nunca se confundiram com as teclas
deixando-me desmandado numa bebedeira de marfim
mas como eu fiquei ébrio
na presença do teu corpo já moldado ao piano
como se fosse esse o habitat natural da tua espécie
e sei que nunca saberei
se depois de as tocares as notas ficam como tu
livres, amplas e soltas, belas, límpidas e omniscientes
então
imagino-te sentada ao piano
com o teu olhar fixo em mim
escutando as minhas palavras estudadas
que te pedem para tocar
mas tu levantas-te
sorris
e abandonas a sala
como o hino final
como um requiem que eu nunca quis escutar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
as tuas mãos nunca se confundiram com as teclas
deixando-me desmandado numa bebedeira de marfim
mas como eu fiquei ébrio
na presença do teu corpo já moldado ao piano
como se fosse esse o habitat natural da tua espécie
e sei que nunca saberei
se depois de as tocares as notas ficam como tu
livres, amplas e soltas, belas, límpidas e omniscientes
então
imagino-te sentada ao piano
com o teu olhar fixo em mim
escutando as minhas palavras estudadas
que te pedem para tocar
mas tu levantas-te
sorris
e abandonas a sala
como o hino final
como um requiem que eu nunca quis escutar
eu não me deixo enganar pela tua pele de cordeiro
o que não quer dizer que já te tenha percebido
talvez tu sejas um tipo diferente de lobo-mau
que não consegue evitar revelar-se aos meus ouvidos
devo dizer que também não sou o normal capuchinho
conheço bem a floresta, os caminhos molhados pelo orvalho
e já há muito me esqueci da minha cesta
por perceber que preferia perder-me por este atalho
até podes dizer que me vais comer, mostrando os dentes
o mais certo é eu entregar-me para o teu prazer
fechar a porta e atirar a chave pela janela
prender-me na cama e dizer: faz de mim o que quiseres!
vem comigo
deitar-te na cama da avózinha
reinventar todas as histórias
que a minha mãe me contou
ela bem me avisou
e quando alguém vier para me salvar, será tarde...
eu sei que os lobos-maus também sabem amar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
o que não quer dizer que já te tenha percebido
talvez tu sejas um tipo diferente de lobo-mau
que não consegue evitar revelar-se aos meus ouvidos
devo dizer que também não sou o normal capuchinho
conheço bem a floresta, os caminhos molhados pelo orvalho
e já há muito me esqueci da minha cesta
por perceber que preferia perder-me por este atalho
até podes dizer que me vais comer, mostrando os dentes
o mais certo é eu entregar-me para o teu prazer
fechar a porta e atirar a chave pela janela
prender-me na cama e dizer: faz de mim o que quiseres!
vem comigo
deitar-te na cama da avózinha
reinventar todas as histórias
que a minha mãe me contou
ela bem me avisou
e quando alguém vier para me salvar, será tarde...
eu sei que os lobos-maus também sabem amar
iam já tão longe as noites sem dormir
desassossegado pela falta que me fazes
até que hoje fui surpreendido
até que hoje a tua presença me inundou os sonhos que tive acordado
eu sei que nunca os alimentaste
mas como os podia eu evitar
ao olhar
o teu sorriso comparável a Gioconda mas elevado à enésima potência
os teus olhos mais brilhantes do que as estrelas das constelações da paixão
a tua pele macia e tão branca que chego a duvidar das coisas que sabes
mas afinal o que conheço eu de ti para te poder descrever
mas afinal o que me mostraste para me conseguires prender
eu não sei quem tu és
nem sei se posso confiar em ti
mas há momentos em que só importa o calor dos teus braços
quase todos
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
desassossegado pela falta que me fazes
até que hoje fui surpreendido
até que hoje a tua presença me inundou os sonhos que tive acordado
eu sei que nunca os alimentaste
mas como os podia eu evitar
ao olhar
o teu sorriso comparável a Gioconda mas elevado à enésima potência
os teus olhos mais brilhantes do que as estrelas das constelações da paixão
a tua pele macia e tão branca que chego a duvidar das coisas que sabes
mas afinal o que conheço eu de ti para te poder descrever
mas afinal o que me mostraste para me conseguires prender
eu não sei quem tu és
nem sei se posso confiar em ti
mas há momentos em que só importa o calor dos teus braços
quase todos
ele escutava as canções
ele lia os livros e os jornais
ele via os filmes
e em tudo lá estava ela
aquela presença que tanto o perturbava
e que tanto o fazia crescer
que o fazia sorrir
dava tudo para conseguir parar o tempo
parar a sua imagem
e ficar olhando-a, tocando-a
gritando: amo-te, sem que ela o ouvisse
ele escrevia e escrevia e escrevia
e perdia-se nos caminhos que conhecia como as palmas da mão
procurava-se a si ou a ela?
e seria ele já outra coisa senão o que ela quisesse que ele fosse?
ele sentava-se mais uma vez
perante o seu reflexo no espelho
e dizia: envelheceste tanto, meu amigo,
nestes intermináveis segundos
desde que perdeste o que nunca tiveste
ele parava para olhar tudo à sua volta
e nada lhe despertava a atenção
só o rio
o Mondego que corria como ele já não podia mais
e o caudal era engrossado por água salgada
que à água doce se juntava
e que partia para o doce reencontro que nunca aconteceria
ele sabia...
ele sabia que morrera
porque morre quem é incapaz de amar de novo
e então
se já morto estava
porquê continuar a lançar-se
passo atrás de passo
numa indiferença?
ele alcançou o rio
agradeceu nunca ter aprendido a nadar
e entregou-se ao amor dela
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
ele lia os livros e os jornais
ele via os filmes
e em tudo lá estava ela
aquela presença que tanto o perturbava
e que tanto o fazia crescer
que o fazia sorrir
dava tudo para conseguir parar o tempo
parar a sua imagem
e ficar olhando-a, tocando-a
gritando: amo-te, sem que ela o ouvisse
ele escrevia e escrevia e escrevia
e perdia-se nos caminhos que conhecia como as palmas da mão
procurava-se a si ou a ela?
e seria ele já outra coisa senão o que ela quisesse que ele fosse?
ele sentava-se mais uma vez
perante o seu reflexo no espelho
e dizia: envelheceste tanto, meu amigo,
nestes intermináveis segundos
desde que perdeste o que nunca tiveste
ele parava para olhar tudo à sua volta
e nada lhe despertava a atenção
só o rio
o Mondego que corria como ele já não podia mais
e o caudal era engrossado por água salgada
que à água doce se juntava
e que partia para o doce reencontro que nunca aconteceria
ele sabia...
ele sabia que morrera
porque morre quem é incapaz de amar de novo
e então
se já morto estava
porquê continuar a lançar-se
passo atrás de passo
numa indiferença?
ele alcançou o rio
agradeceu nunca ter aprendido a nadar
e entregou-se ao amor dela
deixa-te ficar
não precisas dizer nada
se eu te tocar não tenhas medo
se eu te olhar não te agites
faz de conta que é só um sonho
e deixa-me percorrer o teu corpo com os meus dedos
deixa a minha língua deslizar pelo teu pescoço
pelo teu peito
deixa-me brincar com as tuas mãos pequenas
guiá-las, ensiná-las
não penses
vamos evitar fazê-lo
achas que chegaremos a conseguir?
temos esta tendência para racionalizar
mas desta vez não
desta vez deixa-me apenas beijar os teus pés
desenhar com as minhas mãos os teus contornos
despir-te
deixa-me ficar só a olhar para ti, perfeita
beijar-te, ter-te
deixa-me mostrar-te os meus defeitos
inseguranças, medos
deixa-me lançar-te para a cama branca
domar-te, selvagem
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não precisas dizer nada
se eu te tocar não tenhas medo
se eu te olhar não te agites
faz de conta que é só um sonho
e deixa-me percorrer o teu corpo com os meus dedos
deixa a minha língua deslizar pelo teu pescoço
pelo teu peito
deixa-me brincar com as tuas mãos pequenas
guiá-las, ensiná-las
não penses
vamos evitar fazê-lo
achas que chegaremos a conseguir?
temos esta tendência para racionalizar
mas desta vez não
desta vez deixa-me apenas beijar os teus pés
desenhar com as minhas mãos os teus contornos
despir-te
deixa-me ficar só a olhar para ti, perfeita
beijar-te, ter-te
deixa-me mostrar-te os meus defeitos
inseguranças, medos
deixa-me lançar-te para a cama branca
domar-te, selvagem
olhando para ti do canto oposto dos claustros
não me ouves a gritar?
“corre para mim
avança na minha direcção
sem olhar para o lado ou para trás
sem saber de quem está à nossa volta
alarga os teus passos para que não demores
e abraça-me com a força das avalanches
beija-me com o calor do Verão
acaricia-me com a profundidade do mar
e pega na minha mão
como se esperasses que eu te levasse a ver o mundo
e diz-me que precisas de mim
que só queres respirar da forma que eu respirar
para que dessa forma nos encompassemos na vida
que só queres andar na direcção em que eu andar
para que assim os nossos passos nunca sejam divergentes”
tu ficas no teu lugar sem que eu consiga perceber
se me olhas da mesma forma
ou se nem sequer reparaste na minha presença
no meu olhar que grita “só tu me sabes amar”
tu ficas no teu lugar sem sequer olhar para mim
pelo menos pelo que vejo pelo canto do olho
levantas-te
lentamente avanças na minha direcção
e eu já sou todo antecipação e medo e exultação e prazer
e os meus lábios são já o leito pronto a receber os teus
e o meu corpo é já só o tremor que sempre deixas em mim
e eu sou já teu, pois se nunca o deixei de ser
desde o dia em que me quiseste
mas tu passas por mim sem sequer sorrir
talvez tenhas dito “olá”
mas como poderia eu ter escutado
se esperava que dissesses “preciso de ti
só quero respirar como tu respirares
para que dessa forma nos encompassemos na vida
só quero andar na direcção em que tu andares
para que assim os nossos passos nunca sejam divergentes”
e que pegasses na minha mão
deixando-me à espera de me levares a ver o mundo
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
não me ouves a gritar?
“corre para mim
avança na minha direcção
sem olhar para o lado ou para trás
sem saber de quem está à nossa volta
alarga os teus passos para que não demores
e abraça-me com a força das avalanches
beija-me com o calor do Verão
acaricia-me com a profundidade do mar
e pega na minha mão
como se esperasses que eu te levasse a ver o mundo
e diz-me que precisas de mim
que só queres respirar da forma que eu respirar
para que dessa forma nos encompassemos na vida
que só queres andar na direcção em que eu andar
para que assim os nossos passos nunca sejam divergentes”
tu ficas no teu lugar sem que eu consiga perceber
se me olhas da mesma forma
ou se nem sequer reparaste na minha presença
no meu olhar que grita “só tu me sabes amar”
tu ficas no teu lugar sem sequer olhar para mim
pelo menos pelo que vejo pelo canto do olho
levantas-te
lentamente avanças na minha direcção
e eu já sou todo antecipação e medo e exultação e prazer
e os meus lábios são já o leito pronto a receber os teus
e o meu corpo é já só o tremor que sempre deixas em mim
e eu sou já teu, pois se nunca o deixei de ser
desde o dia em que me quiseste
mas tu passas por mim sem sequer sorrir
talvez tenhas dito “olá”
mas como poderia eu ter escutado
se esperava que dissesses “preciso de ti
só quero respirar como tu respirares
para que dessa forma nos encompassemos na vida
só quero andar na direcção em que tu andares
para que assim os nossos passos nunca sejam divergentes”
e que pegasses na minha mão
deixando-me à espera de me levares a ver o mundo
ontem
assim que te vi
quis beijar-te
levantar-me da cadeira
e
como se mais ninguém ali estivesse
deixar que os meus lábios e os teus caminhassem sobre eles mesmos
mas ontem
apenas disfarcei
esse desejo
este desejo
e
sem que o pudesses perceber
sofri de uma dor profunda e cravada para sempre na minha cobardia
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
assim que te vi
quis beijar-te
levantar-me da cadeira
e
como se mais ninguém ali estivesse
deixar que os meus lábios e os teus caminhassem sobre eles mesmos
mas ontem
apenas disfarcei
esse desejo
este desejo
e
sem que o pudesses perceber
sofri de uma dor profunda e cravada para sempre na minha cobardia
amo-te até às forças me faltarem e no fim de nada me valerem
amo-te até onde os meus passos te procurarem para se perderem
amo-te até me perguntares se te amo para então te amar mais
amo-te até à descoberta de que somos só um não sendo iguais
amo-te enquanto o vento soprar
amo-te até às lágrimas que não deixas de me causar
amo-te até ao fim da viagem interminável que quisemos fazer
amo-te até ao desabrochar das flores que morrerão para renascer
amo-te até à foz do rio e nunca me perderei de ti no oceano
amo-te até ao acto final que não chega por não corrermos o pano
amo-te enquanto a terra nos alimentar
amo-te até às lágrimas que não deixas de me causar
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
amo-te até onde os meus passos te procurarem para se perderem
amo-te até me perguntares se te amo para então te amar mais
amo-te até à descoberta de que somos só um não sendo iguais
amo-te enquanto o vento soprar
amo-te até às lágrimas que não deixas de me causar
amo-te até ao fim da viagem interminável que quisemos fazer
amo-te até ao desabrochar das flores que morrerão para renascer
amo-te até à foz do rio e nunca me perderei de ti no oceano
amo-te até ao acto final que não chega por não corrermos o pano
amo-te enquanto a terra nos alimentar
amo-te até às lágrimas que não deixas de me causar
tudo bem, fingi tão convincentemente
que provavelmente achas que eu nem me importo
que tenhas partido sem nada dizer
que tenhas fugido sem eu te conhecer
mas a verdade é outra, na verdade menti
eu não te esqueci
tudo bem, os meus olhos estão calmos
sem as tempestades que tantas vezes viste neles
mas é só porque as lágrimas secaram
é só porque as nuvens se esgotaram
foi nos teus olhos que eu sempre me perdi
eu não te esqueci
e amanhã
eu não te esqueci
eu nunca te esqueci
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
que provavelmente achas que eu nem me importo
que tenhas partido sem nada dizer
que tenhas fugido sem eu te conhecer
mas a verdade é outra, na verdade menti
eu não te esqueci
tudo bem, os meus olhos estão calmos
sem as tempestades que tantas vezes viste neles
mas é só porque as lágrimas secaram
é só porque as nuvens se esgotaram
foi nos teus olhos que eu sempre me perdi
eu não te esqueci
e amanhã
eu não te esqueci
eu nunca te esqueci
olho para ti, do outro lado da sala, e grito-te num olhar:
deixa-te amar-me!
o que te impede?
salva-me do medo que me tolhe os movimentos
faz-me esquecer os medos que me calam
faz o que a minha cobardia me impede de fazer.
mas tu ficas calada
do outro lado da sala manténs o teu sorriso mudo
e talvez eu devesse voltar para o meu canto
despir esta pele que já duvido possa ser a minha,
e ser outro ser, que desconhece a sombra por não saber do sol
e esquecer quem tu és
quem me fizeste ser, com um abraço
mas isso é impossível
devia dizer-te um adeus
o adeus que merecemos
que afinal acho que nos devemos
talvez eu devesse dizer-te que te amo
0 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
deixa-te amar-me!
o que te impede?
salva-me do medo que me tolhe os movimentos
faz-me esquecer os medos que me calam
faz o que a minha cobardia me impede de fazer.
mas tu ficas calada
do outro lado da sala manténs o teu sorriso mudo
e talvez eu devesse voltar para o meu canto
despir esta pele que já duvido possa ser a minha,
e ser outro ser, que desconhece a sombra por não saber do sol
e esquecer quem tu és
quem me fizeste ser, com um abraço
mas isso é impossível
devia dizer-te um adeus
o adeus que merecemos
que afinal acho que nos devemos
talvez eu devesse dizer-te que te amo
veio sem que eu me pudesse sequer aperceber
falou-me ao ouvido... docemente
(eu não sabia que era assim)
deitou-me ao chão, elevou-me no ar...
fez-me ver coisas que sempre julguei ser incapaz de ver
fez-me fazer coisas que sempre julguei ser incapaz de fazer
e fez-me dizer coisas de uma forma tão forte e tão verdadeira
que só podia estar a revelar o melhor de mim
deixou-me no meu estado mais belo... perfeito
mesmo que a perfeição seja uma invenção dos deuses
para se rirem de nós
então, porque me magoa tanto?
porque me faz sentir vontade de não existir?
porque me faz desejar que tudo não passe de um pesadelo
ou de uma ilusão dos sentidos?
e porque não desistimos
fugindo para onde não nos possa alcançar?
porque persistimos nesta caminhada?
loucos...
só podemos ser loucos
pergunto-me se nos dará alguma vez alguma certeza...
porque pergunto? se sei a resposta:
é claro que não!
quem quer certezas não quer ser amado
insistimos, insistimos sempre
e para nos confortarmos
vamos repetindo que a incerteza também nos pode guiar
estaremos assim tão longe da verdade?
será normal neste turbilhão sentirmo-nos tranquilos?
não sei
há respostas que ainda não me sinto preparado para dar
sei que estava calmo...
como se nada pudesse acontecer que acabasse com a minha suposta glória
sei que, por momentos,
chegava a acreditar que o mundo podia bater certo
... mas eu nunca acreditei nisso
então, tu vieste...
ainda bem que vieste!
não te quero enganar: seria um ser ainda mais imperfeito
se tivesses ficado calada no teu canto
olhando-me com o mesmo olhar
com que eu evitava olhar-te
por forma a manter a minha ingenuidade
então, tu vieste...
destruíste tudo o que eu era... o que eu pensava ser
e onde ficou essa parte de mim
que, medindo todas as coisas, se confundia já comigo mesmo?
onde está agora essa fracção do meu ser?
perdi-a
sei que não a voltarei a encontrar
e embora me tenha feito feliz
sei que o seu tempo já não é o meu
não tivemos culpa
quem ama não é culpado de nada!
(e quem julga que ama?
quem se deixa levar?
quem sente que nada podia ter sido diferente?
quem sente que se encontrou encurralado
e preferiu recusar a fuga?
também, esta resposta já não importa
nunca importou...)
tentei encontrar os restos do outro eu
que nessa altura não podia já ser
juntá-los e construir-me de novo
tentei refazer-me, desta vez a partir de dentro
tentei refazer-me, desta vez olhando para mim
para o que fui e o que sou agora
e para o que quero de mim...
“esquece o que os outros esperam que sejas!”, gritei a mim mesmo
tentei refazer-me... ainda estou a tentar...
destruíste tudo o que eu era... o que eu pensava ser
eu sorri
porque não posso deixar de sorrir quando me olhas
o teu olhar desarma-me, desnuda-me
e eu não fico incomodado por me veres tal como eu sou
porquê?
porque foi sempre desta maneira?
por um momento
não quis sentir-me assim
não quis a confusão dos sentidos à toa
das emoções sempre, mesmo no sono, à flor da pele
não quis a inquietação...
mas será que posso querer ou não querer?
será que o pode alguém?
destruíste tudo o que eu era... o que eu pensava ser
depois fugiste
não conseguiste olhar-me nos olhos...
acho que então te agradeci por isso
porque, apesar da dor da tua ausência, como ia eu conseguir olhar-te?
fui um parvo
devia ter chamado o teu nome
devia ter dito “não te vou deixar partir”
ou então devia ter sido ainda mais honesto:
“não consigo deixar-te partir”
confesso que me dói
não te ver
não te poder tocar
não te poder falar
não te ter...
confunde-me esta necessidade que tem o teu nome
não vou mentir: sabendo que te amo,
que não posso deixar de te amar,
sei que nunca vou poder amar-te
digo que não me importo
(na verdade, isso é mentira
é isso que me está a fazer perder a razão
a fazer sentir-me desfalecer ao mesmo tempo que escrevo
que está, paradoxalmente, a dar-me forças para me levantar
para gritar: “quero-te, preciso de ti!”
não ouves o meu sussurro inaudível?)
quero que saibas
quero que saibam
que te quero comigo
nem que seja nesta espécie de dormência
em que nos retraímos,
em que não nos deixamos ser
porque, mesmo assim,
me dás mais do que eu podia esperar de alguém
... e eu quero tudo o que me queiras dar
por um momento
quis que tivéssemos tudo o que nos podemos oferecer
sem termos de nos comprometer com o caos
sem nos lançarmos num furacão de paixões mal calculadas
de pressas, de dúvidas, de raivas, de angústias...
mas isso nunca nos coube a nós controlar
e sempre quisemos mais
1 palavra(s) nova(s)
palavras escritas por pns
falou-me ao ouvido... docemente
(eu não sabia que era assim)
deitou-me ao chão, elevou-me no ar...
fez-me ver coisas que sempre julguei ser incapaz de ver
fez-me fazer coisas que sempre julguei ser incapaz de fazer
e fez-me dizer coisas de uma forma tão forte e tão verdadeira
que só podia estar a revelar o melhor de mim
deixou-me no meu estado mais belo... perfeito
mesmo que a perfeição seja uma invenção dos deuses
para se rirem de nós
então, porque me magoa tanto?
porque me faz sentir vontade de não existir?
porque me faz desejar que tudo não passe de um pesadelo
ou de uma ilusão dos sentidos?
e porque não desistimos
fugindo para onde não nos possa alcançar?
porque persistimos nesta caminhada?
loucos...
só podemos ser loucos
pergunto-me se nos dará alguma vez alguma certeza...
porque pergunto? se sei a resposta:
é claro que não!
quem quer certezas não quer ser amado
insistimos, insistimos sempre
e para nos confortarmos
vamos repetindo que a incerteza também nos pode guiar
estaremos assim tão longe da verdade?
será normal neste turbilhão sentirmo-nos tranquilos?
não sei
há respostas que ainda não me sinto preparado para dar
sei que estava calmo...
como se nada pudesse acontecer que acabasse com a minha suposta glória
sei que, por momentos,
chegava a acreditar que o mundo podia bater certo
... mas eu nunca acreditei nisso
então, tu vieste...
ainda bem que vieste!
não te quero enganar: seria um ser ainda mais imperfeito
se tivesses ficado calada no teu canto
olhando-me com o mesmo olhar
com que eu evitava olhar-te
por forma a manter a minha ingenuidade
então, tu vieste...
destruíste tudo o que eu era... o que eu pensava ser
e onde ficou essa parte de mim
que, medindo todas as coisas, se confundia já comigo mesmo?
onde está agora essa fracção do meu ser?
perdi-a
sei que não a voltarei a encontrar
e embora me tenha feito feliz
sei que o seu tempo já não é o meu
não tivemos culpa
quem ama não é culpado de nada!
(e quem julga que ama?
quem se deixa levar?
quem sente que nada podia ter sido diferente?
quem sente que se encontrou encurralado
e preferiu recusar a fuga?
também, esta resposta já não importa
nunca importou...)
tentei encontrar os restos do outro eu
que nessa altura não podia já ser
juntá-los e construir-me de novo
tentei refazer-me, desta vez a partir de dentro
tentei refazer-me, desta vez olhando para mim
para o que fui e o que sou agora
e para o que quero de mim...
“esquece o que os outros esperam que sejas!”, gritei a mim mesmo
tentei refazer-me... ainda estou a tentar...
destruíste tudo o que eu era... o que eu pensava ser
eu sorri
porque não posso deixar de sorrir quando me olhas
o teu olhar desarma-me, desnuda-me
e eu não fico incomodado por me veres tal como eu sou
porquê?
porque foi sempre desta maneira?
por um momento
não quis sentir-me assim
não quis a confusão dos sentidos à toa
das emoções sempre, mesmo no sono, à flor da pele
não quis a inquietação...
mas será que posso querer ou não querer?
será que o pode alguém?
destruíste tudo o que eu era... o que eu pensava ser
depois fugiste
não conseguiste olhar-me nos olhos...
acho que então te agradeci por isso
porque, apesar da dor da tua ausência, como ia eu conseguir olhar-te?
fui um parvo
devia ter chamado o teu nome
devia ter dito “não te vou deixar partir”
ou então devia ter sido ainda mais honesto:
“não consigo deixar-te partir”
confesso que me dói
não te ver
não te poder tocar
não te poder falar
não te ter...
confunde-me esta necessidade que tem o teu nome
não vou mentir: sabendo que te amo,
que não posso deixar de te amar,
sei que nunca vou poder amar-te
digo que não me importo
(na verdade, isso é mentira
é isso que me está a fazer perder a razão
a fazer sentir-me desfalecer ao mesmo tempo que escrevo
que está, paradoxalmente, a dar-me forças para me levantar
para gritar: “quero-te, preciso de ti!”
não ouves o meu sussurro inaudível?)
quero que saibas
quero que saibam
que te quero comigo
nem que seja nesta espécie de dormência
em que nos retraímos,
em que não nos deixamos ser
porque, mesmo assim,
me dás mais do que eu podia esperar de alguém
... e eu quero tudo o que me queiras dar
por um momento
quis que tivéssemos tudo o que nos podemos oferecer
sem termos de nos comprometer com o caos
sem nos lançarmos num furacão de paixões mal calculadas
de pressas, de dúvidas, de raivas, de angústias...
mas isso nunca nos coube a nós controlar
e sempre quisemos mais

